Auditores-Fiscais do Trabalho embargam obra que desabou em Porto Alegre


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
31/08/2011



31-8-2011 – Sinait

 

A obra que desabou em Porto Alegre (RS) na última sexta-feira, 26, matando dois operários da construção civil e ferindo outros nove, foi embargada por Auditores-Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio Grande do Sul – SRTE/RS. A vistoria foi realizada no sábado, dia seguinte ao acidente. A empresa foi notificada para atender a uma série de exigências para dar proteção aos trabalhadores e está impedida de retomar as obras enquanto não tomar as providências necessárias.

 

Acidentes com feridos e mortos na construção civil são notícia quase todos os dias. Sindicatos dos trabalhadores da categoria, em todo o país, denunciam a falta de capacitação dos trabalhadores e o descumprimento das regras de segurança que colocam em risco a vida dos operários.

 

Por outro lado, o reduzido número de Auditores-Fiscais do Trabalho impossibilita a cobertura de todas as obras que estão sendo realizadas de Norte a Sul do Brasil, sejam grandes ou pequenas, públicas ou particulares. “Muitas vezes, a fiscalização só chega depois que o acidente já aconteceu, porque os Auditores-Fiscais do Trabalho são muito poucos para estar em todos os canteiros de obras ao mesmo tempo”, comenta Rosângela Rassy, presidente do Sinait.

 

O relatório dos Auditores-Fiscais do Trabalho sobre as causas do acidente deverá ser concluído em trinta dias.

 

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29-8-2011 – Zero Hora (RS)

Obra que soterrou operários em Porto Alegre é embargada

 

Porto Alegre/RS - A obra de construção da estação de bombeamento de esgoto que desabou no dia 26 de agosto, na Zona Sul de Porto Alegre, foi embargada ainda no sábado por um auditor fiscal do trabalho. A informação foi divulgada no dia 29, quando as buscas pelo operário soterrado foram retomadas na Capital.



Os trabalhos foram interrompidos no início da noite de domingo, por causa da falta de iluminação e pela chuva. Dos 11 homens que trabalhavam na obra no momento do acidente, nove foram resgatados com vida e encaminhados ao HPS e Hospital Cristo Redentor, e um foi retirado sem vida do local.



A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e a Polícia Civil iniciaram as investigações que irão apontar causas e responsáveis pela queda de laje na obra. Para voltar a realizar a construção da estação, a empresa Marco Projetos e Construções terá que atender uma série de exigências. Enquanto isso, não poderá realizar qualquer atividade no canteiro de obras, que não seja as que irão dar segurança aos trabalhadores.



Segundo a polícia, a conclusão da perícia técnica do Instituto Geral de Perícias vai poder apontar os possíveis responsáveis pelo desabamento. A empresa Marco Projetos e Construções irá divulgar um pronunciamento oficial ainda hoje sobre o acidente.



Entenda o caso

Onze homens trabalhavam na conclusão de uma Estação de Bombeamento de Esgoto junto a uma praça do loteamento Jardins do Prado, com entrada pela Avenida Juca Batista, número 4.625. A obra é realizada pela construtora Marco Projetos e Construções, mas é de responsabilidade do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).



Eles faziam a colocação de uma viga de concreto no segundo pavimento quando houve o acidente. A laje ficava a quatro metros do nível do solo, mas abaixo dela ainda havia um fosso de cerca de nove metros de profundidade, segundo os bombeiros.

 

 

 

30-82011 – Correio do Povo (RS)

Após vistoria, obra da EBE é embargada  

 

A empresa Marco Projetos e Construções Ltda foi notificada a apresentar documentos e prestar, no prazo de cinco dias úteis, um relatório sobre os fatos ocorridos, destacando providências tomadas, apoio que tem sido prestado aos familiares das vítimas e todas as demais medidas que tenham sido adotadas sobre do acidente. A firma era a terceirizada responsável pela construção da Estação de Bombeamento de Esgoto da Restinga (EBE Restinga), do Dmae, onde ocorreu a queda da laje, no sábado, deixando nove operários feridos e dois mortos. O último corpo a ser encontrado foi de Vladimir Nascimento.

 

Após vistoria no final de semana, as obras foram embargadas pela equipe de auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do RS. A empreiteira não poderá realizar nenhuma atividade no canteiro de obras, "exceto as destinadas a sanar as condições de risco grave e iminente". No prazo de 30 dias, o laudo dos auditores do trabalho deverá estar concluído.

 

Ontem também foi anunciado o afastamento da engenheira responsável pela obra. Por meio de uma nota de esclarecimento divulgada ontem, a Marco Projetos e Construções afirma que está totalmente voltada para o atendimento às vítimas e vem prestando toda a assistência médica, psicológica e material às vítimas e a seus familiares. A empresa agradeceu o atendimento rápido e as providências adotadas pelo Samu, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Crea-RS.

 

Na manhã de ontem, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre (STICC) realizou manifestação em frente à obra. O presidente da entidade, Valter Souza, destacou que a empresa "não teria dado condições necessárias para a conclusão do resgate do trabalhador soterrado" - as buscas foram retomadas pouco antes das 10h de ontem.

 

Cerca de 15 pessoas participaram dos trabalhos de buscas desde 10h até por volta de 22h de ontem. Uma retroescavadeira e outros equipamentos foram utilizados para auxiliar nas buscas, além de um cão farejador. O comandante Humberto Teixeira Santos destacou o intenso trabalho da equipe e as dificuldades encontradas nessa operação. "Com muito esforço conseguimos vencer esse duro desafio", disse.

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