Aproximadamente 1.500 funcionários que trabalham nas obras de reforma do estádio do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, entraram em greve na tarde desta quarta-feira (17). Eles pedem melhores condições de trabalho após um funcionário se acidentar gravemente. Os trabalhadores em greve querem aumento salarial, vale-alimentação e plano de saúde.
O trabalhador se acidentou ao cortar um galão que era usado para guardar combustível. Esse tipo de galão não pode ser reutilizado, mas o encarregado da obra pediu para que o funcionário o cortasse ao meio, foi quando o galão explodiu. O operário sofreu um traumatismo no joelho, queimaduras e vai passar por uma cirurgia.
Os acidentes, inclusive com mortes, na construção civil têm crescido assustadoramente nos últimos meses. O número de obras aumentou bastante, enquanto a quantidade de Auditores-Fiscais do Trabalho para fazer a fiscalização da segurança e saúde dos trabalhadores, só diminui. Atualmente são 2.900 Auditores-Fiscais do Trabalho na ativa, enquanto o ideal, recomendado pela OIT, seria cinco mil.
O preenchimento de vagas para o cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho é uma luta antiga do Sinait que, no momento, busca a contratação dos aprovados no último concurso para o cargo. Além disso, o Sindicato Nacional luta pela ampliação do quadro da Auditoria-Fiscal, para que atinja o contingente necessário previsto na Convenção 81, ratificada pelo governo brasileiro.
Em ações realizadas desde o início deste ano a Fiscalização do Trabalho constatou diversas irregularidades em alojamentos de obras do Plano de aceleração do Crescimento - PAC, onde trabalhadores vivem em locais superlotados, sem ventilação e com problemas de higiene e saneamento. Além de receberem alimentação precária, trabalham sem equipamentos de segurança e suas carteiras de trabalho ficam retidas por um longo tempo com os empreiteiros. Toda essa degradância a que são submetidos se deve, principalmente, à incessante busca por custos mais baixos e altos lucros por parte das empresas contratadas para executar as obras, com o agravante de as empresas terem a seu favor o número reduzido de Auditores-Fiscais do Trabalho para se manterem impunes.
Outra obra
Em junho, trabalhadores que fazem a reforma do estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG), também entraram em greve e reivindicavam melhores condições de trabalho e segurança e plano de saúde. O estádio será sede de jogos da Copa do Mundo de 2014.
Mais informações sobre o acidente na reforma do Maracanã nas matérias abaixo.
17-8-2011 – Portal R7
Explosão no Maracanã fere funcionário e para obra do estádio
Trabalhadores ameaçam fazer greve e pedem melhores condições
Cerca de 1.500 funcionários que trabalhavam nas obras de reforma do estádio do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, entraram em greve na tarde desta quarta-feira (17). Eles pedem melhores condições de trabalho após um funcionário se acidentar gravemente no início desta manhã. Ele foi levado para Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio.
Segundo o diretor do Sindicato da Construção Pesada, Romildo Vieira da Silva, o homem que trabalhava como ajudante na obra ficou ferido ao cortar um galão que era utilizado para guardar combustível.
- O galão estava vazio e o certo é não reutilizar, mas o encarregado pediu para que o funcionário o cortasse ao meio, quando ele estava fazendo isso o galão explodiu e ele ficou gravemente ferido, não podemos trabalhar assim. Essa situação causou esse acidente, mas nas condições que trabalhamos pode acontecer até algo pior.
Uma reunião de emergência foi marcada para o final da tarde desta quarta com representantes do consócio que administra a obra, mas para o diretor do sindicato a greve não irá terminar enquanto as reivindicações não forem atendidas.
Segundo a assessoria de imprensa da secretaria de saúde, o trabalhador sofreu um traumatismo no joelho, queimaduras e vai passar por uma cirurgia.
17-8-2011 – Folha on line
Operários interrompem reforma do Maracanã em protesto no Rio
SÉRGIO RANGEL - DO RIO
A reforma do Maracanã, palco da final da Copa-2014, foi interrompida na manhã desta quarta-feira após a explosão de um galão com resíduos de produtos químicos. O operário Carlos Felipe de Souza sofreu queimaduras nas pernas. Ele foi levado para o Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio.
Depois da explosão, operários realizaram uma manifestação e interromperam o trabalho. Eles ameaçam entrar de greve por melhores condições de trabalho. O grupo reivindica aumento salarial, vale-alimentação e plano de saúde. Mil operários trabalham no estádio.
Os operários negociam agora com representantes do consórcio responsável pela obra.
O Maracanã deverá sair por quase R$ 1 bilhão. O estádio será totalmente reformulado e terá a capacidade reduzida dos atuais 86 mil lugares para 80 mil.
Em abril, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) aprovou a demolição da cobertura de concreto do Maracanã, o que encareceu ainda mais a obra.
Pelo projeto atual, o Maracanã ganhará uma cobertura de lonas tensionadas por uma estrutura de aço. O Mundial será de 12 de junho a 13 de julho de 2014.