Esta é mais uma manobra política para obter foro privilegiado e retardar seu julgamento
O ex-prefeito de Unaí Antério Mânica, acusado de ser um dos mandantes da Chacina de Unaí se filiará ao PMDB. A filiação está prevista para ocorrer esta semana e Antero vai disputar uma vaga para deputado Estadual por Minas Gerais. Apesar de notícias anteriores darem conta de que ele se filiaria ao PR, a mais recente é de que sua filiação se dará pelo PMDB.
Faltando apenas cinco meses para completar uma década da Chacina, os irmãos Antéroo Mânica – que administrou Unaí por oito anos (2005-2012) – e Norberto Mânica, fazendeiro conhecido como rei do feijão, continuam em liberdade.
A investigação e a instrução do processo que apurou a Chacina de Unaí consumiram apenas nove meses. No entanto, os inúmeros recursos apresentados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), pelos advogados dos réus, a exemplo dos irmãos Mânica, fizeram com que os culpados permaneçam impunes até hoje.
Em julho passado, a juíza da 9ª Vara Criminal da Justiça Federal de Belo Horizonte, Raquel Vasconcelos Alves de Lima, decretou a prescrição de dois crimes imputados a eles. Antéroo e Norberto se livraram da acusação de frustar, mediante violência, direito assegurado pela legislação trabalhista. Noberto ainda se beneficiou com a prescrição de outro artigo: opor-se à execução de ato legal, uma vez que sua fazenda era alvo de fiscalização dos três Auditores-Fiscais do Trabalho executados junto com o motorista do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. Os dois irmãos, ainda respondem por homicídio triplamente qualificado.
O Sinait alerta seus filiados e os eleitores de Minas Gerais para esse fato, que pode ser considerado mais uma manobra do acusado para obter foro privilegiado diante da justiça. Ao longo desses quase 10 anos, Antero se beneficiou da imunidade política para não ser julgado. No período em que esteve à frente da Prefeitura de Unaí, com a interferência dos poderes político e econômico, interveio para criar a Vara Federal de Unaí, na tentativa de levar o julgamento para lá. Mas a luta do Sinait e demais entidades parceiras, como a Conatrae, entre outras, surtiu efeito e culminou com a proibição, pela Justiça, da transferência do julgamento para Unaí e a determinação de seu retorno à Justiça Federal de Belo Horizonte.
Julgamento - No dia 27 de agosto começa o julgamento de três dos oito acusados pela Chacina de Unaí, no Tribunal do Júri Federal, em Belo Horizonte. Serão julgados os executores Erinaldo de Vasconcelos Silva e Rogério Alan Rocha Rios, além de William Gomes de Miranda. Todos se encontram presos na Penitenciária em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Atualmente, todos os réus já podem ser julgados, incluindo Antero Mânica, que não detém mais mandato eletivo.
Em razão da grande repercussão do crime e do limitado espaço físico disponível na sede da Justiça Federal, a sessão de julgamento terá a segurança reforçada, conforme determinação judicial. A entrada de pessoas será limitada, assim como o número de jornalistas, limitado a 10. Além disso, estão proibidas as fotografias, filmagens e gravações de áudio, por qualquer tipo de equipamento, no plenário do Tribunal do Júri.
Com informações do em.com.br