O artigo “A crise e as mulheres”, da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), publicado no jornal Brasil Econômico, de hoje, dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é uma avaliação da crise econômica atual, que pode significar uma mudança de paradigma histórica.
Para a deputada Erundina, as dúvidas que permeiam o setor econômico e perpassa pela vida dos trabalhadores é uma situação preocupante, em especial quanto ao desemprego e a informalidade que afetam principalmente a mão de obra feminina que recebe os menores salários.
Mas, para a deputada, o problema pode ser resolvido com medidas e soluções empreendedoras com o objetivo de estabelecer bases firmes para a construção de um novo mundo.
Leia abaixo o artigo na íntegra.
8/3/2012 – Brasil Econômico
A crise e as mulheres
Luiza Erundina - Deputada federal (PSB-SP)
A atual crise econômica, considerada uma das mais graves da era do capitalismo, contém elementos que apontam para transformações que podem significar o fim de um ciclo histórico-social e o início de um outro.
O velho dá sinais de falência, o novo carece de tempo e de força para nascer.
É uma transição cheia de dúvidas e incertezas, mas prenhe de promessas de vida, pois, como diz Ortega e Gasset, "presente está grávido do futuro".
Porém, para o futuro nascer, é preciso passar pela dor do parto, a fim de dar à luz uma humanidade nova, uma nova civilização.
É necessário identificar a essência da crise, para que se encontrem as respostas adequadas para debelá-la e atenuar seus efeitos danosos na vida das pessoas, em especial os segmentos mais prejudicados pelo sistema econômico capitalista, os trabalhadores, particularmente, as mulheres.
Com a desaceleração da economia, o mercado de trabalho é o primeiro a ser afetado; cai a oferta de emprego formal e aumentam o desemprego e a informalidade, que concentra o maior percentual de mão de obra feminina.
O impacto da crise também recai sobre a renda, aumentando a pobreza e a desigualdade de gênero no mundo.
As mulheres, geralmente, recebem salários menores e estão fora das instâncias decisórias, sendo que as possíveis saídas para a crise passam, necessariamente, pela política e dela se acham historicamente excluídas.
A exclusão política das mulheres é um agravante num contexto de crise e desta o Brasil não foi poupado, embora tenha sido atingido com atraso e menor intensidade.
A economia do país vem sofrendo com a diminuição dos negócios no comércio internacional, a queda nos preços das commodities, a redução dos investimentos e financiamentos externos, e com a valorização do crédito.
Além disso, a crise de confiança, gerada pela instabilidade da economia internacional, afetou as expectativas dos agentes econômicos, impactando fortemente a produção, os investimentos, o emprego e o nível de renda dos trabalhadores, com incidência maior sobre as mulheres e suas condições de vida.
No entanto, as "soluções" adotadas para a crise não fogem ao modelo neoliberal: cortes nos gastos públicos; flexibilização dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras; aumento dos lucros das empresas e das despesas militares.
Assim, são sempre os trabalhadores, as mulheres, os negros, os segmentos mais vulneráveis que pagam a conta pelas crises cíclicas do capitalismo.
Porém, desta vez não é apenas mais uma crise, mas uma crise sistêmica e estrutural que provavelmente marcará o fim de um ciclo histórico-social.
As forças políticas da esquerda democrática estão desafiadas a apontar saídas e soluções criativas para a crise e seus efeitos, bem como plantar os alicerces de um novo mundo a se construir.
Nós, mulheres, principais vítimas desse "horror econômico", devemos protagonizar o advento de um outro ciclo histórico-social.
Se o presente, como diz o filósofo, está grávido do futuro, cabe a nós, que geramos a vida, parir uma nova humanidade, uma outra civilização.
A hora é esta. O tempo está maduro. Vamos construir um mundo de paz, justiça e liberdade onde todos vivam felizes e em harmonia com a natureza.