Duas notícias que se referem à divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged chamaram a atenção nesta quinta-feira. A primeira, do jornal Valor Econômico, destaca a mudança da metodologia na apuração dos dados que, antes, não considerava as informações enviadas pelos empregadores fora do prazo, e a partir de janeiro de 2011 passou a considerá-los, o que altera o resultado. Para alguns analistas, a medida quebra a sequência da série histórica, uma vez que os parâmetros usados para aferir os dados não são os mesmos. Para o Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, a mudança torna os dados mais fieis à realidade.
A segunda notícia é do próprio MTE, informando que em janeiro de 2011 foram criados mais de 152 mil novos empregos com Carteira de Trabalho assinada, um resultado considerado muito bom para o mês, de acordo com a série histórica, desde 1992.
Em nenhuma das duas foi citada a atuação da Fiscalização do Trabalho. Para o SINAIT, o Caged deveria considerar o esforço dos Auditores Fiscais do Trabalho - AFTs na composição deste resultado, pois a ação direta dos AFTs junto às empresas garante a regularidade do envio dos dados de admissão e demissão de empregados ao MTE. “O esforço dos AFTs não é levado em consideração, mas contribui, e muito significativamente, para que os dados cheguem ao conhecimento do Ministério. O não envio das informações, no prazo legal, implica em autuação das empresas e na imediata regularização das informações”, diz Rosângela Rassy, presidente do SINAIT.
Confira as duas matérias citadas:
24-2-2011 – Valor Econômico
Governo muda Caged e afeta série histórica
João Villaverde | De São Paulo
O Ministério do Trabalho divulga hoje, com atraso, o saldo de geração de vagas formais registrado no país em janeiro. O resultado, que o ministro Carlos Lupi adiantou na semana passada ser superior a 150 mil vagas, virá com uma nova regra contábil que de uma vez só "aprimora" os dados, segundo o governo, e "arrasa" as séries históricas, segundo especialistas.
Divulgado mensalmente, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) tradicionalmente desconsidera as informações enviadas por empresas fora do prazo estabelecido pelo ministério. A partir de janeiro deste ano, o governo passa a divulgar os dados completos - incluindo as informações recebidas fora do prazo. O expediente foi utilizado pela primeira vez em dezembro do ano passado, quando a série de janeiro a novembro foi revisada com a incorporação dos dados "atrasados". Com a mudança, o ano encerrou com 2,5 milhões de vagas criadas - a meta estabelecida por Lupi.
"O problema é que o resultado de janeiro não poderá ser comparado com nenhum outro mês de janeiro da história, porque a regra mudou. Assim, não teremos base de comparação. O resultado de janeiro, afinal, terá sido forte ou fraco?", pergunta Fabio Romão, especialista em mercado de trabalho da LCA Consultores.
Para Romão, o resultado de janeiro vai superestimar o movimento da economia. "Os resultados tradicionalmente não contam com esses dados. Sem eles seria possível comparar com outros anos e verificar em que medida a economia está desacelerando", diz. Com um dado maior, diz outro economista, o governo poderá dar margem aos economistas que cobram mais apertos fiscais e monetários para esfriar a economia.
Em nota divulgada no site do ministério, os técnicos defendem que a medida visa "retratar com maior fidedignidade a realidade do mercado de trabalho formal celetista". Até 2010, as informações colhidas fora do prazo só eram contabilizadas na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada anualmente. Na nota, o ministério afirma que o novo cálculo "visa reduzir a distância" entre dados do Caged e da Rais.
24-2-2011 - MTE
Brasil fecha janeiro de 2011 com 152 mil empregos gerados
Números mostram continuidade do dinamismo do mercado de trabalho no país. Este foi o segundo melhor janeiro da série histórica quanto à criação de vagas formais. Em 12 meses, volume de empregos criados atinge a marca de 2.467.372
Brasília, 24/02/2011 - Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quinta-feira (24), pelo Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, revelam que foram criados 152.091 novos empregos formais no mês passado. Isso representa uma expansão de 0,42% em relação ao estoque de dezembro.
Os números indicam que janeiro de 2011 foi o segundo melhor em relação ao saldo da série histórica do Caged para o período, iniciada em 1992. Apenas janeiro de 2010, quando foram criadas mais de 184 mil vagas, superou o aumento registrado no mês passado.
Para o ministro Carlos Lupi, a redução da geração de empregos na comparação entre os meses de janeiro de 2010 e 2011 não significa desaceleração da economia. Segundo ele, o que ocorreu foi uma adequação do mercado. "Não considero uma desaceleração. Nós tivemos em janeiro de 2010 um efeito de crescimento da contratação comparado com as demissões que tivemos em 2009. Então, muitas empresas começaram a recontratar empregados que haviam demitido anteriormente. Em 2010 foram mais de 2,5 milhões de empregos criados. O que vemos agora é uma adequação do emprego ao mercado de trabalho, ao resultado da economia a cada ano", disse o ministro.
Nos últimos 12 meses, verificou-se a criação de 2.107.619 postos de trabalho, equivalente à expansão de 6,23%, o melhor resultado para o período. Em doze meses, incorporando-se as informações prestadas pelas empresas fora do prazo, o volume de emprego atingiu 2.467.372 postos de trabalho, um aumento de 7,34% sobre o período anterior.
Em relação a janeiro deste ano, os dados demonstram que a expansão do emprego no Brasil foi resultado da evolução quase generalizada dos oito setores da atividade econômica. Dois deles, Serviços e Extrativa Mineral, apresentam geração recorde. Outros dois, por motivos sazonais, revelaram queda: Comércio e Administração Pública.
Entre as unidades da federação, 21 aumentaram o nível de emprego em janeiro. Em cinco delas houve recorde, como nos estados de Goiás e Paraná.
Para ele, janeiro passado mostrou um comportamento muito bom. "Foi o segundo melhor janeiro da história e a tendência é manter esse ritmo e até crescer", prevê.