31º Enafit - Trabalho e Qualidade de Vida – O mundo precisa de pessoas que pensam


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
30/09/2013



O respeito mútuo também é essencial para transformar a sociedade em um mundo melhor


A fragilidade nas relações pessoais e profissionais provocadas pelos avanços econômicos e tecnológicos foi abordada pela psicóloga e filósofa Viviane Mosé, durante a palestra “Trabalho e Qualidade de Vida”, proferida para os enafitianos no dia 26 de setembro, em Vitória (ES).


A filósofa fez uma análise da educação no mundo corporativo, tendo como foco a violência provocada pelas diferenças sociais, que por sua vez são decorrentes do desenvolvimento econômico.


De acordo com a filósofa, os avanços tecnológicos trazem fortuna e fracasso. As constantes mudanças na tecnologia fazem ricos ficarem pobres e pobres ficarem ricos, devido à rapidez com que os inventos são ultrapassados. Isso exige profissionais com perfis mais criativos. Por isso, hoje, quem é mais criativo é mais bem sucedido profissionalmente, ou seja, “se dá melhor quem é mais rápido e ágil”, explicou.


Segundo ela, o mundo dos negócios quer uma população que pensa, para os negócios não irem para o buraco. Isso porque o mundo vive num abismo sem fim, e é preciso construir o chão para pisar.


Ela disse que o “desafio de hoje é pensar o presente para construir o futuro”.


A sociedade vive quatro crises, analisou Viviane: ambiental, social, tecnológica e de valores.  Mas a esperança é que a crise de valores possa promover mudanças na sociedade. “A crise de valores pode nos levar para uma sociedade mais justa. Ou a gente aprende a respeitar as diferenças ou não poderemos mais viver em sociedade. E dessa forma, temos a possibilidade de transformar o mundo”, afirmou.


A filósofa destacou uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea, que revela o fenômeno  de desrespeito de estruturas de valores no Brasil, onde a cada uma hora e trinta minutos morre uma mulher, vítima de violência doméstica. Ele também questionou o que leva um jovem a matar colegas de escola ou seus pais, e citou como exemplo o caso do menor de 11 anos, que matou toda sua família em São Paulo, recentemente. E a resposta é simples: “O desenvolvimento econômico, resultante da força do trabalho, é que provoca a instabilidade das relações sociais, que por sua vez gera a violência”, ou seja, as relações de trabalho fundamentam qualquer sociedade. Para a filósofa, diante de uma crise, todos têm que dar as mãos.


Ela disse que acabou o tempo em que o doutor pode ser mais privilegiado que o faxineiro do prédio, só porque tem o título de doutor. Hoje, o que importa é como as pessoas usam o seu saber para promover mudanças na sociedade. Que o doutor precisa conversar com a faxineira do seu trabalho e do seu prédio, pois são esses empregados/trabalhadores que sabem o que realmente se passa no prédio, e a informação é o poder transformador. “Ou nós nos tornamos pessoas autônomas e guiamos a nós mesmos para termos uma sociedade mais justa, ou não haverá sociedade. O trabalho é para deixar o mundo mais justo”.


Ela ressaltou, ainda, que apesar de a tecnologia fazer perder o valor da vida, ela também pode ser um instrumento de mudança do mundo. “Não importa mais o que você sabe, importa o que você tem que fazer para mudar o mundo. O comportamento de cada um é que pode mudar a sociedade”, finalizou.

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.