Pesquisa do Ipea revela que o trabalho invade o tempo de descanso dos cidadãos


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
26/03/2012



26-3-2012 – Sinait


 

 

O Instituto de Pesquisa Aplicada – Ipea divulgou no dia 21 de março pesquisa do Sistema de Indicadores de Percepção Social – SIPS sobre “Trabalho e Tempo Livre”, uma análise realizada com 3.796 trabalhadores residentes em áreas urbanas, todos com pelo menos 18 anos de idade e com ao menos um trabalho remunerado na semana.

 

Os dados foram colhidos em âmbito domiciliar, por meio de questionário com 64 questões, que tratavam sobre o tempo gasto diariamente pelo trabalhador, como, por exemplo, duração da jornada, existência de intervalos, cobranças no ambiente de trabalho, entre outras coisas.

 

A constatação é de que as pessoas estão trabalhando mais e há mais pessoas trabalhando com Carteira de Trabalho assinada. Por causa das novas tecnologias, o trabalho invadiu o espaço privado e as fronteiras entre o trabalho e o tempo livre estão cada vez mais difíceis de ser estabelecidas: mais gente trabalha pelo regime do teletrabalho, em escritórios montados em casa, têm telefones e computadores móveis ligados o tempo todo, inclusive nos fins de semana. A sensação de “estar sempre de plantão” pode ter consequências indesejáveis como o adoecimento e o estresse, além de problemas nas relações familiares. Mesmo assim, pouca gente pensa em mudar de trabalho ou atividade, principalmente, em razão dos salários compensadores.

 


 

Mais detalhes nas matérias abaixo.

 

21-3-2012 – Ipea

Tempo de trabalho invade tempo livre das pessoas

 

Estudo do Ipea mostra que as pessoas estão trabalhando mais, de forma mais intensa e esse tempo de trabalho causa consequências preocupantes

 

“Todas as análises que têm sido feitas demonstram que desde os anos 2000 o mercado de trabalho brasileiro tem melhorado muito: há, por exemplo, mais gente ocupada, menos desempregados e mais assalariados do ponto de vista formal, com carteira assinada. Mesmo assim, as pessoas estão trabalhando mais, de forma mais intensa, e esse tempo de trabalho está invadindo cada vez mais a vida particular das pessoas”, afirmou o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea André Gambier Campos nesta quarta-feira, 21, em Brasília, durante a apresentação do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre Trabalho e tempo livre.

 

De acordo com a análise feita pelo Instituto, para um grupo dos entrevistados – entre 30% e 50% deles -, há uma percepção comum da relação entre o tempo de trabalho e o tempo livre: a de que o tempo de trabalho remunerado afeta de modo significativo, crescente e negativo o tempo livre. Isso, segundo o pesquisador, é um fenômeno preocupante, porque gera uma série de consequências negativas para a vida desses trabalhadores, como cansaço, estresse e desmotivação, além de prejuízo das relações familiares e de amizade, das atividades esportivas, educacionais etc.

 

Para André Gambier, não deixa de ser contraditório observar que a percepção desse grupo de entrevistados conflita com a leitura que se fez dos dados da PNAD/IBGE, os quais mostram uma aparente redução da importância do tempo de trabalho na vida cotidiana da população brasileira. Ele disse que parte da explicação pode ser uma “diluição” das fronteiras entre tempo de trabalho e tempo livre, já que para quase metade dos entrevistados, mesmo quando é alcançado o limite da jornada diária, o trabalho continua a acompanhá-los, até mesmo em suas casas.

 

O estudo aponta também que apesar da percepção comum de que o tempo de trabalho afeta de maneira significativa, crescente e negativa a qualidade de vida, somente um quinto dos entrevistados pensam em trocar de ocupação por conta disso. E ainda que a pesquisa não trate especificamente do tempo de trabalho não remunerado, desenvolvido no âmbito doméstico, traz algumas informações a respeito: esse tempo de trabalho é significativo na vida diária dos entrevistados – um quarto das respostas indicam que em caso de nova lei prevendo a diminuição da jornada de trabalho, a principal destinação do tempo livre seria o cuidado com a casa e a família.

