A Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco - ALEPE, aprovando o requerimento de nº 1085/2012, do deputado Ricardo Costa (PTC), fez constar na Ata da Reunião do dia 8 de março um voto de profundo pesar pelo falecimento do Auditor-Fiscal do Trabalho Alexandre Kruse Grande Arruda, ocorrido no início deste mês.
Justificativa
Na justificativa, o deputado Ricardo Costa fez constar:
"O requerimento, que ora estamos encaminhando à Mesa Diretora desta Casa representa uma homenagem póstuma que fazemos ao Senhor Alexandre Kruse Grande Arruda, filho de Euprício Grande Arruda e Frida Kruse Grande Arruda, e falecido no dia 5 de março de 2012, deixando consternada sua família, seus amigos e todos aqueles que tiveram o privilégio de com ele conviver.
Bacharel em Direito, Auditor Fiscal do Trabalho aposentado em 1981, Alexandre Kruse exerceu importantes cargos Federais e Estaduais, dentre eles, destacam-se o de Delegado Regional do Trabalho em Pernambuco no período de 1979 a 1985, quando se destacou ao mediar conflitos trabalhistas na cana de açúcar, redundando na Primeira Convenção Coletiva de Trabalho no Campo. Exerceu brilhantemente o cargo de Secretário de Educação do Estado, no Governo Gustavo Krause, tendo sido ainda Delegado Regional do Ministério da Educação e Cultura no início da década de 1990.
Pelos excelentes esforços e relevantes serviços prestados ao nosso país, em especial ao povo pernambucano, é que vimos, ante o exposto, nos dirigir aos nossos pares nesta Casa Legislativa, pleiteando o necessário acolhimento do presente requerimento em pauta”.
Alexandre Kruse faleceu no dia 5 de março, em Pernambuco. Auditor-Fiscal do Trabalho, ex-Delegado Regional do Trabalho e Emprego em Pernambuco, ícone da Fiscalização do Trabalho no Estado e precursor da fiscalização rural no Brasil. Sempre com o pensamento voltado para a erradicação da exploração de uma mão-de-obra excessivamente barata, além do não reconhecimento dos direitos dos trabalhadores rurais da zona canavieira como classe trabalhadora, procurou viabilizar melhores condições e garantias do trabalho à classe, no final da década de 70 e início dos anos 1980.
Entre 1979 e 1985, período em que foi delegado regional do Trabalho, não poupou esforços na tentativa de negociar os direitos dos trabalhadores rurais da cana, levando as autoridades representativas sindicais e patrões a acordarem garantias para os trabalhadores. O distanciamento entre patrões e empregados era absurdo, e pela primeira vez na história de Pernambuco, o MTE, por meio da Delegacia Regional do Trabalho - DRT/PE (hoje Superintendência Regional do Trabalho e Emprego), interveio de forma veemente assegurando os direitos dos trabalhadores da classe em questão.
O marco foi registrado em outubro de 1979, quando foi assinada a Convenção Coletiva do Trabalho que estabelecia a relação capital/trabalho na zona canavieira. De acordo com o próprio Alexandre Kruse, a referida convenção englobava cláusulas baseadas em artigos da CLT. As medidas adotadas não significaram simplesmente um trabalho cartorial, mas a presença da fiscalização rural nos engenhos, ignorando os rigores do tempo, com o único objetivo de levar ao homem do campo uma mensagem de confiança e dignidade. “Diga-se de passagem, um belo trabalho que dignifica o servidor público e de modo especial, a Fiscalização do Trabalho”, palavras ditas por Alexandre.
Respeito dos colegas
Muito querido e respeitado pelos colegas Auditores-Fiscais do Trabalho de Pernambuco, Alexandre foi várias vezes citado no evento em que a categoria recebeu homenagem da Alepe pelos 120 Anos da Inspeção do Trabalho no Brasil, em 10 de outubro de 2011.
Durante o evento, a presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho - Sinait, Rosângela Rassy, ressaltou a presença de Alexandre entre os convidados de honra e enfatizou os feitos dele, enquanto esteve à frente da DRT/PE.
(Com informações da Afitepe)