A Fiscalização do Trabalho flagrou, mais uma vez, trabalho escravo no corte da cana e cultivo de grama, na região de Campos de Goytacazes – RJ. Desta vez, foram libertadas 20 pessoas, das quais cinco eram menores e seis do sexo feminino. Nenhum dos trabalhadores possuía carteira assinada.
A situação degradante repetia todas as características próprias da submissão à escravidão laboral: falta de água potável, de instalações sanitárias, de refeitório adequado e, principalmente, não eram fornecidos equipamentos de segurança aos trabalhadores.
Os Auditores-Fiscais do Trabalho lavraram 13 autos de infração, calcularam as verbas rescisórias a serem pagas aos trabalhadores e encaminharam o processo para que os libertados recebam o Seguro Desemprego para Trabalhador Resgatado. Aos empregadores coube, ainda, assinar Termos de Ajuste de Conduta (TAC) em que se comprometem a cumprir integralmente a legislação.
No último resgate ocorrido na região, os Auditores-Fiscais do Trabalho registraram a formação de consórcios de contratação de empregados rurais, que está se tornando comum na região.
Abaixo, matéria da ONG Repórter Brasil:
23-8-2011 - Repórter Brasil
Trabalho escravo se repete em Campos dos Goytacazes
Entre as 20 pessoas submetidas à escravidão, cinco eram adolescentes com menos de 18 anos de idade e seis eram mulheres. Nas frentes de trabalho de capina em canaviais e cultivo de grama, não havia água potável nem banheiro
Por Bianca Pyl
Fiscalização trabalhista libertou 20 pessoas de condições análogas à escravidão, incluindo cinco adolescentes entre 16 e 18 anos de idade e seis mulheres, em Campos dos Goytacazes (RJ). Realizada no início de junho pelo grupo interinstitucional - formado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) -, a ação foi motivada por denúncia telefônica às autoridades.
De acordo com Marcela Ribeiro, procuradora do trabalho no município do Norte fluminense, as condições encontradas na Fazenda Lagoa Limpa eram degradantes. Os empregados rurais não recebiam água potável durante todo o dia de trabalho. Não havia instalações sanitárias nas frentes de trabalho. Também não havia local adequado para as refeições e nem para armazená-las, já que os empregados traziam a comida de casa. As vítimas trabalhavam sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e não tinham a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) assinadas.
A propriedade fiscalizada pertence a Walter Lysandro Godoy, que era responsável por dois trabalhadores que realizavam a limpeza do mato que nasce entre as fileiras da plantação de cana-de-açúcar. Os outros plantavam grama para a empresa Jardim do Éden Indústria e Comércio Ltda. ME.
Os empregados eram moradores da região de Campos dos Goytacazes (RJ) e trabalhavam no local desde abril. O MTE lavrou 13 autos de infração. As verbas rescisórias pagas a cada trabalhador superaram a quantia de R$ 1 mil. Os trabalhadores libertados também devem receber o Seguro Desemprego para Trabalhador Resgatado. A reportagem tentou, mas não conseguiu contato telefônico com os envolvidos no ocorrido.
Após o flagrante, os empregadores assinaram Termos de Ajuste de Conduta (TAC) se comprometendo a cumprir integralmente a legislação. Eles pagaram indenizações a título de dano moral individual e R$ 7,5 mil relativos ao dano moral coletivo. O valor será destinado a uma campanha publicitária para divulgação dos direitos dos trabalhadores rurais.
Nos últimos anos, uma série de operações verificaram a exploração de mão de obra escrava em fazendas da região de Campos dos Goytcazes (RJ), em especial no pesado trabalho nas lavouras de monocultivo de cana.