 

O SIPS ouviu 3.796 pessoas residentes em áreas urbanas, das cinco regiões do país. A pesquisa analisa, por exemplo, se o trabalhador consegue se desligar das preocupações profissionais após o período de trabalho, se realiza outras atividades cotidianas, se o tempo dedicado ao trabalho compromete sua qualidade de vida, e a percepção a respeito da redução da jornada de trabalho.

 

 

22-3-2012 – Blog do Trabalho

Estudo revela desequilíbrio entre o trabalho e o tempo livre dos brasileiros

 

Por Lorrane Freitas

 

Investigação do Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, com 3.796 pessoas residentes em áreas urbanas das cinco regiões do país apontou que elas estão trabalhando mais e com dificuldade crescente de parar de trabalhar.

 

Segundo os técnicos de Planejamento e Pesquisa do órgão, André Gambier e Roberto González, que apresentaram o estudo esta semana em Brasília, o diagnóstico exige soluções.

 

“Os dados apresentados pela pesquisa são preocupantes, as pessoas estão trabalhando mais, de forma mais intensa, isso é negativo e gera problemas de saúde como estresse, fadiga, desmotivação e menor tempo para passar com a família”, afirma Gambier.

 

Como solução, eles afirmam que a redução da carga horária de trabalho e a regulamentação do teletrabalho atenuariam o problema, pois há uma espécie de diluição das fronteiras entre tempo de trabalho e tempo livre,  detectada a partir de dados da pesquisa.

 

Mais de 45% dos entrevistados afirmam ter dificuldade para se desligar totalmente do trabalho remunerado mesmo após o horário de término da jornada diária. Entre as razões, a principal é a necessidade de ficar de prontidão para realizar alguma atividade extraordinária (26%) e a necessidade de planejar ou desenvolver alguma atividade de trabalho, mediante internet, celular, etc (8%). 70% dos entrevistados não conseguem assumir outros compromissos regulares, além do trabalho remunerado. Entre os 30% que afirmam assumir outro compromisso, destacam-se as atividades de devoção religiosa (7%) e a realização de estudos (6%).

 

Mais de um terço dos entrevistados (37%) sente que o tempo livre vem diminuindo no período recente, por conta do tempo diariamente gasto com o trabalho. Isso ocorre por um excesso de atividades exigidas no trabalho (18%), a obrigação de levar trabalho pra casa (5%) e o maior tempo gasto com transporte para o trabalho (4%). 40% dos entrevistados consideram que o tempo dedicado ao trabalho remunerado compromete a qualidade de vida, gerando principalmente cansaço e estresse (14%) e comprometendo as relações amorosas e atenção à família (10%).

 

Quase metade dos entrevistados apresenta reações negativas quando necessita dedicar uma parcela do seu tempo livre a atividades próprias do trabalho remunerado. A principal reação é de conformação por precisar manter o trabalho (36%). Apesar de ficar evidente que os entrevistados (entre 30% e 50%) consideram o tempo dedicado ao trabalho remunerado negativo e que reduzem sua qualidade de vida, apenas 21% afirmam efetivamente pensar em trocar de trabalho por causa do tempo gasto com ele.

 

63% dos entrevistados afirmam que se realizassem alterações nas normas legais que regulamentam a jornada laboral de trabalho no país para um número inferior a 44 horas semanais dedicariam o tempo livre para outras atividades. A maioria (25%) usaria esse tempo livre para cuidar da casa e da família.

 

De acordo com André Gambier, “as questões abordadas na pesquisa foram levantadas, pois o mercado de trabalho, após 2003, apresentou sinais de dinamismo. A taxa de desemprego e da informalidade caiu e a taxa de assalariamento formal cresceu juntamente com o valor dos salários”. Essa nova realidade do mercado de trabalho fomentou soluções para problemas históricos do subdesenvolvimento brasileiro. “Mas também criou novos questionamentos: Como fica a relação do tempo de trabalho e tempo livre? Isso significa uma redução da relevância do tempo de trabalho na vida das pessoas?” questionou Gambier.

 

IBGE

Em contraste com a pesquisa realizada pelo Ipea, dados apresentados pelo Pnad/IBGE afirmam que houve uma redução do tempo dedicado ao trabalho no Brasil.

 

A população que gasta 45 horas ou mais por semana trabalhando encolheu de 41% em 1992 para 31% em 2009, o que mostra em linhas gerais uma redução da relevância do tempo de trabalho na vida diária da população brasileira.

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