29º Enafit – Oficinas finalizam propostas de revisão da nova metodologia da fiscalização


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
14/09/2011



Auditores-Fiscais do Trabalho finalizaram as propostas de revisão da Portaria 546, que instituiu a nova metodologia da fiscalização. Sinait e SIT deverão ter uma reunião técnica para tratar das sugestões  


Na tarde de terça-feira e na manhã de quarta-feira, 12 e 13 de setembro, Auditores-Fiscais do Trabalho que participam do 29º Enafit discutiram a nova metodologia da Fiscalização do Trabalho e elaboraram propostas para sanar o que foi detectado como problemas do atual modelo.

 

Cinco grupos trabalharam, separadamente, os temas Capacitação e participação; Gestão de pessoas; Planejamento e gestão; Organização e procedimentos trabalhistas; e Avaliação e controle. Os grupos foram monitorados por uma equipe de consultores especializados em planejamento e avaliação participativos da empresa Matres Gestão Socioambiental, que também conduziu a primeira etapa das oficinas, realizada em Brasília, de 9 a 12 de agosto.

 

O ponto de partida para os debates foi justamente o relatório gerado pelas oficinas regionais de Brasília. A discussão neste Enafit aprofundou o debate na tarde de terça-feira, com participação de um grupo maior de Auditores-Fiscais do Trabalho, que analisaram as primeiras propostas e ampliaram com novas proposições.

 

Na manhã de quarta-feira, num segundo momento, todos os grupos se reuniram e as propostas foram apresentadas e submetidas à apreciação da plenária.

 

Conversa com a SIT

O último momento foi uma conversa com o Auditor-Fiscal do Trabalho Renato Bignami, representante da Secretaria de Inspeção do Trabalho – SIT. Rosângela Rassy, presidente do Sinait, resgatou a memória de como as oficinas foram construídas. Desde a publicação da Portaria 546 o Sinait recebeu muitas reclamações de colegas de todo o país e constituiu um grupo de trabalho que estudou os vários aspectos da portaria e enviou sugestões à SIT. A ideia de ampliar o debate amadureceu e culminou na realização das oficinas. Primeiro foram feitas oficinas regionais e depois esta grande oficina na programação do Enafit.

 

O Sinait, esclareceu Rosângela, não propõe a revogação da nova metodologia nem é contra o modelo, por si só. Apenas deu oportunidade à discussão da nova metodologia que, de certa forma, foi imposta a toda a categoria, e que até o presente momento, não foi objeto de avaliação por iniciativa da Administração. Um rico material foi recolhido e agora será entregue à SIT.

 

Andrea Zimmermann, da Matres, explicou a metodologia utilizada e os resultados obtidos. 219 Auditores-Fiscais do Trabalho participaram das oficinas nos cinco grupos de trabalho. Foram identificados 79 problemas e 195 soluções. Ela observou que para alguns problemas detectados houve dificuldades de apontar soluções. O relatório final será entregue ao Sinait na semana que vem.

 

Renato Bignami disse que gostaria de conhecer imediatamente os problemas e soluções apontados. Ele acredita que para muitas questões a SIT já tenha respostas, mesmo sem conhecer o documento. Ele não considera que a metodologia utilizada seja uma ruptura com o momento anterior, mas uma evolução natural para melhorar a eficácia, eficiência e efetividade da Fiscalização do Trabalho, para fazer diferença nas relações do trabalho. Segundo ele, muitos colegas contribuíram para a construção dessa forma de trabalhar e os projetos já existiam em muitas Superintendências, de forma que a novidade foi uniformizar os procedimentos. O conceito é de uma fiscalização mais preventiva do que de atendimento a denúncias. A Administração, disse ele, quer atingir os principais focos de irregularidades com planejamento.

 

Bignami ressaltou que a SIT está investindo e acreditando em capacitação e aproveitando o potencial dos colegas que desenvolvem os sistemas que estão sendo absorvidos pela Administração. O objetivo é adotar um sistema único para facilitar o trabalho de todos. A SIT, fez questão de frisar, é uma secretaria técnica, apesar de lidar com questões políticas também, e está sempre procurando melhorar as condições de trabalho.

 

A opinião dos Auditores-Fiscais do Trabalho

Em seguida às falas de Rosângela e Bignami, representantes dos grupos de trabalho expuseram, brevemente, suas impressões sobre o trabalho e o que esperam da SIT.

 

Mônica Duailibi disse que percebeu que muitas questões levantadas como problemas pelos Auditores-Fiscais do Trabalho são, na realidade, particularidades da gestão das chefias, que podem ser resolvidas em âmbito local. Ela afirmou que espera que a SIT trate os problemas e soluções levantados com transparência e diálogo e que, no caso de não atendimento das demandas, justifique de forma consistente, qualificada e coerente, afastando-se da negativa apenas baseada na hierarquia e autoridade.

 

A valorização da base na construção das normas foi a reivindicação de Humberto Melo, reivindicando o diálogo e a criação de um espaço regular para discutir metodologia e metas. Na opinião dele a capacitação deveria ser tratada como um projeto e também ter metas a cumprir.

 

Capacitação dos gestores foi o destaque de Crisóstomo Basílio, ressaltando que essa carência já foi explicitada antes. Ele afirmou que é muito difícil assumir chefias sem ferramentas adequadas de gestão e que isso dificulta o bom andamento dos projetos.

 

Ênio Soares sublinhou a dicotomia entre qualidade e quantidade, cuja solução, em seu entendimento, não é de fácil solução, nem a curto prazo. O modelo de fiscalização por projetos, para os Auditores-Fiscais do Trabalho da área de segurança e saúde, disse, não é novidade, pois em muitos estados já se trabalhava assim. O que é preciso agora é corrigir erros e desperdícios e definir de forma mais clara a função do coordenador, que considera vaga.

 

Em nome da SIT, Bignami afirmou que a forma de trabalho da Secretaria não centralizada, mas em equipe e que todos são Auditores-Fiscais do Trabalho ocupando temporariamente cargos internos. Disse que o diálogo com os coordenadores é constante, reconheceu que existem problemas, concordou que a capacitação de gestores é importante e afirmou que os recursos para isso estão sendo buscados, por exemplo, na cota dos repasses do Conselho Curador do FGTS para treinamento. Nesse ponto, em particular, ele frisou que a arrecadação do Fundo tem crescido com a uma ação direcionada e intensificada, e que é preciso continuar assim, para garantir a contrapartida aos recursos liberados para a fiscalização.

 

Ele discordou que haja dicotomia entre qualidade e quantidade no atual modelo, ressaltando que ambos são importantes. As ferramentas de informática, segundo Renato, estão sendo modernizadas justamente para melhorar essa relação.

 

Para fechar, Rosângela agradeceu a participação dos Auditores-Fiscais do Trabalho que se envolveram com a discussão nas oficinas e que compreenderam o objetivo do Sinait de proporcionar o debate, de elaborar um documento, registrar e ter um projeto sobre esse tema. “É uma ferramenta produzida com o esforço de todos, tem valor, pois representa o pensamento e as necessidades de quem está na base, colocando em prática a metodologia”, disse a presidente.

 

O documento será apresentado à SIT e, por sugestão de Renato Bignami será marcada uma reunião técnica para tratar o assunto. O Sinait, afirmou Rosângela, vai acompanhar, reivindicar e trabalhar pela absorção das propostas. “O objetivo como Sindicato é defender esse trabalho dos filiados”.

 

O relatório completo será divulgado em nosso site, na área restrita, tão logo seja disponibilizado pelos monitores.

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.