No Rio Grande do Sul, seis operários despencaram de uma altura de 10 metros em um canteiro de obras na última segunda-feira, 22. Dois deles morreram. No Rio de Janeiro, quatro prestadores de serviço da Petrobras perderam a vida em um acidente de helicóptero na semana passada. Esses são exemplos recentes de uma tendência que só tem crescido no país: as ocorrências de acidentes de trabalho.
No caso do RS, o acidente ocorreu no setor da construção civil que está aquecido no país por conta das facilidades de crédito para a conquista da casa própria. Porém, os sindicatos de trabalhadores denunciam que os operários ingressam nas obras sem conhecimento suficiente de Segurança e Saúde no trabalho, algo que precisa ser investido pelos empregadores, além da falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e de um ambiente mais seguro nas obras.
Já o acidente no Rio de Janeiro, é um alerta para a situação dos trabalhadores terceirizados. O Sindicato dos Petroleiros denuncia que este ano 11 prestadores de serviço sofreram acidente de trabalho em áreas de atuação da Petrobras. Só em agosto, oito morreram.
Segundo a Previdência Social, 723,5 mil acidentes de trabalho foram registrados no Brasil em 2009, sendo que quase 2,5 mil fatais, uma média de quase sete mortes por dia.
Campanha Institucional
O tema da campanha institucional do Sinait, que será apresentada no 29º Encontro Nacional de Auditores Fiscais do Trabalho (Enafit) em setembro, é um alerta ao aumento de acidentes de trabalho no Brasil nos últimos anos. “Vamos relacionar o crescimento dos índices com o déficit de Auditores-Fiscais do Trabalho”, informa a presidente do Sindicato, Rosângela Rassy.
Segundo ela, o objetivo da campanha é denunciar como o número insuficiente de AFTs é um dos fatores para a ocorrência de acidentes. “Aquele empregador mal-intencionado, que sabe que a fiscalização pode demorar a passar, acaba precarizando as condições de trabalho”, explica.
O papel dos Auditores-Fiscais do Trabalho na segurança dos trabalhadores foi tema da campanha institucional do Sinait em 2006. Com o título “Auditoria Fiscal do Trabalho: preservando a vida e ajudando o Brasil a ser melhor”, a campanha destacou os resultados da fiscalização até 2005, a importância da atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho na área de Segurança e Saúde e seu benefício para o Estado Brasileiro.
De acordo com Rosângela, o Sinait sentiu necessidade de retomar o tema pois, principalmente ao longo deste ano, os acidentes aumentaram e a sociedade precisa saber da necessidade de contração de mais AFTs para a ajudar a preservar a vida dos trabalhadores. Hoje, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) conta com um cerca de 2.900 auditores e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê a necessidade de cinco mil. Além de lutar pela contratação de novos AFTs, o Sinait também reivindica a criação da especialidade Segurança e Saúde no trabalho nos concursos para o cargo.
23-8-2011 – Correio do Povo (RS)
STRE/RS vai investigar acidente
Uma equipe de técnicos foi enviada ontem pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) ao canteiro da obra do condomínio industrial em Gravataí na qual morreram dois trabalhadores. Ontem mesmo começaram as investigações para a apuração das responsabilidades sobre o desabamento de vigas. Com abrangência em 25 municípios o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Porto Alegre (Sintracon) planeja organizar debate amplo sobre o problema constante dos acidentes na construção.
Conforme o vice-presidente do Sintracon, Gelson Santana, há muitos acidentes de trabalho no setor. Porém, as estatísticas e o controle são difíceis. "A construção civil está num momento de aquecimento de obras. Há muitos empreendimentos grandes, pequenos, regulares e irregulares. Ao mesmo tempo há uma grande massa de trabalhadores novos com pouca informação sobre segurança no trabalho", diz. Na próxima semana, o Sintracon pretende realizar o debate.
Acidente mata 2 operários
Desabamento de pavilhão em construção em Gravataí deixou mais quatro trabalhadores feridos
O desabamento da cobertura de um pavilhão em construção deixou dois trabalhadores mortos e quatro feridos, na manhã de ontem, em Gravataí. O acidente ocorreu no interior de um condomínio industrial, localizado na parada 90 da RS 030, conhecida também como avenida Ely Corrêa, no Parque dos Anjos. O operário Claiton de Souza Galão, de 40 anos, morreu no local. Ele estava colocando o telhado de fibrocimento quando a estrutura - composta por 12 vigas de concreto - desabou.
