16-2-2012 - Sinait
Pesquisa divulgada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco revela que a maioria das empresas da região com mais de 100 funcionários cumpre a Lei 8.213/91, conhecida como lei de cotas para pessoas com deficiência.
De acordo com a pesquisa, a maioria dos contratados na Lei das Cotas tinha algum tipo de deficiência física, seguidos de problemas auditivos, deficiência visual, intelectual, deficiências múltiplas e reabilitados.
Segundo chefes das empresas que contratam esses trabalhadores, em geral eles são muito dedicados, atenciosos e superam os limites. Alguns empresários, depois de ter experiência positiva, contratam pessoas com deficiência além da cota obrigatória.
De 2003 a 2011 os Auditores-Fiscais do Trabalho inseriram no mercado, por meio de ações de fiscalização, 170.518 mil pessoas com deficiência. Somente em 2011 foram cerca de 34.395 mil. A metodologia utilizada em grande parte do país é de notificação coletiva, orientações e, finalmente, a fiscalização. Mas a baixa escolaridade e a falta de formação profissional desses trabalhadores têm sido um problema para a inclusão, que poderia ser muito maior face aos milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no país. A falta de qualificação, muitas vezes, é suprida pela própria empresa que contrata, com treinamentos e cursos.
A experiência positiva do pólo metalúrgico de Osasco se contrapõe a um debate estabelecido na Câmara dos Deputados, em que parlamentares questionam a lei de cotas e criticam a fiscalização trabalhista, afirmando que as exigências são exorbitantes e prejudicam as empresas. Está aí a comprovação de que há exemplos contrários ao entendimento dos parlamentares que, ao invés de somar esforços para incluir essa parcela da população, perpetua a exclusão.
Mais detalhes sobre este assunto na matéria abaixo.
15-2-2012 – Agência Brasil
Maioria das metalúrgicas da Grande SP cumpre lei de cotas para deficientes
A maioria das empresas da região de Osasco com mais de 100 funcionários cumprem o Artigo 93 da Lei 8.213/91, a chamada Lei de Cotas. Pelo dispositivo legal, empresas desse porte são obrigadas a preencher de 2% a 5% das vagas com pessoas com deficiência ou reabilitadas. Segundo pesquisa divulgada hoje (15) pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, que abrange 12 cidades, no ano passado, 77,43% das empresas preencheram as vagas previstas na lei.
De acordo com a pesquisa, 43,96% dos contratados na Lei das Cotas tinham algum tipo de deficiência física e 32,16%, auditiva, seguidos por deficientes visuais (6,41%); intelectuais (3,77%), pessoas com deficiências múltiplas (0,38%) e reabilitados (13,32%).
O vice-presidente do sindicato, Carlos Clemente, disse a sociedade está se dando conta dos benefícios que a inclusão no mercado de trabalho das pessoas com deficiência traz para a economia. “Se essa pessoa está trabalhando, economicamente pode ser consumidor de produtos e serviços. É estratégico para qualquer comunidade ter uma pessoa com deficiência que consiga trabalha e obter recursos com seu próprio salário”.
A gerente de Recursos Humanos da empresa Corneta, Lucelene Dias, explicou que a metalúrgica tem 22 funcionários com algum tipo de deficiência e que política de inclusão começou nos anos 1980, com o então presidente Fritz Berg. Ele se baseou na cultura de contratação de mutilados de guerra que deu certo na Alemanha após a 2ª Guerra Mundial. E o retorno tem sido bom. “Eles são muito dedicados, atenciosos e superam os limites”, disse a gerente.
Na função de auxiliar de inspeção na fábrica, Edson Aparecido do Nascimento, 36 anos, que tem uma deficiência intelectual, está empregado na metalúrgica desde 2004. “[O emprego] mudou muita coisa na minha vida. Meus pais são aposentados e eu posso ajudar em casa. Me sinto muito capacitado. A empresa reconhece a minha capacidade e o que sei fazer”.
Na mesma função e com o mesmo tipo de deficiência, Eder Luiz Soares Maurício, 33 anos, na empresa há sete anos, também disse que o trabalho mudou a vida dele. “Eu ajudo em casa, como meu irmão. Moramos com nossa mãe, que é aposentada. Posso ter minhas coisas e me sinto bem em poder trabalhar, ter meu dinheiro e comprar o que quero”.