Movimento das carreiras de servidores públicos pode fazer uma ampla paralisação em maio se as negociações salariais com o governo não avançarem.
Entidades que representam servidores públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário continuam a pressão pela reabertura do diálogo com o governo, que foi interrompido em 2011. O governo já tem conhecimento da pauta de reivindicações, cujos pleitos não foram alterados e permanecem os mesmos.
Caso os servidores não obtenham uma resposta até o mês de abril, uma greve geral poderá ser alvo de assembleias das carreiras. Há três anos sem reajuste, a tendência é de que a adesão seja maciça, uma vez que a insatisfação é grande e as perdas com a inflação se acumulam, defasando os vencimentos.
Os servidores sentem-se enganados por que o tempo todo o governo deu indicações de que concederia algum aumento. Somente no fim de agosto passado ficou clara a decisão de não corrigir os salários - quando foi fechada a proposta do Orçamento de 2012.
Mobilização dos Auditores-Fiscais
O Sinait vai realizar reunião conjunta com sua Diretoria e Conselho de Delegados Sindicais nos dias 13, 14 e 15 de março, onde a principal pauta é a Campanha Salarial 2012 e a Mobilização da categoria.
Segundo a presidente do Sinait, Rosângela Rassy, os Auditores-Fiscais do Trabalho e da Receita Federal do Brasil continuam mobilizados por melhores condições de trabalho e por reajuste salarial. O Sinait integra o grupo que faz a negociação em conjunto com as entidades que representam o funcionalismo em geral e tem também ação em conjunto com entidades que congregam servidores das carreiras típicas de Estado.
Mais detalhes sobre este assunto na matéria abaixo.
Funcionários federais discutem paralisação
Autor(es): LU AIKO OTTA
O Estado de S. Paulo - 23/02/2012
Trabalhadores podem fazer uma ampla greve em maio se as negociações salarias não avançarem
Os funcionários públicos federais discutem a possibilidade de realizar uma ampla paralisação, em maio, caso as negociações salariais que começam agora não cheguem a um bom termo. Depois de passar 2011 concedendo aumentos apenas a algumas categorias localizadas, o governo poderá enfrentar uma pressão maior este ano.
"Nós fomos ludibriados no ano passado", disse o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), Pedro De La Rue. Ele contou que o governo, o tempo todo, deu indicações que concederia algum aumento.
A decisão de não corrigir os salários só ficou clara no fim de agosto, quando foi fechada a proposta do Orçamento de 2012, contemplando elevações da folha apenas das categorias que ainda não haviam sido atendidas na chamada "recomposição salarial" iniciada no governo Lula.
"A pressão será bem maior agora", avaliou De La Rue. Ele disse que esse é o entendimento de outras carreiras do funcionalismo, como os analistas do Tesouro Nacional e da Controladoria Geral da União e auditores do trabalho, por exemplo.
O presidente da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Josemilton Costa, afirma que 29 entidades representativas dos funcionários públicos estão em campanha salarial conjunta. "Se vai ter greve geral, depende do governo", disse. "Vamos esperar uma resposta à nossa pauta até o dia 30 de março para discussão em abril. Se não formos atendidos, vamos mobilizar para greve no início de maio", afirmou.
Diferenças. A posição dos sindicalistas, porém, não é homogênea. Os delegados da Polícia Federal, por exemplo, não pretendem fazer greve. "Acreditamos na sensibilidade do governo", disse o diretor regional da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal em São Paulo, Amaury Portugal. "A presidente está sendo muito rigorosa, mas contamos com o bom discernimento."
A categoria já conta com a promessa do Ministério do Planejamento de um reajuste a ser concedido em duas parcelas, em 2013 e 2014.
O governo, de fato, não descarta a possibilidade de conceder reajustes no ano que vem. "Estamos falando de 2013", disse a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, quando foi questionada sobre a campanha salarial dos funcionários públicos. Ela disse que a postura do governo será dialogar, como tem feito todos os anos.
Porém, algumas categorias querem reajuste ainda em 2012. "Para o governo é só em 2013, mas para nós, não", disse De La Rue. Se o Executivo ceder a essa pressão, será mais um fator de dificuldade para o cumprimento da meta fiscal deste ano. No último dia 15, o governo anunciou um corte de R$ 55 bilhões no Orçamento para garantir esse resultado.
Embora representem grupos diferentes, De La Rue e Costa apresentaram pelo menos uma reivindicação em comum: o estabelecimento de uma regra automática de correção dos salários dos funcionários públicos. Hoje, a negociação é caso a caso.
O índice de correção a ser reivindicado ainda não está fechado. De La Rue informou que será algo acima dos 20%.
Espera. No momento, os sindicatos que representam os funcionários públicos aguardam a nomeação do secretário de Relações do Trabalho no Serviço Público, responsável pela negociação. O cargo está vago desde a morte do secretário Duvanier Paiva, no dia 19 de janeiro, por falta de atendimento em hospitais privados de Brasília. Miriam Belchior disse que já tem alguns nomes em vista e que deverá preencher o cargo após o carnaval.