Notícia veiculada nesta segunda-feira, 3 de outubro, no jornal O Liberal (PA), informa que cerca de 200 trabalhadores foram internados na manhã do último sábado, em Ulianópolis, com quadro de infecção intestinal. Todos trabalham na empresa Pagrisa. A suspeita é de que haja problemas com a alimentação dos trabalhadores, fornecida por empresas terceirizadas. A informação, porém, não foi confirmada pela Pagrisa, que mandou fazer perícia nos alimentos, segundo a reportagem, e somente se pronunciará após a conclusão do laudo.
A Pagrisa ficou conhecida nacional e internacionalmente em 2007, quando uma equipe do Grupo Especial de Fiscalização Móvel resgatou mais de mil trabalhadores em condições de escravidão. Já naquela época havia problemas com a comida, havendo registro de vários trabalhadores com quadro de infecção intestinal no ambulatório médico mantido pela empresa. Além disso, várias infrações trabalhistas foram constatadas, como o não fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual – EPIs, condições degradantes de alojamento que afrontavam a dignidade humana, segundo consta no relatório da fiscalização à época.
A matéria completa pode ser lida aqui.
A seguir, trecho da matéria disponível no site de “O Liberal”:
3-10-2011 – O Liberal (PA)
Operários de usina internados com infecção
PAGRISA - Em 2007, empresa de Ulianópolis foi denunciada por trabalho escravo
Evandro Corrêa - Sucursal do Sul e Sudeste do Pará
Mais de 200 trabalhadores da Usina de Álcool Pagrisa, situada na zona rural do município de Ulianópolis, no sudeste do Pará, deram entrada em hospitais da região apresentando quadro de infecção intestinal na manhã de sábado. A diretoria da Pagrisa não quis falar sobre o assunto. No entanto, o prefeito de Ulianópolis, Jonas dos Santos Souza, disse que falou com um dos donos da empresa, sendo que o mesmo declarou ao gestor que a Pagrisa encaminhou as vítimas a alguns hospitais e mandou periciar os alimentos.
De acordo com o prefeito, a comida fornecida aos trabalhadores da usina é terceirizada para duas empresas. "Eles disseram que só vão falar sobre o caso quando sair o resultado do laudo", disse Jonas Santos. Em contato com a reportagem, a secretária de saúde de Ulianópolis, Ana Célia Araújo, disse que o Hospital Municipal atendeu funcionários da usina, sem precisar, no entanto, o número de trabalhadores contaminados. Em junho de 2007, o Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou, dentro da Pagrisa, 1.064 trabalhadores em condições semelhantes a de escravos.
A ação foi executada por Auditores-Fiscais do Trabalho, acompanhados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Trabalho. Na operação, o MTE elaborou um relatório sobre as condições de trabalho na Pagrisa, entre 28 de junho e 8 de julho de 2007. A fiscalização constatou que os funcionários trabalhavam sem equipamentos de proteção, como óculos e luvas. Também foi registrado no relatório que a maioria dos funcionários sofria com infecções intestinais em razão de alimentos deteriorados. À época, a própria empresa admitiu que "o ambulatório médico registrou 38 casos de sintomas de diarréia que poderiam estar relacionados à alimentação".