Desemprego sobe a 8,6% no trimestre encerrado em fevereiro e número de desocupados é de 9,2 milhões de pessoas
Por Cristina Fausta
Neste 1º de Maio, o SINAIT gostaria de apresentar dados e números positivos que fossem, de fato, motivo de comemoração nesta data tão importante, que surgiu em homenagem às lutas dos trabalhadores por direitos trabalhistas e melhores condições de trabalho. Mas o cenário, infelizmente, é adverso. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada em março, revelou que a taxa de desemprego no Brasil subiu para 8,6% no trimestre móvel terminado em fevereiro.
Em relação ao trimestre anterior, entre setembro e novembro, o período traz aumento de 0,5 ponto percentual (8,1%) na taxa de desocupação. Ainda assim, esse é o menor resultado para o trimestre dezembro-janeiro-fevereiro desde 2015 (7,5%). No mesmo trimestre de 2022, a taxa era de 11,2%. Com isso, o número absoluto de desocupados teve alta de 5,5%, chegando a 9,2 milhões de pessoas. São 483 mil pessoas a mais entre o contingente de desocupados, comparado ao trimestre anterior.
Somado ao aumento do número de desempregos, temos outros números estarrecedores que demonstram que a luta iniciada pelos trabalhadores no século XIX por direitos trabalhistas e melhores condições de trabalho ainda não acabou. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho informam que a frequência de Comunicados por Acidente de Trabalho registrados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), só em 2022, somou 612,9 ocorrências, das quais 2,5 mil resultaram em óbito.
Ainda temos informações alarmantes acerca do trabalho escravo e infantil, cujo Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e o Observatório e o Observatório Prevenção e da Erradicação do Trabalho Infantil revelam que a prática dos dois crimes no país ainda é muito comum. De 1995 a 2022, foram resgatados 60.251 trabalhadores em condições análogas a de escravo. Neste intervalo, a média de resgatados por ano foi de 2.063 pessoas. No que se refere aos dados de resgates de crianças e adolescentes, de 2012 a 22022 foram registrados 21 mil acidentes de trabalho.
Ainda temos os casos dos profissionais que, mesmo com carteira assinada têm seus direitos lesados, os de assédio moral, que causa um grande percentual de adoecimento e afastamento dos postos de trabalho; e a terceirização que, tanto no ambiente público quanto no privado, precariza as relações trabalhistas e afetam os salários.
O que o SINAIT tem a dizer neste 1º de maio é que a luta iniciada no século XIX está sendo continuada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho que, mesmo com déficit de pessoal na ordem de 40% da lotação legal e, muitas vezes, sem condições adequadas de trabalho, continua na sua missão de resguardar os direitos trabalhistas e vem envidando esforços junto ao Executivo e Legislativo por realização de concurso público, pois, é de conhecimento geral que o mundo trabalhista só terá mudanças significativas com atuação de mais Auditores-Fiscais de Trabalho. Estamos em campanha – Concurso Já!!!
Mesmo diante dessa conjuntura ainda tão adversa em um país com potencial econômico como o do Brasil, o SINAIT vem parabenizar a todos os trabalhadores e trabalhadoras. O sindicato está do lado de cada pai, mãe, filhos e filhas que saem de suas casas em busca de dignidade para o bem viver. Nesta data tão importante, o sindicato reafirma que essa valorização não beneficia apenas o trabalhador, mas toda a sociedade. E sobre o que comemorar neste dia, vamos nos alegrar com a força do povo brasileiro.
Sigamos na luta e Feliz Dia do Trabalhador!