O Dia Internacional da Mulher neste ano será em plena terça-feira de Carnaval e, em razão disso, as comemorações estão sendo antecipadas. O Congresso Nacional abriu as homenagens hoje, terça-feira, em sessão solene realizada no Senado e com exposição na Câmara.
Na sessão solene foram homenageadas cinco mulheres que receberam o Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz (veja quem foi no texto abaixo). A exposição da Câmara é referente aos cinco anos da lei Maria da Penha, que protege mulheres de agressões.
Hoje as mulheres conseguem destaque em todos os segmentos, mas ainda enfrentam preconceitos e têm que “brigar” muito para não serem discriminadas, por exemplo, nos locais de trabalho, onde a maioria dos postos de comando ainda são exercidos por homens. Na política, embora a participação tenha crescido, o número de mulheres que se elegem vereadoras, deputadas estaduais e federais e senadoras é pequeno. Com a eleição da presidente Dilma Rousseff as mulheres estão alcançando mais destaque dentro do governo. De acordo com o site da Presidência da República, cinco mulheres ocupam ministérios e quatro são titulares de secretarias com status de ministérios, que são, ao todo, 37.
O crescimento da participação feminina no mercado de trabalho nas últimas décadas mudou a realidade das famílias brasileiras, tanto no aspecto financeiro como no afetivo. Hoje muito mais mulheres chefiam famílias e cada vez menos se sujeitam a relações submissas. As mulheres também estão dando mais importância à carreira profissional, adiando a maternidade.
Ao longo desta semana o SINAIT vai repercutir matérias alusivas à data, fazendo também uma homenagem às Auditoras Fiscais do Trabalho.
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28-2-2011 – Agência Câmara
Congresso comemora o Dia Internacional da Mulher
O Congresso Nacional realiza nesta terça-feira (1º) sessão solene para comemorar o Dia Internacional da Mulher. A sessão será realizada às 10 horas no plenário do Senado e foi proposta pelas bancadas femininas da Câmara e do Senado. Na ocasião, o Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz será entregue no Senado a Maria Liége, Chloris Casagrande, Maria José Silva, Maria Ruth Barreto e Carmem Helena Foro. A homenagem é prestada a brasileiras com relevantes serviços prestados ao País.
Outro evento em comemoração a data é a exposição sobre os 5 anos da Lei Maria da Penha. A mostra acontece na Câmara e contará com fotos, textos, vídeos e documentos que vão descrever o histórico das conquistas das mulheres no Brasil e o que está sendo feito desde a promulgação da lei, além de apresentar exemplos de casos de violência doméstica.
Bertha Lutz
O Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz é uma homenagem prestada pelo Senado a brasileiras que lutam pela defesa dos direitos femininos. As cinco vencedoras do prêmio de 2011 - entre as 14 indicadas - são Maria Liége, Chloris Casagrande, Maria José Silva, Maria Ruth Barreto e Carmem Helena Foro.
Maria Liége integra a Federação Democrática Internacional de Mulheres. Chloris Casagrande atua como pedagoga, escritora e vice-presidente da Academia Paranaense de Letras. Já Maria José da Silva conquistou reconhecimento por incentivar a criação de cooperativas de catadoras de material reciclável no Piauí. A psicopedagoga Maria Ruth Barreto foi a primeira mulher a ser presa pelo regime militar, no Ceará, por sua atuação política. Carmem Helena Foro coordena movimentos sindicais.
Nascida em 2 de agosto de 1894, Bertha Maria Júlia Lutz era filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do cientista e pioneiro de Medicina Tropical Adolfo Lutz. Ela foi uma das principais responsáveis pela aprovação da legislação que deu às brasileiras o direito de votar e ser votadas.
Exposição
O Centro de Documentação e Informação e o Museu da Câmara promovem a exposição sobre os 5 anos da Lei Maria da Penha (11.340/06), que triplicou a pena para agressões domésticas, permitiu que agressores sejam presos em flagrante, acabou com as penas pecuniárias (aquelas em que o réu é condenado a pagar cestas básicas ou multas) e trouxe uma série de medidas para proteger a mulher agredida, como a determinação da saída do agressor de casa.
A exposição, que será instalada no corredor de acesso ao plenário Ulysses Guimarães, integra a programação da Câmara para as comemorações do Dia Internacional da Mulher (8 de março). A abertura está marcada para esta terça-feira, às 10 horas e ficará aberta ao público até o dia 31 de março.
O chefe do Museu da Câmara, Casimiro Neto, explica que a mostra deste ano é a 11ª realizada pelo órgão em homenagem às mulheres. “O projeto foi uma iniciativa do Museu que, em 2002, em parceria com a Bancada Feminina, realizou a primeira montagem. Desde então, faz parte da agenda anual do Museu. A cada período, discutimos e avaliamos qual tema será”.
A Lei Maria da Penha recebeu esse nome em homenagem à Maria da Penha Fernandes, mulher que sobreviveu a duas tentativas de homicídio por parte do ex-marido.
Agência Senado
Bertha Lutz
Conhecida como a maior líder na luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras, a zoóloga Bertha Maria Júlia Lutz teve papel decisivo na conquista do voto feminino no país, que passou a vigorar, a partir de 1932, por decreto do então presidente Getúlio Vargas.
Ela empenhou-se também na melhoria das condições de trabalho das mulheres. Como deputada federal, em 1936, defendeu igualdade salarial entre homens e mulheres, licença de três meses para a gestante e redução da jornada de trabalho, que era de 13 horas diárias na época.
Bertha Lutz nasceu em São Paulo, em 1894. Filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do pioneiro em medicina tropical Adolpho Lutz, formou-se em Biologia pela Sorbonne. Regressando ao Brasil, em 1918, passou em concurso público para bióloga do Museu Nacional, tornando-se a segunda mulher a ingressar no serviço público do país. Faleceu no Rio de Janeiro em 16 de setembro de 1976, aos 84 anos
Conquistas das mulheres reforça luta por direitos para todos, pede Marco Maia
A luta das mulheres por relações de poder mais justas deve ser vista como etapa indispensável para a construção de uma sociedade em que a plenitude de direitos seja uma realidade para todos os cidadãos. A afirmação foi feita pelo presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PR-RS), nesta terça-feira (1º), na sessão solene do Congresso que antecipou as comemorações do Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março.
Marco Maia destacou o sentido histórico da data, em que se rememora o incêndio de um fábrica em 1857, que resultou na morte de mais de cem mulheres grevistas que lutavam por melhores condições de trabalho nos Estados Unidos. Ele lamentou que muitas mulheres ainda enfrentem problemas semelhantes aos que motivaram aquela que foi a primeira greve de trabalhadoras.
Embora afirmando que ainda há um longo caminho a percorrer na luta feminina, Marco Maia também relatou conquistas, a começar pelo fato de o governo do país estar hoje, pela primeira vez, sob o comando uma mulher, a presidente Dilma Rousseff. Destacou ainda a até então inédita presença de uma mulher na Mesa da Câmara dos Deputados, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), eleita 1ª vice-presidente da Casa nesta legislatura.
- Sem dúvida nenhuma, isso nos orgulha e nos enche de responsabilidade - disse.
Marco Maia manifestou compromisso de trabalhar para que os temas de interesse da mulher sejam debatidos naquela Casa de forma permanente, como parte de uma "discussão cotidiana”.