28 de janeiro – Ato “Não esqueceremos” marca resistência e espírito de luta por justiça que perpassou várias gestões do SINAIT

Avocação também foi criticada durante mobilização na Esplanada dos Ministérios


Por: Solange Nunes
Edição: Andrea Bochi
28/01/2026



Este 28 de janeiro marcou 22 anos de luta do SINAIT por justiça para os Auditores-Fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e o motorista Ailton Pereira de Oliveira mortos, todos servidores do Ministério do Trabalho e Emprego, e suas famílias no episódio conhecido mundialmente como Chacina de Unaí, em 2004. O ato para lembrar antigas e novas bandeiras de resistência do Sindicato Nacional, como a avocação, ocorreu em frente ao Ministério do Trabalho e Emprego, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O evento contou com a presença de diretores da entidade, dirigentes sindicais de entidades parceiras, entre outras autoridades. Na data são lembrados ainda o Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho instituído em homenagem às vítimas da chacina e também a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

De acordo com o presidente do SINAIT, Bob Machado, a Chacina de Unaí representa o compromisso com Justiça para a carreira, como para as famílias dos mortos. Além da resistência ao poder financeiro. “Lutamos por justiça e não nos dobramos aos maiores plantadores de feijão do país. Mostramos que é possível alcançar a justiça. Precisávamos honrar a memória dos colegas que fiscalizavam na área rural buscando uma situação melhor para os trabalhadores do setor, em Unaí”.

Lembrou do Projeto de Lei nº 1053/2023, que busca a inscrição dos nomes das quatro vítimas no Livro dos Heróis da Pátria. “A matéria foi aprovada no Senado e vamos continuar trabalhando para que a proposta seja aprovada também na Câmara dos Deputados”.

Bob Machado ainda criticou os atos de avocação do Ministério do Trabalho e Emprego. “Discordamos da avocação que representa uma intervenção política, que não cabe em situação de resgate de trabalho escravo”. Continuou “a ação dos Auditores-Fiscais do Trabalho atuam sempre de maneira técnica, não pode haver intervenção política”.

Para a diretora Rosa Jorge, o evento promovido pelo SINAIT é uma forma de lembrar um episódio sem precedentes na história da Auditora Fiscal do Trabalho. “A Chacina de Unaí pra mim é um caso inesquecível porque não consigo esquecer o ‘sofrimento que eu vi nos olhos dessas mulheres’”. Destacou ainda que colocar pessoas riquíssimas na cadeia representou muito para a luta da carreira. “Infelizmente, ninguém traz os mortos de volta, mas estamos atentos e não podemos suportar qualquer tipo de violência contra os Auditores-Fiscais do Trabalho”.

A diretora explicou que os Auditores do Trabalho continuam sofrendo ameaças nos locais de trabalho. “São ameaçados tanto em sua integridade física, quanto moral. Por isso, não podemos achar que a história acabou. Precisamos continuar alertas para que não volte a acontecer situações como a Chacina de Unaí”.

A dor não passa

Helba Soares, viúva do Auditor-Fiscal Nelson José da Silva, lembrou mais uma vez o caso e disse que a dor não passa. Além disso, agradeceu ao SINAIT pela intensa atuação para colocar os condenados na cadeia. “O Sindicato pediu justiça no Congresso Nacional e em audiências nos Tribunais. Estávamos juntos, conheço o trabalho deles e os condenados foram presos em função da luta constante do SINAIT”.

Cerimônia ecumênica

Durante o ato, a Auditora-Fiscal do Trabalho Cláudia Márcia fez orações em prol dos mortos e leu o salmo 125: 1-4 – “Os que confiam no Senhor serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre. Assim como estão os montes à roda de Jerusalém, assim o Senhor está em volta do seu povo desde agora e para sempre. Porque o centro da impiedade não permanecerá sobre a sorte dos justos, para que o justo não estenda as suas mãos para a iniquidade. Faze o bem, ó Senhor, aos bons e aos que são retos de coração.

Durante o ato, os manifestantes gritaram palavras de ordem “Nunca Esqueceremos” e “Avocação Não!”, como forma de lembrar que a luta por justiça é continua e coloca todos em alerta sempre. Para o SINAIT, o ato é uma forma de resistência e de colocar em evidência as demandas da carreira e da entidade.

Saiba mais da Chacina de Unaí na Landing Page do SINAIT.   

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.