19-8-2011 - Sinait
Eles reclamam de assédio moral para que o cronograma das obras siga no prazo estabelecido
Trabalhadores que atuam na construção ou reforma de estádios de futebol para a Copa do Mundo de 2014 começam a se rebelar por melhores condições de trabalho. Na quarta-feira 17, os operários do Maracanã iniciaram uma greve depois que um trabalhador se acidentou, ficando gravemente ferido.
Nesta sexta-feira, 19, os operários envolvidos na reforma da Fonte Nova, em Salvador, acusaram os empregadores de assédio moral e ameaçam entrar em greve.– o consórcio responsável pela obra estaria fazendo ameaças para que o cronograma seguisse no prazo estabelecido, por isso, os encarregados exigem que os trabalhadores executem suas funções além da capacidade física para acelerar o ritmo da construção.
A possível paralisação dos trabalhadores da Fonte Nova será discutida em uma assembleia marcada para segunda-feira, 22, às 7 horas, no canteiro de obras, quando os 980 trabalhadores devem fazer suas reivindicações.
De acordo com o coordenador de Projetos de Construção Civil da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego da Bahia – SRTE/BA, o Auditor-Fiscal do Trabalho, Maurício Passos, mesmo com poucos Auditores-Fiscais, a SRTE está fazendo um trabalho sistemático de fiscalização na construção civil no Estado. De janeiro a julho de 2011, os Auditores-Fiscais fizeram 42 embargos e interdições de obras. Por mês eles fiscalizam 30 canteiros, mas o ideal seria o dobro, ou seja, 60 canteiros, reconhece Maurício.
Atualmente, a coordenação de construção civil no Estado da Bahia atua com 10 Auditores-Fiscais do Trabalho, sendo cinco especializados em Saúde e Segurança do Trabalho e os outros cinco em legislação e FGTS, o que segundo a presidente do Sinait, Rosângela Rassy, é preocupante. “A categoria dos Auditores-Fiscais do Trabalho está preocupada com o aumento dos acidentes no Brasil e com a diminuição do número de Auditores-Fiscais especializados em Segurança e Saúde no Trabalho”. Ela lembra que “a Organização Internacional do Trabalho - OIT recomenda cinco mil Auditores-Fiscais do Trabalho para o Brasil, enquanto o quadro atual é de cerca de 2.800 profissionais, reduzidos diariamente pelo número de aposentadorias”, destaca Rosângela.
De acordo com a presidente do Sinait, “com um número de Auditores-Fiscais do Trabalho reduzido, as fiscalizações que deveriam ser constantes em obras como estas acabam ocorrendo por amostragem. O Distrito Federal, por exemplo, tem mais 3 mil canteiros de obras para serem fiscalizados, conta com 70 Auditores-Fiscais do Trabalho na ativa e apenas 18 têm especialização em Saúde e Segurança do Trabalho. Destes apenas dez atuam na construção civil”, explica Rosângela .
Mais detalhes sobre o problema com os operários em Salvador e as negociações com os do Maracanã nas matérias abaixo.
19-8-2011 – UOL Notícias
Trabalhadores da Bahia reclamam de assédio moral e ameaçam parar obras na Fonte Nova
Thales Calipo
Os problemas no Rio de Janeiro e a paralisação das obras no Maracanã não são um fato isolado nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. O próximo foco deve ocorrer em Salvador, já que os trabalhadores envolvidos na reforma da Fonte Nova reivindicam melhores condições, acusam os empregadores de assédio moral e, com isso, também ameaçam entrar em greve.
A possível paralisação será discutida em uma assembleia marcada para esta segunda-feira, às 7h, no canteiro de obras da Fonte Nova. Lá, os 980 trabalhadores envolvidos na obra devem expor as reivindicações e, se não forem atendidos, podem iniciar o processo para entrar em greve.
“Vamos levar e avaliar a posição da empresa para os trabalhadores. Só eles podem decidir se irão parar ou não. Mas se tiverem uma posição contrária [às propostas dos empregadores], daremos oito dias para que haja um acordo. Caso isso não aconteça, teremos outra assembleia para decidir sobre a paralisação”, explicou Adalberto Galvão, presidente do Sintepav-Bahia, o sindicato que representa os trabalhadores da obra da Fonte Nova.
