Apesar de os servidores protocolarem uma proposta de política salarial, elaborada com assessoria do Dieese, que corrige distorções dos vários setores da administração pública, entre outros benefícios, o governo sugere estender debate até 31 de agosto
Integrantes do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos, entre estas o Sinait, protocolaram - durante reunião com o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, nesta quarta-feira, 14 de março, no Ministério do Planejamento - uma proposta de política salarial feita com a assessoria do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos - Dieese. A proposta contempla concessão de 22,08% de reajuste emergencial, correção de distorções dos vários setores da administração pública, valorização do salário base e incorporação das gratificações. O encontro marcou a reabertura do processo de negociações com os servidores. O Sinait foi representado pelo vice-presidente de Inativos e Atividades Assistenciais, Marco Aurélio Gonsalves.
Nesta quinta-feira, às 10 horas, acontece mais uma reunião do grupo. Desta vez o tema central será reajustes no conjunto de benefícios, como o auxílio-alimentação.
Além de reforçar que o governo não deve ter condições de honrar março como prazo final para apresentação de uma proposta para o conjunto das reivindicações da campanha salarial dos servidores, Sérgio Mendonça voltou a utilizar um discurso de austeridade, recorrendo às dificuldades impostas pela crise econômica para o não cumprimento do acordo. O governo insiste em estender o debate da campanha salarial até o dia 31 de agosto.
De acordo com Mendonça o governo pretende, em um primeiro momento, corrigir distorções salariais a médio e longo prazo e só depois implantar uma política salarial para o conjunto do funcionalismo.
Segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal – Condsef, seria desproporcional estender as negociações até agosto já que o governo tem até o dia 15 de abril para encaminhar ao Congresso Nacional a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que aponta quanto do orçamento será disponibilizado para o atendimento dessas demandas. Ao final, o Planejamento deve manter um diálogo interno e, nas próximas reuniões, o compromisso é de que haja retorno sobre a proposta de política salarial apresentada pelos trabalhadores.
Os representantes das 31 entidades solicitaram que o Planejamento diga quanto o governo irá dispor do Orçamento 2013 para investir no setor público. A informação é importante para que se consigam avanços nos processos de negociação.
Mobilizações - Os servidores estão mobilizados para pressionar o governo pelo cumprimento de acordos e avanços nas negociações. O Fórum recomenda o reforço de atividades com esta finalidade. Nesta quinta-feira em todo o Brasil acontece o Dia Nacional de Lutas com atividades nos estados, realização de assembleias e debates.
No dia 28 deste mês acontece uma grande marcha em Brasília. A expectativa é de que 20 mil trabalhadores participem da atividade como forma de pressionar o governo a apresentar propostas concretas para os servidores.