Na tarde de quinta-feira, 15, aconteceu a premiação dos Auditores-Fiscais finalistas do concurso de artigos científicos. Ao anunciar os vencedores, a coordenadora da mesa e membro da comissão julgadora, Ana Palmira Arruda, falou da responsabilidade e da dificuldade de julgar os trabalhos, uma vez que todos eram consistentes.
O tema do concurso foi os 120 anos da Inspeção do Trabalho e os três trabalhos vencedores foram, em primeiro lugar, A Inspeção do Trabalho sem números, mas em valores, de Marcell Fernandes de Santana (ES); em segundo lugar, Inspeção do Trabalho no Brasil, uma questão de ideal ao longo de 120 anos, de Antônio Alves Mendonça Júnior (MG) e Auditoria-Fiscal do Trabalho - 120 anos de Inspeção do Trabalho no Brasil, de Carlos Alberto Oliveira (RJ), vencedor do concurso do Enafit em 2010.
O artigo vencedor, intitulado A Inspeção do Trabalho sem números, mas em valores, tem por objetivo instigar o leitor a pensar as atividades desenvolvidas pela instituição Inspeção do Trabalho ao longo dos seus 120 anos de existência com outro foco, o dos verdadeiros valores escondidos por trás de números e estatísticas, assim como o sentimento dos Auditores-Fiscais do Trabalho que a integram e fazem a sua história. Em sua apresentação Marcell lamentou a aposentadoria, em breve, de vários Auditores: “A Inspeção do Trabalho tem que se reinventar para continuar a viva neste mundo de mudanças. Em um ano vários colegas vão se aposentar e a transferência de conhecimento tem dia e hora para acabar”, disse.
No artigo Inspeção do Trabalho no Brasil, uma questão de ideal ao longo de 120 anos, o autor falou sobre a existência de um “paradoxo” entre o seu pouco tempo como Auditor-Fiscal do Trabalho e a história da Inspeção no país. Ele citou a benevolência dos colegas e o que chamou de a “imaturidade de quem apresenta” - Antônio Alves tem apenas 23 anos é foi aprovado no concurso de 2010. O início da carreira no Brasil, com regras para disciplinar o trabalho infantil, foi citado no artigo e o autor denunciou a resistência de alguns setores ao combate ao trabalho infantil hoje. O Auditor emocionou a todos, quando citou a Chacina de Unaí e lembrou que os três Auditores-Fiscais do Trabalho e o motorista do Ministério do Trabalho e Emprego foram mortos fazendo o que ele faz hoje. “Que nossa indignação não se converta em afrouxamento, mas no ideal de justiça social. Somos um pouco assassinados diariamente pela impunidade deste crime”, lamentou.
Carlos Alberto Oliveira descreveu em seu trabalho uma “senhora” chamada Auditoria-Fiscal do Trabalho que completou 120 anos no dia 17 de janeiro de 2011. O artigo se resume na importância de a ação da Inspeção que se dirige para garantir a segurança nos locais de trabalho bem como combater a exploração do homem pelo seu semelhante, apontando para a pacificação nas relações, agindo de forma ativa, preservando o cidadão, ajudando no crescimento da pátria.O artigo conta a história da Inspeção, desde o Decreto 1.313, passando por vários instrumentos jurídicos que fortaleceram a fiscalização ao longo dos anos e também lembrou com tristeza as vítimas da chacina de Unaí, que infelizmente faz parte da história da Inspeção. Carlos Alberto concluiu dizendo que “não se pode omitir que as condições ideais para a fiscalização trabalhista que atendam ao princípio da eficiência ainda não existem, sendo que a falta de recursos humanos e financeiros são a causa do comprometimento de uma ação plenamente eficaz e de um profissional altamente capacitado”.