Negociação sobre PL da terceirização é aberta entre centrais sindicais e parlamentares


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
28/10/2011



O Projeto de Lei 4330/04, que pede a regulamentação dos serviços de terceirização, foi tema de debate das centrais sindicais com os deputados Sandro Mabel (PMDB-GO), autor da matéria, e Roberto Santiago (PV-SP), relator do projeto na Comissão Especial do Trabalho Terceirizado formada na Câmara. Ele já apresentou o relatório, com a proposta de um substitutivo ao PL 4330, baseado em audiências públicas com diversos setores da sociedade realizadas na Comissão Especial para tentar construir um consenso sobre o PL.


Mesmo com a proposta de substitutivo, o PL está esperando votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania - CCJC da Câmara até que o relatório da Comissão seja aprovado. A Central Única dos Trabalhadores - CUT e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB não concordaram com o conteúdo do texto elaborado por Roberto Santiago. Por isso, as duas Centrais procuraram os parlamentares na última quarta-feira, 26 de outubro, para abrir um canal de negociação, pois acreditam que o parecer “amplia a terceirização e precariza o trabalho no Brasil”.

 

Segundo as Centrais, o relatório de Santiago propõe  a diferenciação entre empresa especializada e terceirizada. Com isso também se encerra o conceito de atividade-fim – onde hoje é proibida a terceirização – e atividade-meio. Os presidentes da CUT, Arthur Henrique, e da CTB, Wagner Gomes, também argumentam que o texto não deixa clara a defesa da igualdade entre trabalhadores terceirizados e os que são efetivados pela empresa tomadora. Os dois dirigentes solicitaram que o parecer precisa ser debatido com a sociedade antes de ser votado na Comissão Especial.

 

O PL 4330/04 prevê a responsabilidade subsidiária da empresa tomadora em caso de falência ou descumprimento das leis trabalhistas. Já as Centrais Sindicais e demais entidades que defendem os direitos dos trabalhadores, entre elas, o Sinait, preferem a responsabilidade solidária, ou seja, a divisão dessa atribuição entre as empresas tomadora e contratada.

 

Assunto em debate

A terceirização também foi tema de uma audiência pública no Tribunal Superior do Trabalho - TST entre os dias 4 e 5 de outubro.  O debate foi realizado a pedido do presidente do Tribunal, ministro João Oreste Dalazen, que percebeu que o entendimento do TST explicitado na Súmula 131 sobre assunto merecia uma revisão após a votação de um recurso que garantiu os direitos de um trabalhador terceirizado que estava executando atividade-fim em uma empresa de telefonia.

 

A presidente do Sinait, Rosângela Rassy, foi uma das palestrantes do evento. Ela levou ao público a preocupação dos Auditores-Fiscais do Trabalho a respeito da garantia dos direitos do trabalhador terceirizado que, em grande parte, não recebe benefícios como plano de saúde e ticket alimentação. Além disso, correm sérios riscos por falta de investimentos em saúde e segurança, principalmente na construção civil. A presidente também destacou que esses direitos só poderão ser garantidos de forma mais eficaz com o aumento do número de Auditores-Fiscais do Trabalho.

 

Veja mais informações sobre o assunto:

 

27-10-2011 - CUT

CUT e CTB iniciam negociação para alterar projeto de terceirização

 

Na próxima reunião, marcada para o dia 8, as duas centrais vão apresentar propostas alternativas aos cinco itens que consideram retrocesso para os trabalhadores



Os presidentes da CUT, Artur Henrique, e da CTB, Wagner Gomes, participaram nesta quarta-feira (26) da primeira rodada de negociação com os deputados Sandro Mabel (PMDB-GO) e Roberto Santiago (PV-SP) da Comissão Especial do Trabalho, criada na Câmara dos Deputados para debater e elaborar estudos sobre os projetos de terceirização que tramitam na Câmara.



A negociação foi aberta depois que CUT e CTB divulgaram carta conjunta (clique aqui para ler) contra o relatório feito pelo deputado Roberto Santiago, que, para as duas centrais, amplia a terceirização e precariza o trabalho no Brasil. A ação das duas centrais impediu a votação do relatório que estava marcado para o último dia 19. 



O deputado Sandro Mabel, que preside a comissão, abriu a reunião desta quarta pedindo boa vontade aos sindicalistas da CUT e da CTB, argumentando que “o trabalho terceirizado existe, que atualmente tem mais de 10 milhões de trabalhadores terceirizados no país e que a tendência é que não vai regredir mais”. Portanto, continuou o deputado, “temos de trabalhar no sentido de regularizar para poder dar condições mínimas para os indivíduos terem os mesmos direitos e a gente acabar com as empresas ruins que só fazem locação de mão de obra”.



Artur e Wagner argumentaram que o relatório de Santiago  cria a figura de empresa especializada, enterrando o conceito de atividade-fim (onde hoje é proibida a terceirização) e atividade-meio.E, apesar de afirmarem que o objetivo não é precarizar o trabalho nem reduzir custos em item nenhum da proposta está escrito que os trabalhadores terceirizados terão os mesmos direitos.



