Marcha das Margaridas pede aprovação da PEC do Trabalho Escravo


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
18/08/2011



A aprovação de propostas como a Proposta de Emenda Constitucional - PEC 438/01, que prevê medidas de combate ao trabalho escravo, e a PEC 30/07, que estabelece a concessão obrigatória de licença-maternidade de 180 dias a todas as operárias, fizeram parte das reivindicações feitas por mais de 70 mil mulheres camponesas que participaram da Marcha das Margaridas nesta quarta-feira, 17, em Brasília. Na terça-feira, quando as mulheres ainda estavam chegando a Brasília, houve uma manifestação na Câmara dos Deputados em defesa da aprovação das duas propostas, que aguardam votação pelo Plenário da Câmara.


As mulheres também lutam por melhores condições de trabalho no campo, onde as desigualdades, a violência e ausência do poder público aumentam o êxodo rural. A lista de reivindicações é extensa, são mais de 150 itens baseados em temas como biodiversidade, segurança alimentar, participação política, autonomia econômica, saúde, educação e combate à violência.

 

O Governo Federal ainda não acatou todas as exigências, mas a presidente Dilma Roussef se comprometeu a continuar conversando com as mulheres camponesas. “Muitas das demandas foram acatadas, outras demandas nós vamos continuar a conversa. A maior conquista dessa Marcha das Margaridas é a continuidade do diálogo com o governo. Eu me comprometo a dar continuidade a esse dialogo respeitoso e companheiro que nós temos, iniciado no governo Lula”, prometeu a presidente.

 

Durante o ato de encerramento da 4ª Marcha das Margaridas, que aconteceu no Parque da Cidade, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff anunciou a construção de 16 unidades básicas de saúde fluviais para atender a Região Amazônica, e a construção de 10 Centros de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerests), em todo Brasil, além de medidas de fomento à inclusão produtiva das mulheres.

 

A manifestante e secretária de Mulheres da Contag, Carmen Foro, destacou que os problemas enfrentados pelas trabalhadoras rurais são cada vez maiores. Segundo ela havia em torno de 7% de mulheres nas listas de ameaçados para morrer na luta pela terra e, de 2001 para cá, este número aumentou significativamente. “Hoje, as mulheres representam mais de 20% dessas listas”, afirmou.

 

A Marcha das Margaridas está na sua quarta edição e tem esse nome em alusão ao assassinato, em 1983, de Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB).

Mais detalhes sobre este assunto nas matérias abaixo do G1 e da Contag.

 

 

16-8-2011 – Agência Câmara

Marcha das Margaridas pede na Câmara fim do trabalho escravo

Gustavo Lima

 

Dezenas de mulheres com chapéus floridos e cruzes nas mãos lotaram um dos corredores da Câmara dos Deputados nesta terça-feira no início da chamada Marcha das Margaridas. O movimento das trabalhadoras rurais reivindicou a aprovação de propostas como a PEC 438/01, que prevê medidas de combate ao trabalho escravo, e a PEC 30/07, que estabelece a concessão obrigatória de licença-maternidade de 180 dias a todas as operárias. Os dois textos precisam ser votados pelo Plenário da Casa.

 

A Marcha das Margaridas está na sua quarta edição e tem esse nome em alusão ao assassinato, em 1983, de Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB). A expectativa é que amanhã 100 mil mulheres participem do protesto organizado pelo grupo na Esplanada dos Ministérios.

 

A secretária das Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Carmen Foro, ressaltou que é grande a ansiedade para o encontro com a presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira. A manifestante destacou que os problemas enfrentados pelas trabalhadoras rurais são cada vez mais maiores:  "Havia em torno de 7% de mulheres nas listas de ameaçados para morrer na luta pela terra e, de 2001 para cá, isso aumentou significativamente. Hoje, as mulheres representam mais de 20% dessas listas. Nossa marcha aumenta a cada dia, porque infelizmente o meio rural e os recursos naturais estão na mira dos poderosos e dos capitalistas deste País".

 

Carmen Foro explicou ainda que a marcha deste ano especificamente tem como tema maior a questão do desenvolvimento sustentável no campo.

 

Íntegra da proposta:



 

  

17-8-2011 – Globo Rural

Marcha das Margaridas vai à Brasília reunindo 70 mil mulheres

 

Movimento reúne trabalhadoras rurais de todas as partes do país .Elas discutem no Congresso uma lista de reivindicações.

 

Do Globo Rural

 

A organização estima que estejam em Brasília 70 mil mulheres, que deixaram tudo para trás, casa, família e filhos. Foram quase dois anos de preparação para a marcha.

 

Na abertura oficial, Carmen Foro, coordenadora, contou como foi difícil chegar até lá. “Foram muitos pastéis vendidos, panos bordados, rifas vendidas, muitas festas que fizemos para garantir a discussão de uma plataforma política que não diz respeito somente ao nosso umbigo como trabalhadoras do campo, mas ao desenvolvimento sustentável do nosso país”.

