42º ENAFIT - Mesa de Diálogos sobre Autoridade Trabalhista dos Auditores Fiscais do trabalho


Por: Andrea Bochi
27/08/2026



No segundo dia de programação técnica do 42º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (ENAFIT), 15 de setembro, integrantes da carreira participarão de uma Mesa de Debates sobre o poder legal conferido aos Auditores Fiscais do Trabalho na condição de Autoridades Trabalhistas.

A atuação dos Auditores Fiscais do trabalho será abordada com base na prerrogativa do livre acesso aos locais de trabalho: sobre a competência de combater a informalidade e as fraudes trabalhistas, de um modo geral; bem como sobre a importância da fiscalização do Fundo de garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como base para o bônus de eficiência. O painel reunirá os Auditores Daniel Fragoso Galdino da Silva (AFT/PB), Leonardo José da Conceição Carvalho (AFT/DF) e João Paulo Machado (AFT/PR), que após suas exposições terão a oportunidade de dialogar com a plateia.

Autoridade trabalhista

João Paulo Machado abordará a importância do reconhecimento legal do Auditor Fiscal do Trabalho como autoridade trabalhista. Segundo ele, a Constituição Federal já estabelece que cabe à União organizar, manter e executar a Inspeção do Trabalho, o que demonstra o caráter estratégico da atividade. “A alteração da Lei nº 10.593, em 2017, reforçou esse papel ao reconhecer os Auditores Fiscais como autoridades trabalhistas no exercício de suas atribuições”, lembrou o Auditor.

Para João Paulo, esse reconhecimento tem efeitos concretos. Entre eles estão as atribuições relacionadas ao resgate de trabalhadores e ao seguro-desemprego e, mais recentemente, à possibilidade de lavrar o termo de débito salarial, previsto na Lei nº 15.179/2025, quando a empresa não paga integralmente os salários.

Inteligência contra as fraudes

Leonardo Carvalho falará sobre o uso da inteligência no combate às fraudes trabalhistas. “A partir da coleta, integração e análise de informações de diferentes fontes, a Inspeção do Trabalho pode identificar padrões e situações que merecem maior atenção, como empresas de fachada, vínculos ocultos, inconsistências documentais e outras formas de dificultar a identificação da relação real de trabalho”, explica o Auditor.

Para Leonardo, o uso de dados não substitui a fiscalização presencial, mas ajuda a torná-la mais precisa. “Com informações previamente analisadas, os Auditores Fiscais conseguem direcionar melhor as ações, identificar situações de maior risco e chegar ao local de trabalho com um diagnóstico mais completo”. A combinação entre inteligência, experiência profissional e fiscalização direta amplia a capacidade de enfrentar fraudes cada vez mais sofisticadas, segundo o Auditor.

Fraude ao vínculo trabalhista

Daniel Galdino abordará a fraude ao vínculo trabalhista, com destaque para a pejotização abusiva e o uso irregular de contratos de trabalhadores autônomos para esconder relações de emprego. “A ideia é mostrar que o que importa para a fiscalização é a realidade do trabalho, e não apenas o contrato apresentado pela empresa. Por isso, a análise de elementos como pessoalidade, habitualidade, onerosidade e subordinação é fundamental para identificar uma relação de emprego”, explica Galdino.

O Auditor Fiscal também tratará de aspectos práticos da fiscalização, como a caracterização dos fatos, a lavratura de Autos de Infração e a análise dos recursos administrativos relacionados ao reconhecimento de vínculos. “O tema ganhou ainda mais importância com a expansão de novas formas de contratação. Quando utilizadas para encobrir uma relação de emprego, essas modalidades podem retirar direitos trabalhistas e previdenciários e reduzir a proteção social dos trabalhadores”, acrescenta.

O painel deverá ampliar o debate sobre os desafios atuais da Inspeção do Trabalho e mostrar como o fortalecimento da autoridade, o acesso aos locais de trabalho e o uso adequado de informações e ferramentas de fiscalização são fundamentais para enfrentar a informalidade e as fraudes e garantir a efetiva proteção dos direitos dos trabalhadores.

Referências Curriculares

João Paulo Ferreira Machado é Auditor Fiscal do Trabalho desde 2011. Atualmente é Diretor de Gestão de Benefícios e Secretário de Proteção ao Trabalhador Substituto, na Secretaria de Proteção ao Trabalhador do MTE.

Leonardo Carvalho é Auditor Fiscal do Trabalho desde 2025, é jornalista e fotógrafo e atua no Distrito Federal.

Daniel Galdino é Auditor Fiscal do Trabalho desse 2007, atualmente é Analista de Processos da CGR/SIT e também atua como Instrutor da ENIT

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