De acordo com o sindicalista, um dos principais problemas é o assédio moral sofrido pelos trabalhadores. Segundo ele, pessoas ligadas à Fonte Nova Participações (formada pelas empresas OAS e Odebrecht) estariam fazendo ameaças para que o cronograma das obras seguisse no prazo estabelecido.
“Existe um grupo de encarregados que exige que os trabalhadores executem suas funções além da capacidade física para acelerar o ritmo das obras. A empresa que avançar loucamente o cronograma e, quando alguém se nega, eles ameaçam demiti-lo”, denuncia Galvão.
Na lista de reivindicações ainda conta outros pontos importantes, como a contratação de um plano de saúde para os trabalhadores, além do aumento no valor pago pela participação nos lucros e nas horas extras realizadas.
Segundo o sindicato, os trabalhadores envolvidos na reforma da Fonte Nova cumprem uma carga horária semanal de 44 horas, de segunda a sexta-feira, e o salário para um pedreiro, por exemplo, é de R$ 1.043 mensais, além de uma cesta básica de R$ 130.
Em nota oficial enviada ao UOL Esporte, a Fonte Nova Participações informou desconhecer a realização da assembleia pelos trabalhadores, além de negar quaisquer problemas com os operários.
"A Fonte Nova Participações (FNP), empresa responsável pela reconstrução e gestão da Arena Fonte Nova, esclarece que sempre manteve um bom relacionamento com os colaboradores e com o Sindicato(Sintepav-Bahia) e que todas as negociações tem sido realizadas satisfatoriamente para ambas as partes. Não havendo previsão de realização de assembleia no canteiro para a próxima segunda-feira", informou a empresa, por meio da assessoria de imprensa.
19/08/2011 - 08h35 - UOL Notícias
Negociação entre consórcio do Maracanã e operários avança e fim da greve será votado hoje
Maria Clara Serra - No Rio de Janeiro
A greve dos operários que trabalham na reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 pode estar perto do fim. Após duas longas reuniões realizadas na última quinta com os representantes do Consórcio Maracanã 2014, formado pelas construtoras Delta, Odebrecht e Andrade Gutierrez, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada (Sitraicp) conseguiu a garantia de ter atendida algumas de suas reivindicações, como a autorização para trabalhar de bermuda e o plano de saúde. Os operários estão reunidos desde as 6h desta manhã para votar o fim da greve.
O plano de saúde, um pedido antigo dos trabalhadores, será viabilizado a partir do dia 1º de setembro. Outra melhoria conseguida foi o aumento de 10% no valor da cesta básica, que passou dos R$ 100 para R$ 110. Além disso, o consórcio prometeu não descontar os dias de paralisação do salário dos funcionários.
Apesar das vitórias, pedidos como o aumento do piso salarial de algumas categorias, o pagamento quinzenal do salário, que hoje é feito por mês, e garantias de salubridade e segurança na obra ainda não foram atendidos. Para que esta última reivindicação seja concedida, o sindicato escolherá, com a aprovação do consórcio, um especialista para inspecionar as condições de trabalho no local.
As obras no estádio foram orçadas em R$ 705 milhões. Contando os dois turnos de trabalho, 2.100 operários são responsáveis pelas melhorias no estádio. Questionados sobre um possível atraso no cronograma, a Empresa de Obras Públicas (Emop), que gerencia e fiscaliza a reforma, divulgou, na quinta-feira, uma nota oficial afirmando que os dois dias de paralisação não irão interferir no prazo de conclusão do estádio.
A greve começou na última quarta, quando a explosão de um tonel com produtos inflamáveis feriu o ajudante de produção Carlos Felipe da Silva Pereira. O operário foi atirado a dois metros de distância e sofreu queimaduras e um traumatismo no joelho. Ele foi encaminhado ao hospital Souza Aguiar e passa bem.