 

A lista de reivindicações é extensa, são mais de 150 ítens baseados em temas como biodiversidade, segurança alimentar, participação política, autonomia econômica, saúde, educação e violência. A mesma violência da qual foi vítima Margarida Alves, agricultora assassinada em 1983, que inspirou o movimento. Margarida defendia os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais.

 

Entre os pedidos das Margaridas está a criação de patrulhamento móvel nas comunidades rurais. A resposta será dada pelo governo na quarta-feira (17), mas o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence antecipou uma das medidas: as mulheres terão participação garantida no programa de aquisição de alimentos do governo federal. “Nós vamos ter cota para organização das mulheres, cotas de 30 a 40%, seja em item de estoque, seja por compra direta no Fome Zero”.

 

 

18-8-2011 – Agência Contag de Notícias

“Nunca estaremos satisfeitas com as respostas", diz Carmem Foro

 

Em resposta à pauta de reivindicações da Marcha das Margaridas, a presidenta Dilma Rousseff anunciou medidas sobre saúde e fomento a inclusão produtiva das trabalhadoras rurais

 

Durante ato de encerramento da 4ª Marcha das Margaridas, que aconteceu no Parque da Cidade, em Brasília, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a construção de 16 unidades básicas de saúde fluviais para atender a região amazônica, e a construção de 10 Centros de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerests), em todo Brasil, além de medidas de fomento à inclusão produtiva das mulheres. Na avaliação inicial da secretária de Mulheres da Contag, Carmen Foro, o atendimento à pauta foi a contento.

 

Segundo a secretária explicou, desde 2000, quando da realização da primeira Marcha, as mulheres foram conquistando ao longo do tempo políticas públicas específicas para as mulheres. “O que vemos agora é a implementação dessas políticas conquistadas”, considerou a dirigente.

Indagada se estava satisfeita com as respostas anunciadas, a secretária da Contag disse que as mulheres nunca estarão satisfeitas, “sempre vamos querer mais, pois é próprio da natureza da mulher batalhadora querer melhorar sua condição de vida”, disse a dirigente feminista.

 

Durante discurso de encerramento, o presidente da Contag, Alberto Broch, lembrou de todas as mulheres que não puderam participar da Marcha, mas que estavam em seus estados aguardando as conquistas dessa mobilização, que segundo ele, “ficou marcada na história como a maior mobilização de mulheres organizadas, do Brasil, da América Latina e quem sabe do mundo”, considerou.

 

Broch ainda disse que muitas das políticas que ainda estão florescendo no campo brasileiro são frutos das Marchas passadas que deixaram um legado de luta por igualdade e justiça no campo. “São mulheres guerreiras que de forma autônoma cobram do governo melhores condições de vida e de renda”, afirma. O presidente cobrou da presidenta Dilma Rousseff a inserção dos trabalhadores e trabalhadoras rurais em seu programa de governo que busca erradicar a miséria. “Queremos participar desse resgate de milhares de famílias que estão na miséria no campo brasileiro”, reivindicou.

 

A ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Iriny Lopes, fez um discurso incisivo em que lembrou a importância da eleição da primeira mulher presidenta do Brasil. “Todas vocês sabem da importância desse feito, e mais do que isso, sabem o que isso significa, e por isso estão aqui cobrando a igualdade entre homens e mulheres. A ministra ainda continuou: “Uma mulher na presidência da república está fazendo tudo aquilo que muitos acharam que uma mulher não era capaz de fazer, e essa vitória também é de cada uma de vocês”, complementou.

 

Ao dizer que Brasília é a capital de todos os Brasileiros, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, se referiu à presidenta Dilma Rousseff como mais uma das Margaridas que faz história no Brasil. Para o governador, todas as bandeiras de luta das trabalhadoras rurais foram fortalecidas com a mobilização. Segundo ele, a Marcha  chamou a atenção do Brasil e do mundo, “e o mais importante é que a pauta de reivindicações não se limitou as bandeiras exclusivas da mulher, mas de uma sociedade justa e igualitária com oportunidade para todos”, afirmou.

 

Ao entregar o caderno de respostas às reivindicações da Marcha das Margaridas, a presidenta Dilma Rousseff disse que a Marcha a emociona não apenas enquanto presidenta da república, mas como mulher e cidadã. Um dos anúncios feitos pela presidenta é a continuidade do diálogo para o atendimento aos itens que não puderam ser atendidos no momento. “Garanto a vocês a continuidade de reuniões e o diálogo de negociação iniciado com o presidente Lula”, afirmou a Rousseff.

 

Ainda na área da saúde, a presidenta disse que vai implementar programas como o Rede Cegonha, que ampara mulheres gestantes no intuito de reduzir a mortalidade materna do campo e da floresta, e também vai fomentar a campanha nacional de câncer de colo de útero e de mama. Anunciou ainda o estudo para a construção de um mapa da saúde do campo e um plano integrado de saúde às populações expostas aos agrotóxicos.

 

A Contag e a coordenação nacional de trabalhadoras rurais, junto com a rede de parceiras da Marcha das Margaridas vão analisar todo o conteúdo do caderno de respostas à pauta de reivindicações, e vai continuar o diálogo com o governo para conquistar os pontos que não avançaram até o momento.

 

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