Nove pessoas estão envolvidas no crime que ficou conhecido internacionalmente como a Chacina de Unaí. O crime que vitimou três Auditores-Fiscais do Trabalho e o motorista do MTE, ocorreu em 28 de janeiro de 2004, quando eles faziam uma fiscalização de rotina.
Entre os acusados de serem mandantes, intermediários e executores da chacina estão:
Antério Mânica - Considerado o maior produtor de feijão do País, tem propriedades rurais no Paraná e Unaí (MG) e era alvo freqüente de fiscalizações, a maioria delas realizadas pelo Auditor-Fiscal do Trabalho Nelson José da Silva, lotado na subdelegacia de Paracatu/MG. Em novembro de 2003, Antério ameaçou o Auditor de morte durante uma das inspeções, conforme ele mesmo confessou em depoimento à Polícia Federal (está em liberdade, tem direito a julgamento em foro especial, porque foi eleito prefeito de Unaí em 2004 e reeleito em 2008).
Norberto Mânica – Fazendeiro, irmão de Antério Mânica, também era alvo de fiscalizações freqüentes em suas fazendas. É considerado mandante do crime, junto com o irmão (está em liberdade desde 28 de novembro/2006, por força de habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ).
Hugo Alves Pimenta - Empresário cerealista, é acusado de ser o mandante das execuções dos Auditores-Fiscais do Trabalho e do motorista. É proprietário das empresas Huma Transportes, com sede em Unaí, e Huma Cereais Ltda, que tem filial também em Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal. Tem como sócia Marta de Fátima Santos e mantém relações comerciais com vários fazendeiros da região. Na ocasião do crime, devia R$ 2 milhões aos fazendeiros e irmãos Celso e Norberto Mânica,alvos das fiscalizações dos Auditores-Fiscais do Trabalho. Ele teria pago R$ 45 mil pelas quatro mortes. Pimenta se recusou a prestar depoimento à Polícia Federal e disse que só fala em juízo. Chegou a ser libertado, mas foi novamente preso em 9 de junho de 2006, quando foi descoberto um esquema de compra do silêncio de testemunhas. Atualmente está em liberdade por força de habeas corpus.
José Alberto de Castro - Conhecido como Zezinho, é empresário, dono da Lucky - Flocos de Cereais, com sede em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Representante da empresa Huma na capital mineira, é suspeito de intermediar a contratação dos pistoleiros, a pedido do amigo Hugo Pimenta. Para isso, fez contato com o sitiante Francisco Elder Pinheiro, que arregimentou o grupo. Está em liberdade desde dezembro 2004, beneficiado por habeas corpus do TRF 1ª Região.
Francisco Elder Pinheiro - Conhecido como Chico Pinheiro, é apontado como o homem que se encarregou de montar toda a estrutura para a chacina e também acompanhou a execução do plano pessoalmente. Confessa que respondeu por três homicídios e que foi ele quem contratou os três homens para executar os auditores, encarregando-se também de receber o dinheiro das mãos de Zezinho e de fazer a divisão entre os participantes do crime (está preso).
Erinaldo de Vasconcelos Silva - É suspeito de ter executado, com sua pistola 38, três das quatro vítimas. Integrante de uma quadrilha de roubo de carga e de veículos que atua na região de Goiás e Noroeste de Minas, agia ao lado de Rogério Alan Rocha Rios, chamado por ele para matar os Auditores. Ele confessa que foi procurado por Chico Pinheiro, aceitou o trabalho sujo e acertou com ele o pagamento. Por ter executado mais pessoas, recebeu R$ 17 mil, além de R$ 6 mil, a título de adiantamento (está preso).
Rogério Alan Rocha Rios - É suspeito de ter participado diretamente das execuções. Armado de um revólver calibre 38, deu vários tiros no Auditor-Fiscal do Trabalho Nelson José da Silva, o verdadeiro alvo dos mandantes do crime, conforme sua confissão. Encarregou-se ainda de roubar os celulares das vítimas, que depois foram atirados em um riacho. Depois do crime, fugiu para seu Estado natal, a Bahia, onde responde a processos. Diz ter recebido R$ 6 mil para participar do crime (está preso).
William Gomes de Miranda - Foi contratado para atuar como motorista dos pistoleiros durante a chacina. Sua função era fazer o levantamento dos passos dos fiscais depois que eles deixassem o hotel em que se hospedavam. No entanto, não participou diretamente do crime, porque o carro alugado que conduzia, um Gol vermelho, furou um pneu. Por sua participação, confessa ter recebido R$ 11 mil (está preso).
Humberto Ribeiro dos Santos - O “Beto” é apontado como o homem que teria se encarregado de apagar uma das provas do crime. Depois das mortes, foi contratado por Erinaldo para arrancar a folha do livro de registros do Hotel Athos, em Unaí, onde os pistoleiros ficaram hospedados. Rogério Alan foi quem se lembrou de ter fornecido seus dados verdadeiros ao fazer registro no local. Ele estava preso em Formosa (GO) por outro crime. Beto não estabeleceu preço pelo serviço. O crime pelo qual foi acusado já prescreveu e ele está em liberdade desde julho de 2010.
Situação dos processos
A 9ª Vara Federal em Belo Horizonte publicou a Sentença de Pronúncia em dezembro de 2004, indicando que oito dos nove acusados devem ir a Júri Popular. A exceção é Antério Mânica, que tem direito a julgamento em foro especial, por ser prefeito de Unaí, cumprindo segundo mandato.
Vários réus entraram com recursos, alguns ainda pendentes de análise, mas cinco deles (José Alberto de Castro, Erinaldo de Vasconcelos Silva, Francisco Elder Pinheiro, Rogério Alan Rocha Rios, Willian Gomes de Miranda) já podem ser julgados, pois o Superior Tribunal de Justiça - STJ determinou o desmembramento de seus processos. Destes cinco que já podem ser julgados, José Alberto de Castro é o único que aguarda o julgamento em liberdade. Os outros quatro continuam presos. O Sinait apurou que os autos originais ainda estão no STJ, tendo sido remetida cópia à 9ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte.
Também estão em liberdade, sem previsão de julgamento,Hugo Alves Pimenta, Antério Mânica,Norberto Mânica e Humberto Ribeiro.
Manifestações
Este ano o crime que vitimou os quatro servidores Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e Ailton Pereira de Oliveira completa 8 anos. A data será marcada por manifestações feitas pelos Auditores-Fiscais do Trabalho em diversas capitais como Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Fortaleza (CE), Manaus (AM) e João Pessoa (PB).