O SINAIT recebeu a notícia do assassinato de Sebastião Bezerra da Silva, conhecido militante do Movimento Nacional de Direitos Humanos – Regional Centro-Oeste, no dia 27 de fevereiro. Ele foi encontrado praticamente todo enterrado e com sinais claros de tortura, ele, que denunciava e investigava casos de tortura.
É mais um caso de intolerância contra pessoas que defendem os direitos de outras pessoas e junta-se a uma extensa lista de mártires que morreram em defesa da terra, dos direitos dos mais pobres, em luta contra o trabalho escravo e outras causas que incomodam sobremaneira muita gente que se julga acima de todas as coisas.
A diretoria do SINAIT lamenta o triste episódio, lembrando que também a Fiscalização do Trabalho tem seus mártires, como Eratóstenes, João Batista e Nelson, que foram assassinados em 28 de janeiro de 2004, e cujos mandantes e executores do crime ainda estão impunes. “Esperamos que este crime seja esclarecido o mais rápido possível, e que os responsáveis sejam punidos em processo muito mais célere do que o da Chacina de Unaí”, diz a presidente Rosângela Rassy.
Veja, a seguir, mensagem do Frei Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra e nota da Comissão Dominicana de Justiça e Paz no Brasil.
Amig@s,
Recebi ontem à noite a notícia do assassinato de Sebastião Bezerra da Silva, Secretário Executivo do Movimento Nacional de Direitos Humanos – Regional Centro Oeste e do Centro de Direitos Humanos de Cristalândia, TO. Conhecemos o Sebastião há mais de 15 anos, como militante dedicado e competente, recentemente formado em direito. Ele deve ter seus 35/40 anos. Ele foi brutalmente assassinado (com sinais de requintes de crueldade) e o corpo deixado perto de uma fazenda na estrada entre Gurupi e Duerê, sul do Tocantins, sem documentos (nem dele nem do carro, que está também desaparecido). Pelo pouco que soube ele voltava de uma viagem no sul do Estado com carro próprio e resolveu pousar em um hotel em Gurupi. Saiu para jantar de pois de avisar sua esposa de que só chegaria na manhã do dia seguinte em casa (em Paraíso do Tocantins, 200 km). Nunca mais apareceu. Um corpo foi encontrado domingo cedo quase totalmente enterrado, perto de uma fazenda entre Gurupi e Duerê. Foi identificado com sendo ele.
Segundo nosso colega Silvano Rezende que foi até Araguaçu onde acontece o sepultamento essa tarde, a hipótese pode ser de vingança. Veja o que nos escreveu agora mesmo:
É com imenso pesar que estamos encaminhando em anexo a declaração de óbito do militante e defensor de direitos humanos, Sebastião Bezerra da Silva.
- Veio a óbito no dia 27.02.2011, não sabendo informar precisamente o horário do falecimento (o corpo foi localizado por volta das 6 horas e retirado do local por volta das 10 horas pelo IML e Corpo de Bombeiros de Gurupi-TO).
- Causa morte segundo a declaração:
+ ASFIXIA POR ESTRANGULAMENTO
+ AMASSAMENTO DO CRÂNIO]
- O corpo estava enterrado apenas com dedo de um dos pés de fora.
- Encontrado nas proximidades da Fazenda Caridade - 10 km de Duerê-TO.
OBS: estou aqui em Araguaçu e fiquei perplexo, pois, todos os dedos da mão foram perfu rados com agulha. - Os dois braços seguido de cortes - crânio quebrado - dedo do polegar esquerdo quebrado - uma das pernas quebradas.
A família e amigos, estão todos abatidos com a brutalidade do crime. Estão todos chocados.
No dia 19 de Fevereiro quando estávamos reunidos na Sede do Centro de Direitos Humanos de Palmas, ele desabafou comigo dizendo que estava recebendo ligações estranhas. Ele disse que achava que era em virtude de um processo contra policiais que tinha torturado uma pessoa, no qual, denunciou uns anos atrás.
Pela forma que morreu, tem todas as características de ter sido tortura seguida de morte, portanto, vingança.
Estamos nesse momento abatidos pela tamanha barbaridade. Temos que encaminhar para as autoridades competentes. Vamos fazer uma grande rede denunciando mais um crime contra aqueles que defendem um mundo de paz e justiça. Nesse momento de dor, contamos com as orações.
Bárbaro...
Abs.
Frei Xavier Plassat
A seguir nota da Comissão J&P Dominicana.
Tomamos conhecimento, ontem à noite, do assassinato de nosso irmão e companheiro de luta, Sebastião Bezerra Silva, residente na cidade de Paraíso, TO, casado com Iolanda, pai de duas filhas, promotor e defensor dos Direitos Humanos, Secretário Executivo do Movimento Nacional de Direitos Humanos – Regional Centro Oeste e do Centro de Direitos Humanos de Cristalândia. Sebastião integrou a 1ª Turma do Curso de Especializaçã o em Direitos Humanos, promovido pela Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil e estava entre os missionários inscritos ao Mutirão Dominicano junto às comunidades da Diocese de Conceição do Araguaia.
O que podemos afirmar, até o momento, é que ele foi visto pela última vez com vida na madrugada de sábado e, finalmente, seu corpo foi identificado ontem à tarde, no IML de Gurupi. De acordo com o advogado Sávio Barbalho, Sebastião estava retornando de Goiânia na madrugada do sábado. Sávio, contatado pela família, procurou a PM e foi informado que um corpo foi achado semi-enterrado, em Duerê, na Fazenda Caridade, a 40 km de Gurupi, e que estava sem identificação no IML. Ainda conforme o advogado, “Sebastião foi torturado e assassinado com requinte de crueldade. Em torno do pescoço dele foi encontrada uma corda. Ele foi asfixiado”.
Estou em viagem e, é da estrada deste imenso país cheio de contradições, que escrevo esta Nota. Algumas pessoas de nossa Comissão, que moram no Estado do Tocantins participarão, hoje no final da tarde, da celebração pascal e plantio de Sebastião no campo santo da cidade de Araguaçu, TO.
A dor é grande, a esperança é maior. Esperança de uma sociedade alicerçada na Justiça e na Paz, gerando mulheres, homens, famílias e sociedade não violentas. Pessoas e entidades que desejarem enviar mensagens à família de Sebastião podem fazer através de nosso e-mail: [email protected]
Indignados pela crescente violência e, na certeza que o grão de trigo que morre, ao ser plantado na terra, produz frutos (cf. Jo 12, 24) e solidários com a família de Sebastião e com a família nacional dos/as defensores/as dos Direitos Humanos, enviamos o nosso fraterno abraço, no silêncio da dor.
Frei José Fernandes Alves, OP - Coordenador da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil