Acidentes de trabalho matam menor em SC e cinco trabalhadores no Paraná


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
31/01/2013



Um adolescente de 17 anos morreu, nesta segunda-feira, 28 de janeiro, depois de cair do caminhão de coleta de lixo em que trabalhava, no Balneário Gaivota, sul de Santa Catarina. O jovem estava sentado em uma plataforma na parte traseira do caminhão caçamba, acabou se desequilibrando, caiu no chão e foi atropelado pelo próprio caminhão, que estava de marcha à ré, morrendo na hora. 


Apesar de o trabalho para menores de dezoito anos ser proibido pela Constituição em atividades noturnas, perigosas e insalubres, assim como qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a lei é ignorada. É comum a fiscalização trabalhista encontrar menores, como este rapaz que morreu em Santa Catarina, trabalhando clandestinamente em diversas atividades por todo o Brasil, em borracharias, feiras livres, lava-jatos - onde lidam com produtos químicos pesados -, matadouros. Nessas atividades são frequentes os acidentes, como intoxicação causada pelos produtos químicos ou ainda o corte de dedos e mãos nos matadouros.

 

Mesmo autuando os empregadores e encaminhando os menores para as autoridades responsáveis, o número de menores que tem sua mão de obra explorada é grande.

 

Ainda nesta segunda-feira dois trabalhadores morreram soterrados em Campina da Lagoa, no Oeste do Paraná. Outro trabalhador, que estava no local, foi socorrido e internado em um hospital da cidade. Os trabalhadores estavam fazendo uma tubulação dentro de um loteamento privado, quando a terra desmoronou sobre eles. Uma pá escavadeira foi utilizada para ajudar a retirar os corpos e o ferido.

 

Outros casos

Este é o terceiro caso de morte de trabalhadores por soterramento no Paraná este ano. No dia 22 de janeiro outros dois homens morreram em Iguaraçu, no Norte do Estado. Eles trabalhavam em uma obra de galeria pluvial às margens da Estrada da Mina, quando a terra caiu sobre os dois. Segundo o Corpo de Bombeiros, os operários instalavam a tubulação quando houve o desabamento. O buraco onde eles estavam tinha aproximadamente seis metros de profundidade.

 

E ainda, no dia 18, um homem de 34 anos também morreu soterrado em Paranavaí, no Noroeste do Paraná. Ele trabalhava na abertura de uma galeria para a água da chuva. A vítima estava dentro de um buraco feito para que ele conseguisse respirar debaixo da terra, mas o cano de água se rompeu e a terra caiu sobre ele.

 

A fiscalização trabalhista avalia que a falta de mão obra especializada e de conscientização dos trabalhadores, pelos empregadores, da necessidade de utilizar Equipamentos de Proteção Individual e coletiva tem contribuído para o aumento do número de acidentes na construção civil. Assim como a expansão do mercado imobiliário brasileiro, que faz da construção civil o segmento da indústria com maior número absoluto de acidentes de trabalho.

 

Neste cenário, a indústria da construção passou a demandar um maior número de trabalhadores que, atraídos pela oferta de emprego e salários melhores, passam a trabalhar nesse setor, a maioria das vezes sem o devido conhecimento técnico e sem noções básicas de segurança e saúde.

 

De acordo com a fiscalização trabalhista a tendência é piorar, principalmente por causa dos eventos mundiais que ocorrerão no país ao longo desta década, em especial a Copa do Mundo FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Somados a esses eventos, estão os programas do governo federal destinados à construção de grandes obras de infraestrutura nacional e programas habitacionais.

 

Conforme o Anuário Estatístico da Previdência Social, entre 2010 e 2011 a construção civil teve 42.978 acidentes de trabalho com registro de Comunicação de Acidente de Trabalho - CAT. Mas, segundo a fiscalização trabalhista esses números podem ser bem maiores, uma vez que há uma subnotificação, agravada pela falta de Auditores-Fiscais do Trabalho para fazer a fiscalização.

 

O Sinait tem reivindicado a abertura de concurso para o cargo de Auditor-Fiscal  e aguarda a autorização do certame para repor o quadro que atualmente  não chega aos três mil  Auditores-Fiscais, quando o recomendado para o Brasil, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, são aproximadamente oito mil.

 

 

29-1-2013 – Correio do Sul

Acidente de trabalho vitima jovem

 

Maikel Douglas Lisboa da Rosa, de 17 anos, faleceu na tarde de ontem após ser atropelado pelo caminhão do lixo, no qual trabalhava. O acidente de trabalho ocorreu por volta das 17 horas, na rua 9, em Balneário Gaivota, quando o veículo seria estacionado para ser coberto e findar as atividades do dia.