Os seis operários que trabalhavam na obra despencaram de uma altura de mais de 10 metros. Entre os feridos, alguns ficaram em estado grave. À tarde, o Hospital Dom João Becker (HDJB) confirmou a morte de José Luiz Castro, que estava internado na UTI. Outros três trabalhadores continuam em tratamento.
O efetivo do 8º Comando Regional de Bombeiros foi acionado para o socorro às vítimas. Policiais militares do 17º BPM apoiaram a ação dos bombeiros. Inicialmente, ambulâncias do Samu encaminharam os trabalhadores ao hospital da cidade. A obra onde ocorreu o desabamento foi embargada pela Defesa Civil Municipal, e a área ficou isolada para que fosse realizada a perícia do Departamento de Criminalística. A 1 DP de Gravataí abriu inquérito sobre o caso.
Responsável pela construção do pavilhão, uma empresa construtora de pré-moldados de concreto prestou assistência aos familiares das vítimas. Um dos diretores da empresa, Henrique Hemesath, disse suspeitar que "houve um colapso estrutural" no momento que o telhado de fibrocimento estava sendo colocado, com ajuda do guindaste, em cima da estrutura de vigas de concreto e cabos de aço.
Ao todo, estão sendo construídos seis pavilhões nesse condomínio industrial do Parque dos Anjos. O condomínio existe há 25 anos e já possui outros 16 pavilhões, que são ocupados por diversas empresas de diferentes ramos de atividade.
22-8-2011 – Federação Única dos Petroleiros
Basta de mortes e acidentes! FUP indica paralisação de 24 horas na próxima quinta-feira (25)
Somente em agosto, oito trabalhadores morreram na Petrobrás
Mais uma vez, os petroleiros choram a morte de colegas mortos em acidentes de trabalho na Petrobrás. Tragédias anunciadas que poderiam ter sido evitadas, se a empresa ouvisse as representações sindicais, que há anos denunciam a insegurança crônica que coloca em risco diário os trabalhadores, principalmente os terceirizados. A FUP convoca novamente a categoria a se manifestar contra a política autoritária de SMS, que mata e mutila os petroleiros. O indicativo é de paralisação de 24 horas na próxima quinta-feira, 25, com participação de todos os trabalhadores, próprios e terceirizados.
Mortes na Bacia de Campos - Na sexta-feira, 19, um helicóptero da Senior Táxi Aéreo caiu no mar, na Bacia de Campos, matando os quatro trabalhadores que estavam a bordo: o piloto Rommel Oliveira Garcia; o copiloto, Lauro Pinto Haytzann; Ricardo Leal de Oliveira, auxiliar técnico de planejamento da Engevix; e João Carlos Pereira da Silva, técnico de inspeção da Brasitest.
Morte no Rio Grande do Norte - Também na sexta-feira, 19, um outro acidente matou mais um trabalhador que prestava serviços para a Petrobrás. O operador de máquinas Márcio José da Silva do Vale, 23 anos, solteiro, contratado pela CM Construções, foi esmagado por uma motoniveladora, no campo de produção terrestre de Estreito, no Rio Grande do Norte.
Terceirização de risco - Somente em agosto, oito trabalhadores morreram em acidentes de trabalho em unidades da empresa. Todos eram prestadores de serviço. Desde o início do ano, já chegam a 11 as vítima de acidentes de trabalho na estatal. Todas as ocorrências envolvendo trabalhadores terceirizados. Um número alarmante que reflete a insegurança crônica no Sistema Petrobrás, fruto da ineficiência e autoritarismo de uma gestão de SMS que se preocupa muito mais com a produção e os lucros do que em zelar pela vida e saúde dos trabalhadores.
A FUP e seus sindicatos vêm denunciando há anos esta situação, cobrando da Petrobrás um debate aberto com as representações dos trabalhadores, cujas propostas de mudanças na política de segurança têm sido rotineiramente desprezadas pelos gestores da empresa. Só com mobilização constante conseguiremos alterar essa realidade e garantir um ambiente seguro de trabalho para todos.