Por Solange Nunes
Edição: Nilza Murari
Em mobilizações por todo o país, os Auditores-Fiscais do Trabalho pedem justiça durante atos que marcam 14 anos da Chacina de Unaí e a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. As manifestações promovidas pelas Delegacias Sindicais do Sinait nesta quarta-feira, 31 de janeiro, relembraram a morte dos três Auditores-Fiscais – Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva – e do motorista do Ministério do Trabalho, Ailton Pereira de Oliveira, no dia 28 de janeiro de 2004, numa estrada vicinal, no município de Unaí (MG).
As atividades reivindicaram justiça e que os recursos dos mandantes que estão tramitando no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, sejam julgados, e os mandantes e intermediários, já condenados pelos crimes, sejam presos.
Na capital paulista, as Delegacias Sindicais do Sinait em São Paulo (DS/SP) e Santos (DS/Santos) se uniram para promover palestra, debate e ato público alusivos à data. Fortaleceram as atividades, além de Auditores-Fiscais da capital, colegas de Santos e Presidente Prudente, juízes, procuradores, representantes da Organização Internacional do Trabalho – OIT, entre outras entidades, como o Sindifisco.
Rodrigo Iquegami, Delegado Sindical de São Paulo, ressaltou que o ato dos Auditores-Fiscais do Trabalho marca a indignação com dois crimes. "Primeiro o assassinato dos colegas. Segundo, a incapacidade do Estado e do Judiciário de promoverem Justiça. A impunidade é uma afronta à Auditoria-Fiscal do Trabalho, ao serviço público e a toda a sociedade, que desejam o cumprimento das leis e um país onde haja trabalho digno". Durante o debate, Iquegami destacou o protagonismo dos Auditores-Fiscais no combate ao trabalho escravo e a história de comprometimento do Sinait com o enfrentamento ao crime.
O diretor do Sinait, Sebastião Estevam dos Santos, participou da manifestação em frente à Superintendência Regional do Trabalho – SRT/SP e também no auditório da sede. Ao final do ato público foram soltos balões pretos, um símbolo do luto e da luta dos Auditores-Fiscais do Trabalho por justiça e pelo fim da impunidade.