O jovem era conhecido como MC Cebola, e ainda no sábado, se apresentou no palco de atividades da programação de verão, no show de talentos da terra, onde mostrou sua habilidade em fazer rimas. O colega de trabalho, Paulo Ricardo, descreve que estava na atividade há cerca de uma semana e Douglas já trabalhava  na coleta de lixo. Lembra que em meio a rotina de trabalho era possível manter uma rotina sadia de brincadeiras que os descontraía, mas não sabia detalhes da vida do companheiro de ofício. “Não tem como explicar o que aconteceu. Era um colega, um amigo, e podia ter acontecido com qualquer um”, descreveu desolado.



Paulo Ricardo conta que a equipe composta pelo motorista, e três coletadores, iniciou por volta das 7h30. Quinze minutos antes do meio-dia pararam para o almoço e retomaram o trabalho 13h15. Eles iriam estacionar e cobrir o veículo com lona para ser descarregado. A finalização foi interrompida pelo acidente onde o caminhão de cerca de dez mil quilos passou sobre Maikel Douglas. A sogra de Adão Ramos estava em estado de choque. Em frente a casa, ela viu quando o jovem caiu da traseira do caminhão. “Ela tentou berrar e chamar atenção do motorista, mas não deu tempo. Enquanto ele dava a ré acabou passando pelo rapaz”, descreve Adão.



Conforme as testemunhas, durante a ré, o jovem se desequilibrou da plataforma atrás do caminhão aonde estavam os profissionais que faziam a coleta. Ele ainda teria tentado sair debaixo do caminhão, mas acabou sendo atingido por uma das rodas. O Instituto Médico Legal chegou pouco depois da chegada da mãe, do pai e outros familiares. Sua mãe já chorava copiosamente e após ver o filho embaixo da roda do caminhão se revoltou. “Por que ele? É o meu bebê. Tinha apenas 17 anos. Era uma criança. Tinha muitos planos. Ia para o quartel”, falava enquanto era amparada pela família. Maikel faria 18 anos no próximo dia 17 de março e era moradora da Área Verde do município.  A empresa que faz a coleta de lixo é uma empresa terceirizada que está em contrato de experiência por 90 dias. A administração municipal havia notificado verbalmente a empresa por ter verificado a falta de uso de equipamento de segurança e com mais este fato vai analisar a situação  do contrato. A Polícia Civil esteve no local e deve investigar a situação como homicídio culposo.



No final de semana um caso semelhante ocorreu em Araranguá. Um acidente de trabalho registrado por volta das 10 horas da manhã da sexta-feira, e resultou na morte de Adão José de Freitas, de 54 anos, mais conhecido como Adão do Gás. Adão estava sendo carregado na carretilha de um trator, quando caiu do veículo. O condutor do trator que era amigo e vizinho da vítima, não percebeu quando Adão caiu e acabou passando por cima dele, que teve traumatismo torácico grave e não resistiu, falecendo no local do acidente, no Bairro Jardim Cibeli.

 

 

29-1-2013 – Banda B (PR)

Agricultor morre soterrado em poço artesiano na RMC; é a 5ª morte em janeiro

 

Luiz Henrique de Oliveira e Antônio Nascimento

 

O agricultor Hipolito Setinreski, de 53 anos, morreu soterrado durante a construção de um poço artesiano no final da tarde desta segunda-feira (29), em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima construía o poço na Estrada da Cruz do Galo, na zona rural de São José. Embora o fato tenha acontecido de tarde, a família dele percebeu apenas no final da noite, já que Setinreski demorava a chegar em casa.

 

De acordo com o tenente Rocha, do Corpo de Bombeiros, inúmeros fatores cooperaram para o acidente. “Ele não usava qualquer equipamento de segurança e realizava a obra sozinho, sem ninguém para ajudá-lo. Ficou soterrado por mais de 1,50m e para retirar o corpo levamos mais de duas horas”, descreveu.

 

Outro caso

Na manhã desta segunda-feira (28), em Campina da Lagoa, no oeste do Paraná, dois homens morreram soterrados. De acordo com a Polícia Civil, os trabalhadores estavam fazendo uma tubulação dentro de um loteamento privado.

 

Com as mortes desta segunda-feira, cinco trabalhadores morreram soterrados no Paraná só em janeiro. Na terça-feira (22) outros dois homens morreram em Iguaraçu, no norte do estado. Eles trabalhavam em uma obra de galeria pluvial às margens da Estrada da Mina, quando a terra caiu sobre os dois. 

 

E na sexta-feira (25) um homem de 34 anos também morreu soterrado em Paranavaí, no noroeste do Paraná. Ele trabalhava na abertura de uma galeria para a água da chuva.

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