A diretora do SINAIT, Vera Jatobá, foi ouvida pela reportagem
Especialistas ouvidos pelo site Brasil de Fato alertam que a falta de fiscalização e o acirramento das desigualdades durante a pandemia vêm tornando as pessoas mais suscetíveis ao aliciamento por parte de empregadores.
A matéria conta o caso dos 46 trabalhadores do Maranhão que decidiram cruzar o país em plena pandemia para trabalhar por três meses no plantio da cebola, em Ituporanga (SC), a mais de 3 mil quilômetros de distância. Um total de 14 maranhenses do grupo foram resgatados de situação análoga à escravidão, pelos Auditores-Fiscais do Trabalho, após denúncia da Comissão Pastoral da Terra.
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O déficit de 1,5 mil Auditores-Fiscais e o sucateamento de estruturas responsáveis pelas ações, como a Divisão para Erradicação do Trabalho Escravo - Detrae, onde atuam os Auditores-Fiscais do Trabalho, contribuem para a redução das fiscalizações, e consequentemente para o aumento do aliciamento por parte de empregadores.
Um balanço enviado à reportagem pela Inspeção Regional do Trabalho em Santa Catarina mostra uma redução de quase 90% das operações do órgão em relação a 2018. Até o momento, apenas uma operação no estado contou com a participação de Auditores-Fiscais do Trabalho. Em 2018, foram oito.
Para a diretora do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho – SINAIT, Vera Jatobá, ouvida pela reportagem, o fim do Ministério do Trabalho é outro fator que deixou a situação ainda mais sensível.
"Para quem tinha um ministro próximo e uma Secretaria que dialogava diretamente com a cabeça do poder, passou a ter várias capas de interlocução que eu não posso nem dizer que é diálogo, é uma tentativa. Tudo isso reflete em orçamento, estrutura, e em concursos. Não existe vento soprando favorável para que se faça concursos", considera a Auditora-Fiscal.
Desde 1995, os Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram mais de 55 mil trabalhadores.
Confira a íntegra da reportagem
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