Chacina de Unaí – Na Conatrae, presidente do Sinait clama por Justiça e indigna-se com decisão de transferência do júri

Em reunião itinerante da Conatrae que tratou da Chacina de Unaí, Rosângela disse que a impunidade encoraja empregadores a fazerem ameaças aos Auditores-Fiscais do Trabalho


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
29/01/2013



Em reunião itinerante da Conatrae que tratou da Chacina de Unaí, Rosângela disse que a impunidade encoraja empregadores a fazerem ameaças aos Auditores-Fiscais do Trabalho 


A presidente do Sinait, Rosângela Rassy, disse nesta segunda-feira, 28 de janeiro, na reunião da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo – Conatrae, em Belo Horizonte (MG), que a vida dos Auditores-Fiscais do Trabalho e o modo de trabalhar da categoria mudaram a partir da data do crime que ficou conhecido como Chacina de Unaí e os nomes dos colegas mortos permanecem vivos na memória de todos. Ela destacou a celeridade e a seriedade que o Ministério Público Federal conduziu o caso até hoje, e  afirmou que a categoria sempre acreditou que a Justiça será feita.

 

A reunião foi marcada para acontecer em Belo Horizonte, nesta data, para homenagear os Auditores-Fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira, que foram assassinados em Unaí no dia 28 de janeiro de 2004. Por causa deste episódio a data foi escolhida para ser o Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho e o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

 

Na presença de vários Auditores-Fiscais que acompanharam a reunião, alguns integrantes de equipes do Grupo Especial de Fiscalização Móvel que fazem o combate direto ao trabalho escravo, Rosângela disse que em todo o Brasil, quando os Auditores-Fiscais do Trabalho entram nas caminhonetes brancas do Ministério do Trabalho e Emprego para mais uma ação de fiscalização, a imagem dos colegas mortos é imediatamente rememorada.

 

Segundo Rosângela, após a chacina, muitos Auditores têm sido alvos de ameaças declaradas. “Nas fiscalizações, temos ouvido coisas do tipo: ‘é por isso que acontece casos como o de Unaí’ ou ‘é por isso que fiscais amanhecem com a boca cheia de formiga’. Isso não pode ocorrer com agentes que estão cumprindo seu dever e trabalhando em nome do Estado”. Para ela, isso é consequência da impunidade dos réus da Chacina de Unaí. 

Rosângela indignou-se ao lembrar que há oito meses com o processo, a juíza Raquel Vasconcelos só agora tenha declinado de sua competência. “É preciso que se verifique o que há por trás disso. Em oito meses e só agora ela toma uma posição. Além disso, destacamos aqui que o fato ocorreu logo após um dos acusados, o ex-prefeito Antério Mânica, ter perdido o foro privilegiado.” A presidente afirmou que é urgente uma explicação para a decisão da juíza e acrescentou que continua acreditando que a justiça será feita, mesmo que tardia e que não é possível esperar pela Justiça Divina.

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