As manifestações realizadas em Belo Horizonte (MG) nesta segunda-feira, 28 de janeiro, tiveram o tom da indignação com a decisão da juíza substituta da 9ª Vara da Justiça Federal, Raquel Vasconcelos, de transferir a competência do julgamento dos réus da Chacina de Unaí para a Vara federal criada em 2012 naquele município. O crime completou nove anos hoje, sem que nenhum dos nove réus indiciados tenha sido julgado.
Pela manhã houve reunião da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo – Conatrae, com a presença do ministro do Trabalho e Emprego Carlos Daudt Brizola. Do Procurador-Geral do Trabalho Luiz Camargo e da Subprocuradora da República Raquel Dodge. Também compareceram os deputados federais Domingos Dutra (PT/MA) que é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, e Nilmário Miranda, que era ministro da Secretaria de Direitos Humanos à época do crime, além de representantes da Secretaria de Direitos Humanos, procuradores federais e sindicalistas.
Assim como à tarde, no Ato Público organizado pelo Sinait e pela AAFIT/MG, em frente ao prédio da Justiça Federal, a transferência do julgamento para Unaí foi duramente criticada, pois a isenção do júri ficará seriamente comprometida. O Ministério Público Federal afirmou que vai recorrer da decisão, pois entende que o julgamento em Belo Horizonte já está determinado por tribunais superiores. Segundo o deputado Domingos Dutra, realizar o julgamento em Unaí é “colocar a raposa dentro do galinheiro”.
Rosângela Rassy, presidente do Sinait, e José Augusto, presidente da AAFIT/MG, disseram que confiam na Justiça como instituição, mas não podem se conformar com a decisão da juíza Raquel Vasconcelos e farão tudo para que a decisão seja revertida. Também disseram que, ainda que tardia – uma alusão ao lema da bandeira de Minas Gerais – a Justiça deverá ser feita, e que é preciso que a Justiça dos Homens seja feita, não somente a Justiça Divina, referindo-se ao réu Francisco Elder Pinheiro que morreu no início de janeiro.
As viúvas dos Auditores-Fiscais do Trabalho assassinados participaram do Ato Público. Helba Soares, viúva de Nelson, que ainda mora em Unaí, participou também da reunião da Conatrae e deu um depoimento sofrido aos jornalistas que cobriram o evento. Marinês Lina, viúva de Eratóstenes, e Genir Lage, viúva de João Batista, se juntaram a Helba no Ato Público, manifestando o sofrimento com a demora do julgamento e indignação com a decisão da juíza da 9ª Vara. Elas pedem, em nomes dos familiares, um ponto final para a impunidade que marca este crime.