O 42º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (ENAFIT) abordará o tema "Inteligência Artificial" em dois momentos do evento. Um desses momentos será na palestra do professor doutor Álvaro Machado Dias “O impacto da Inteligência Artificial (IA) no futuro do mundo do trabalho” e, em outro, no painel “A inteligência artificial (IA) aplicada à Auditoria Fiscal do Trabalho”, que publicaremos na próxima semana. A palestra será apresentada dentro da programação técnica, no dia 16 de setembro, das 14h30 às 15h30, no Centro de Convenções Vitória, no Espírito Santo. O Encontro Nacional ocorrerá de 13 a 18 de setembro, na cidade de Vitória.
Para o professor Álvaro Dias, o diferencial da inteligência artificial é a inauguração de uma nova fase da cultura, que ele acabou por batizar de metamodernidade em artigos científicos e em sua coluna na Folha de São Paulo. “Compreendê-la é essencial para enxergar tudo o que está em jogo nos avanços tecnológicos em curso”.
Segundo o neurocientista, o impacto da inteligência artificial no futuro do trabalho será marcado por uma disrupção profunda, mas com uma substituição de empregos mais lenta e realista do que preveem os cenários catastróficos. “Nada protege o emprego da substituição pela IA, assim como um salário ruim. Os números mostram que os modelos de ponta já programam melhor que boa parte dos desenvolvedores plenos e estão tomando essas vagas nos Estados Unidos, onde a hora de trabalho custa mais que o token. Aqui no Brasil, o mesmo profissional segue firme, não por ser melhor, mas por ser barato. Máquina não compete com talento. Compete com custo”.
Álvaro Dias pondera ainda que, essa blindagem tem validade, porque computar fica mais barato a cada ano, mesmo com a demanda por inteligência sintética atropelando a capacidade da indústria. Nas palavras do neurocientista “A pergunta que interessa não é quem será substituído, e sim o que cada trabalho entrega”.
O professor ponderou também que o destino dessas ocupações é semelhante ao da professora primária, que é amada por todos, mas, não recebe um salário justo. E concluiu dizendo que “O intrinsecamente humano não será substituído. Será reverenciado. E o mundo pagará em estima o que deixou de pagar em salário”.
Referências curriculares
Álvaro Machado Dias é um neurocientista, professor associado, livre-docente, de neurociências da Universidade Federal de São Paulo, colunista da Folha de São Paulo, da Rádio CBN e da CNN Brasil.
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