Auditores-Fiscais do Trabalho e da Receita Federal do Brasil paralisam por 24 horas nesta quarta-feira, 24 de agosto, em repúdio à demora do governo em apresentar uma contraproposta às reivindicações das categorias
Nesta quarta-feira, 24 de agosto, Auditores-Fiscais do Trabalho e da Receita Federal do Brasil fazem uma paralisação de advertência de 24 horas em todo o país. Delegados e Peritos da Polícia Federal deliberaram por aguardar a reunião marcada no Ministério do Planejamento para sexta-feira, 26 de agosto, quando esperam que seja apresentada uma contraproposta à reivindicação de reajuste linear de 26% para as categorias. Segundo relato das lideranças da categoria, o Diretor Geral da PF comprometeu-se a intervir pessoalmente caso nenhuma proposta seja apresentada. O compromisso de seguir em campanha salarial conjunta permanece.
O momento é de conscientização e preparação para possíveis mobilizações de maior porte no futuro. Nesta quarta-feira, em todo o Brasil, Delegados Sindicais do Sinait se reunirão com os Auditores-Fiscais do Trabalho para informar sobre o processo de negociação iniciado em maio. Depois de sete reuniões, algumas delas adiadas e remarcadas, nenhum percentual foi apresentado para avaliação dos servidores. O percentual de reajuste de 26% pleiteado pelas categorias levará os subsídios ao valor correspondente a 90,25% do subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal – STF.
A orientação do Sinait é para que os colegas se reúnam e façam atos públicos ou manifestações em frente às Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego e, onde for possível, façam atividades em conjunto com os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil. O atendimento às empresas dentro das repartições deverá ser suspenso.
No dia 26 de agosto, sexta-feira, as entidades voltarão a se reunir com Duvanier Paiva, secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento. A paralisação desta quarta-feira será uma espécie de vigília que antecede a reunião. Vale lembrar que em todo o país a paralisação e a transformação da Assembleia Geral Extraordinária em Assembleia Permanente foram itens aprovados no dia 18 de agosto.
Vale lembrar, ainda, que a proposta apresentada pelo governo às carreiras que integram o Fórum das Carreiras de Servidores Públicos, que inclui os Servidores Administrativos do Ministério do Trabalho e Emprego, foi rejeitada porque as categorias consideraram os percentuais insuficientes e não querem propostas diferenciadas entre os ativos e nem discriminação com aposentados e pensionsitas.
A possibilidade de apresentar à Frente da Campanha Salarial Conjunta reajustes diferenciados também foi aventada pelo Ministério do Planejamento na penúltima reunião com o grupo, o que foi prontamente recusado pelos dirigentes sindicais. Esta proposta, caso seja concretizada, não será aceita.
Rosângela Rassy, presidente do Sinait, afirma que os Auditores-Fiscais do Trabalho e da Receita Federal do Brasil não aceitam a falta de propostas e a justificativa simplista de que o governo não pode assumir compromissos de médio e longo prazos em razão da crise econômica. “Os recursos existem, mas o funcionalismo é sempre visto como despesa. Mas o que faria o governo sem seus servidores? O Estado simplesmente não funciona sem o nosso trabalho e das atividades essenciais desenvolvidas por milhares de servidores espalhados pelo Brasil”. Segundo Rosângela, é hora de mostrar união e força, organização, para enfrentar o governo.
Neste dia 24 de agosto milhares de servidores públicos estarão reunidos em Brasília para manifestações de protesto ao descaso do governo na Esplanada dos Ministérios. Passeatas e atos públicos acontecerão a partir das 10 horas.