Isonomia de direitos

“Se a intenção não é precarizar nem reduzir custos, como vocês dizem, qual o problema de colocar no projeto que os terceirizados terão direito à mesma convenção coletiva, aos mesmos salários, as mesmas condições de trabalho?” questionou Artur.



O presidente da CTB disse que “já passamos daquela fase de que não admitimos terceirizar nada”. Segundo Wagner, “o que não dá é para aceitar a terceirização de tudo, inclusive das atividades-fim”.



O presidente da CUT ratificou a argumentação de Wagner: “Não concordamos com a regulamentação da terceirização de tudo, senão vamos ampliar a terceirização no Brasil. E isso significa precarização do trabalho”



Segundo Artur, “os trabalhadores das terceirizadas não têm as mesmas condições de trabalho, os mesmos direitos, a mesma convenção nem acordo coletivo dos contratados diretamente pela empresa contratante (a que contrata uma terceirizada)”.



Todos concordaram que a regulamentação da terceirização é um assunto prioritário. Mas os dirigentes deixaram claro que a proposta de Roberto não pode ser votada sem ser debatida com a sociedade e o conjunto dos deputados.



Para CUT e CTB, o principal problema do relatório de Santiago (um substitutivo ao PL 4330, de autoria do deputado Sandro Mabel-PMDB-GO) é que a proposta dele se concentra em estabelecer regras entre as empresas e escancara a terceirização.



Precarização total

"Em tese, a proposta diz que, sendo especializada, pode terceirizar tudo. Para nós, a terceirização não pode ser regulamentada para qualquer tipo de atividade", disse Artur, que completou afirmando ter encontrado coisas positivas no projeto. Entre elas, ele citou a tentativa de impedir o funcionamento de empresas picaretas. No entanto, ressaltou que o relator não colocou no texto itens para regular a terceirização do ponto de vista da melhoria das relações e condições de trabalho.



Para a CUT e para a CBT, pelo menos cinco premissas do projeto precisam ser revistas, caso contrário ao invés de regulamentação da terceirização, a Câmara dos Deputados vai  aprovar uma reforma da legislação trabalhistas que provocará sérios impactos no mercado de trabalho brasileiro, institucionalizando a precarização do trabalho.



Os cinco itens questionados pelos presidentes da CUT e da CTB na primeira reunião de negociação foram: 

1.      O conceito de atividade-meio e atividade-fim – eles querem que fique claro na proposta que a terceirização nas atividades-fim permanece proibida;

2. Responsabilidade solidária da empresa contratante pelas obrigações trabalhistas – segundo os dirigentes, não vai resolver o problema dos trabalhadores colocar a responsabilidade solidária da empresa contratante apenas pelas obrigações trabalhistas, ou seja, relacionadas a contratação, fiscalização e/ou execução da empresa;

3. Isonomia e igualdade de direitos entre todos trabalhadores e trabalhadoras – a proposta não detalha que os terceirizados terão as mesmas convenções coletivas, os mesmos salários etc;

4. Direito à informação prévia e negociação coletiva por ramo preponderante – para CUT e CTB, direito a informação não é acordo coletivo. O que precisa deixar claro no texto é que os sindicatos serão informados previamente quando uma empresa decidir terceirizar algum serviço;

5. Proibição de terceirização das atividades que são tipicamente de responsabilidade do Setor Público.

 

Depois de mais de três horas de negociação, ficou acertado que a CUT e a CTB farão propostas de alteração do relatório de Santiago. Essas propostas serão apresentadas em uma nova reunião, marcada para o próximo dia 8,  à tarde.



Encontro com parlamentares

Durante toda essa quarta, a CUT e a CTB visitaram ainda diversos parlamentares para discutir saídas contra a proposta de regulamentação que precarização as relações trabalhistas. Entre eles, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP). O segundo, inclusive, leu a carta aberta da CUT e da CTB e elogiou a postura das centrais em defesa dos trabalhadores.



Segundo  o Secretário de Relações do Trabalho da CUT, Manoel Messias, o objetivo é fazer com que o debate chegue a toda a sociedade. “Queremos garantir uma audiência pública para discutir essa questão e evitar a votação sumária sem que sejam levados em conta os interesses dos trabalhadores”, comentou.



De acordo com o dirigente, deve ser criado ainda um fórum que integre CUT, CTB, representantes da Academia, do Ministério Público e da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) para tratar do projeto.



Terceirização é desemprego – Um estudo recente realizado pela CUT e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese) rebate o argumento de que a terceirização gera empregos. A pesquisa comprova que 800 mil novas vagas de trabalho deixaram de ser criadas em 2010 por conta das terceirizações. Além disso, o salário dos terceirizados era 27.1% menor do que o dos contratados diretos. A rotatividade também é maior (5,8 anos em uma mesma empresa para os contratados diretos contra 2,6 anos para os terceirizados). Por fim, mais um dado alarmante: de cada 10 casos de acidentes de trabalho no Brasil, oito são registrados em empresas terceirizadas.

 

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