“A história da Auditoria-Fiscal do Trabalho no Brasil está marcada por essa chacina em Unaí. Ao longo desses nove anos nós temos sido incansáveis, acompanhando esse processo, levando informações às autoridades competentes a cada novo passo do processo e foi o que fizemos em dezembro último, quando estivemos mais uma vez no Conselho Nacional de Justiça – CNJ, porque temíamos que ocorresse exatamente o que fez a juíza Raquel Lima”, disse Rosângela Rassy, presidente do Sinait, em sua fala no Ato Público realizado em Belo Horizonte no dia 28 de janeiro. O Ato, na porta da Justiça Federal em Belo Horizonte, onde está o processo dos réus da Chacina de Unaí, teve os objetivos de lembrar os nove anos do assassinato e de protestar contra a decisão da juíza da 9ª Vara de transferir o julgamento para Unaí.
Rosângela lembrou que, em audiência com a juíza em janeiro de 2012, ela fez os cálculos e disse que em agosto do ano passado deveria ocorrer o julgamento. “E nos disse que estava trabalhando nas cópias para que, assim que o processo chegasse à 9ª Vara, pudesse marcar o julgamento”.
A presidente disse que todos estão “estarrecidos com a decisão, de última hora e sem explicação. Estávamos com a grande expectativa de estarmos aqui anunciando a data do julgamento dos acusados da chacina. Nós acreditamos na Justiça, nós somos servidores públicos, nós acreditamos na Justiça, nós somos cidadãos! Mas, a partir de agora estamos temerosos”, ponderou Rosângela.
A presidente que a decisão pode significar um atraso de mais dois anos, conforme avaliação de membros da própria Justiça. “Preocupa-nos muito. Esses crimes correm o risco de prescreverem. Não vamos desacreditar da Justiça do nosso país. Não podemos esperar pela justiça Divina. Ela deve ser feita pelos homens e é isso que cobramos aqui! É uma inconstitucionalidade, porque toda a jurisprudência é de que prevalece a Vara natural, que é a 9ª Vara em Belo Horizonte. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça se manifestaram dizendo que a 9ª Vara é a competente”.
Unaí é dominada pelo poder econômico e político dos irmãos “Mânica”, disse Rosângela Rassy, se referindo a Antério e seu irmão Norberto, também fazendeiro. “Como poderá se formar um júri popular com pessoas subjugadas a eles?”, questionou a presidente. Segundo ela, em entrevista recente, o principal acusado disse que o processo tinha que ser julgado em Unaí porque lá todos o conhecem.
Rosângela recordou aos presentes ao Ato Público a negociação dos valores das vidas dos Auditores-Fiscais do Trabalho, relato que consta nos autos do processo, em que um dos executores negocia o reajuste da proposta ao verificar que em vez de um havia três Auditores-Fiscais na caminhonete do Ministério do Trabalho. “O valor final ficou em R$ 17 mil. Damos a nossa vida, o nosso suor em nome do Estado para recebermos isso. Cobramos do Legislativo e do Executivo, por que iríamos nos omitir e não cobrar do Judiciário na hora certa?”, indagou.
A presidente do Sindicato disse que frequentemente chegam à entidade informações de ameaças a colegas. “Portanto, continuamos a receber ameaças de pessoas que se baseiam nessa impunidade. A Auditoria-Fiscal do Trabalho tem apenas 2.900 servidores que fiscalizam todo o país”.
Finalizou com a mensagem: “Justiça mesmo que tardia. Julgamento em BH! Vamos continuar lutando pela condenação daqueles que sacrificaram a vida de nossos colegas. Esperamos que não precisemos voltar aqui em 28 de janeiro de 2014”.