Mais uma ação do Grupo Móvel de Fiscalização libertou trabalhadores de condições análogas às de escravo, no interior do País. Desta vez, uma denúncia levou os Auditores-Fiscais do Trabalho a uma fazenda a 100 km de Goiânia (GO), onde as vítimas trabalhavam na extração da madeira.
As péssimas condições de moradia, alimentação e fornecimento de água aliadas à falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) comprovavam a escravidão a que eram submetidos os trabalhadores.
A coordenadora da operação, a Auditora-Fiscal do Trabalho Camila Bemergui, informou que foram lavrados 15 autos de infração e as verbas rescisórias somaram R$ 30 mil.
No mês de setembro foram resgatados, somente no Estado de Goiás, cerca de 40 trabalhadores.
Mais informações na matéria da ONG Repórter Brasil:
3-10-2011 – Repórter Brasil
Grupo móvel liberta 16 pessoas de plantação de eucalipto
Os alojamentos dos trabalhadores que extraíam madeira da Fazenda Santa Rita da Estalagem eram barracos de lona, no meio do mato. A água para consumo, banho e preparo de alimentos não era tratada e vinha de córrego
Por Bianca Pyl
Operação do grupo móvel de fiscalização do governo federal resgatou 16 vítimas de trabalho análogo à escravidão em Vianópolis (GO), município que fica a cerca de 100 km da capital Goiânia (GO). O grupo estava sendo submetido a condições degradantes há cerca de um mês. Motivada por uma denúncia, a inspeção se estendeu entre os dias 15 e 17 de setembro.
A situação foi encontrada no corte de eucaliptos da Fazenda Santa Rita da Estalagem, que pertence a Welson Albuquerque. O proprietário da área "vendeu a floresta em pé" para que a Goiás Flora Comércio de Madeira Ltda. fizesse a extração da madeira e a "limpeza" do terreno. Para realizar o serviço, a empresa subcontratou, por sua vez, o "gato" (intermediário) Antônio Dias de Souza para arregimentar e manter os trabalhadores - que estavam morando em Luziânia (GO) e Anápolis (GO), mas vieram do Maranhão.
Os alojamentos eram barracos de lona no meio do mato. As vítimas dormiam em colchões finos, comprados por eles mesmos. A água para consumo, banho e preparo dos alimentos não era tratada e vinha de um córrego. A alimentação era adquirida e preparada pelos próprios empregados.
O corte de eucaliptos era realizado com motosserras dos empregados, sem que houvesse treinamento específico e equipamentos de proteção individual (EPIs). Eles eram responsáveis também por carregar o caminhão para a entrega da madeira extraída da Fazenda Santa Rita da Estalagem, disse Camila Bemergui, auditora fiscal do trabalho que coordenou a operação.
Foram lavrados 15 autos de infração. Os trabalhadores foram retirados do local e receberam as verbas rescisórias, que totalizaram R$ 30 mil.
A Repórter Brasil tentou contato com o dono da propriedade, Welson de Albuquerque, mas não conseguiu encontrá-lo.