A presidente Dilma Rousseff e a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para Mulheres – SPM, afirmaram, em fevereiro, que políticas públicas voltadas para as mulheres serão prioridade do governo nesta gestão e deverão ser direcionadas, principalmente, para a população mais carente, que inclui milhões de trabalhadoras domésticas que não têm Carteira de Trabalho assinada e, em consequência, não têm assegurados os direitos trabalhistas garantidos pela lei. Embora os níveis de formalização tenham crescido, a maioria ainda trabalha na informalidade.
Segundo a ministra Iriny a SPM vai firmar parcerias com outros ministérios, entre eles o Ministério do Trabalho e Emprego, no sentido de intensificar a fiscalização trabalhista. E também vai atuar no Congresso Nacional para ampliar os direitos das trabalhadoras domésticas e criar mecanismos para elas alcancem a aposentadoria.
"O SINAIT espera que em breve a mensagem presidencial se torne realidade para todas as mulheres trabalhadoras de nosso país", diz a presidente do SINAIT, Rosângela Rassy
21-2-2011 – Congresso em Foco
Dilma anunciará prioridade máxima para as mulheres
Sylvio Costa e Renata Camargo
A primeira mulher na Presidência da República será também o primeiro chefe do governo brasileiro a transformar as políticas públicas voltadas para a população feminina em uma das prioridades máximas do seu mandato. Construção de creches, linhas especiais de crédito para mulheres e ações interministeriais de combate à violência e de formalização do trabalho doméstico estão entre as medidas que serão anunciadas no próximo mês por Dilma Roussef.
Conforme o figurino do novo governo, voltado prioritariamente para o combate à miséria, especial atenção será dada às parcelas mais pobres da população. Elas são o principal alvo do programa de creches, que nascerá sob o desafio de cumprir a ambiciosa meta anunci ada por Dilma na campanha eleitoral, de entregar 6 mil unidades até o fim do mandato.
Parte desse contingente populacional é formado pelas empregadas domésticas, que representam no Brasil algo entre 6 e 8 milhões de pessoas. Estudo da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), com base na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, mostrou que 94,7% delas não têm carteira de trabalho assinada.
Os ministérios do Trabalho, da Previdência, a SPM e outros órgãos federais ainda discutem os detalhes do que será feito, mas é certo que as ações no campo do trabalho doméstico envolverão duas frentes. Numa delas, haverá um esforço conjunto para fazer valer a legislação trabalhista. Na outra, o Executivo defenderá no Congresso regras que assegurem às empregadas condições mais dignas de vida. As possibilid ades em análise incluem a ampliação dos direitos trabalhistas e a garantia de acesso à aposentadoria.
Em encontro com entidades feministas, na semana passada, a ministra de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes, disse que a intenção do governo é “trabalhar a autonomia econômica, financeira e política das mulheres”. Iriny adiantou para o Congresso em Foco quais deverão ser os principais pontos da agenda legislativa no campo da defesa dos direitos da mulher.
Na reunião com representantes do movimento feminino, Iriny contou que a SPM deixará de ser
secretaria para se transformar em ministério. E apontou a violência contra a mulher como outra preocupação prioritária do governo Dilma, que também será objeto de ações interministeriais.
Nesse caso, mais uma vez, para fazer cumprir a lei, evitando abusos contra as mulheres.
Os direitos femininos motivarão ainda a primeira grande campanha de propaganda do governo. Informou que todo o mês de março será dedicado pelo governo às mulheres. “Em vez de um dia, teremos um mês. A ideia é que a presidenta anuncie alguma coisa em pelo menos uma cidade de cada uma das cinco regiões do país”, disse Iriny.