Trabalho escravo – Deputado manifesta repúdio a texto aprovado na Comissão Mista


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
25/10/2013



O deputado Cláudio Puty (PT/PA), que foi presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou denúncias de trabalho escravo, manifestou em discurso no dia 23 de outubro, seu repúdio à aprovação de um relatório parcial na Comissão Mista de Consolidação de Leis e Regulamentação de Dispositivos Constitucionais, relativo à Proposta de Emenda à Constituição – PEC 57-A, a PEC do Trabalho Escravo.


Segundo o parlamentar, o texto aprovado pode ser a Lei Áurea às avessas, ou seja, para beneficiar os escravagistas, pois altera o conceito de trabalho escravo inscrito no artigo 149 do Código Penal. Para Puty, o senador Romero Jucá (PMDB/RR) cedeu à pressão da bancada ruralista que condicionou a mudança à aprovação da PEC no Senado. Segundo ele, é preciso mobilização para impedir a aprovação do texto na Comissão e no Senado.


Leia a íntegra do discurso do deputado Cláudio Puty:


“O SR. CLÁUDIO PUTY (PT-PA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, como esta Casa sabe, eu fui o Presidente da CPI do Trabalho Escravo, da qual o senhor, Deputado Amauri Teixeira, foi um membro ativo, Deputado Miriquinho Batista, dentre outros aqui.


Foi aprovado, na Comissão Mista de Consolidação de Leis, que regulamenta dispositivos constitucionais, um relatório parcial que, a meu ver, pode se constituir em uma Lei Áurea não para os escravos, mas para os escravagistas, à medida que esta proposta altera o conceito de trabalho escravo presente no nosso Código Penal.


Ela retira um item muito importante, a meu ver, para a continuidade dos processos judiciais, centenas de processos judiciais, sobre o trabalho escravo, que hoje tramitam nas diversas instâncias federais do país, basicamente aqueles que tratam da jornada exaustiva.


Eu venho a esta tribuna me manifestar contra a proposição de autoria do Senador Romero Jucá, aprovada na Comissão presidida pelo Deputado Cândido Vaccarezza, e chamar atenção para que, se esta proposição vier a ser aprovada no Senado e nesta Comissão Mista, nós possamos ter um retrocesso importante.


O que nós descobrimos na CPI do Trabalho Escravo? Que o Brasil é um modelo de combate ao trabalho escravo tendo sido inclusive, na semana passada, elogiado por um índice chamado Global Slavery Index, de uma organização inglesa, e citado como exemplo de combate ao trabalho escravo.


Nós tivemos uma vitória importante no ano de 2012 com a aprovação da PEC aqui. Parece-me muito estranho nós condicionarmos a aprovação da PEC, que é uma proposição constitucional, a uma alteração na legislação.


Eu sei que a Secretaria de Direitos Humanos e a Casa Civil estão trabalhando com o Senador Romero Jucá para apresentar uma contraproposta que não envolva o desmonte daquilo que nós avançamos. Mudar o conceito de trabalho escravo não ajuda em nada o combate do trabalho escravo no País. Nós temos somente cerca de 430 empregadores rurais e urbanos na lista suja do trabalho escravo, uma minoria em meio a milhões de empregadores. Portanto, não faz sentido alterarmos o conceito porque isso significa retroceder a zero nos diversos processos hoje, alguns com trânsito em julgado na Justiça Federal.


Chamo a atenção desta Casa e de todos os militantes da Frente Parlamentar de Combate ao Trabalho Escravo para nós impedirmos que esta Lei Áurea dos Escravagistas seja aprovada na Comissão Mista e no Senado Federal. Em defesa da PEC do Trabalho Escravo. Em defesa das conquistas que tivemos no Congresso Nacional.”

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.