A Câmara dos Deputados poderá instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI para investigar casos de trabalho escravo ainda neste mês de março. Segundo informação da Agência Câmara, falta apenas que o Partido Socialista Democrata – PSD indique seus representantes. A investigação será baseada no cadastro conhecido como Lista Suja, organizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego a partir das ações de fiscalização do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, coordenado por Auditores-Fiscais do Trabalho. Atualmente a lista tem 294 empregadores.
O trabalho escravo já foi discutido na Câmara e no Senado por diversas vezes em audiências públicas organizadas por Comissões Parlamentares. O principal projeto em tramitação no Congresso é a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 438/2001, que expropria terras em que for flagrada a prática de escravidão contemporânea. A PEC foi aprovada pelo Senado e em primeiro turno na Câmara, mas desde meados de 2004 aguarda a votação em segundo turno. A resistência de integrantes da bancada ruralista em reconhecer que o trabalho escravo existe e precisa ser reprimido é apontada como um empecilho para que a PEC seja novamente colocada em pauta.
Na semana passada, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT/RS), declarou que poderá colocar a PEC em votação antes do dia 13 de maio, data em que se comemora a Abolição da Escravatura no Brasil. Ele disse isso durante reunião com a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos. A instalação da CPI pode dar mais um impulso nessa disposição. A ministra também acredita que os deputados ruralistas, que serão procurados pelos integrantes da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo – Conatrae, serão sensíveis à causa e não insistirão em se opor à proposta sob o peso de ficarem marcados como escravocratas.
Leia a matéria da Agência Câmara:
19-3-2012 – Agência Câmara
CPI do Trabalho Escravo aguarda indicação do PSD para iniciar trabalhos
PEC sobre o tema poderá ser votada até 13 de maio, diz Marco Maia
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Trabalho Escravo aguarda indicação do PSD para completar o quadro de integrantes e começar a investigar as empresas e empregadores que mantêm trabalhadores em regime análogo à escravidão.
O deputado Cláudio Puty (PT-PA), autor do pedido para a criação da CPI, acredita que antes do final do mês será possível instalá-la. O deputado tem pressa para que as autoridades tenham mais poder para acabar com esse crime.
"Não tem mais a desculpa utilizada no passado de que o trabalho é ruim, mas pelo menos não se está desempregado, pelo contrário. Então a CPI vem com o objetivo de colocar a questão do trabalho escravo num plano mais amplo de avaliação das condições de trabalho no Brasil", afirmou Puty.
Votação
Além da CPI, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia, se comprometeu a informar ao Colégio de Líderes sua intenção de votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 438/01) que endurece as penas para quem for flagrado mantendo condições de trabalho degradantes.
"É muito razoável que essa votação aconteça antes do dia 13 de maio, que é uma data simbólica, comemorativa da abolição da Escravatura no Brasil. Acenei com esta possibilidade de que nós tenhamos como referência os dias 8 e 9 de maio para a votação desta PEC aqui na Casa", disse Marco Maia.
A chamada PEC do Trabalho Escravo altera a Constituição para tomar de forma sumária e imediata as terras ou bens dos condenados por explorar trabalhadores de forma semelhante à escravidão.
A CPI do Trabalho Escravo tem como base a lista do Ministério do Trabalho que inclui 294 empregadores, entre pessoas físicas e jurídicas, acusados de explorar a força de trabalho das pessoas, sem nenhum direito trabalhista ou humanitário garantido.
Íntegra da proposta:
Reportagem- Keila Santana/ da Rádio Câmara
Edição- Mariana Monteiro