Durante a segunda audiência pública da Comissão Especial sobre a Regulamentação do Trabalho Terceirizado da Câmara, realizada na última quarta-feira, 29, representantes de sindicatos de trabalhadores defenderam a responsabilidade solidária das obrigações trabalhistas entre as empresas contratantes e contratadas.
O anseio das centrais sindicais é diferente da responsabilidade subsidiária, proposta no Projeto de Lei 4330/04, do deputado Sandro Mabel (PR/GO). Segundo a matéria, que já foi aprovada na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara (CTASP), a empresa contratada é a responsável pelos direitos dos empregados, a tomadora só assumiria as obrigações em caso de falência da contratante, quando todos os bens estivessem esgotados.
Para o jurista Almir Pazzianotto, que já foi ministro do Trabalho e participou da audiência, a responsabilidade solidária é a opção mais segura para o trabalhador. Porém, acredita que como não haverá consenso sobre a proposta, a responsabilidade subsidiária poderia ser uma 1ª opção, mas em caso de quebra de contrato entraria a solidariedade.
O representante da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), Magnus Ribas Apostólico, sugeriu também que as empresas tomadoras devem exercer papel fiscalizador sobre as contratadas em relação aos direitos dos trabalhadores.
O Sinait é contra o projeto do deputado Sandro Mabel e, como as Centrais Sindicais, concorda com a regulamentação do serviço terceirizado nos moldes da responsabilidade solidária. A entidade tem acompanhado atentamente o andamento da Comissão Especial. “Os trabalhadores terceirizados precisam ter seus direitos assegurados e estarem em igualdade de condições com os empregados da tomadora dos serviços”, alerta a presidente do Sinait, Rosângela Rassy.
O Sinait também defende o cumprimento da Súmula 331, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que proíbe a terceirização para a atividade fim das empresas tomadoras.
Na primeira audiência da Comissão, realizada no dia 15 de junho, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique destacou que o número de acidentes que envolve trabalhadores terceirizados é 3,21 vezes maior em relação aos empregados da contratante e um dos setores com maior incidência é a construção civil. Apontou também que 46% dos terceirizados não contribuem para a Previdência Social.
Tramitação
O objetivo da criação de comissões especiais na Câmara dos Deputados, em caráter temporário, é examinar e dar parecer sobre projetos que envolvam matérias que precisariam ser analisadas e votadas por mais de três comissões de mérito. No caso da Comissão sobre Terceirização, o relator é o deputado Roberto Santiago (PV-SP). Ele vai analisar 22 propostas sobre o tema e pretende entregar o relatório em agosto.
Roberto Santiago já manifestou que, da forma como está hoje, a terceirização precariza as relações de trabalho no Brasil. “O grande desafio é buscar um acordo para construir um relatório que atenda a todos para mudar essa situação”.
Aeroportos
A terceirização, dessa vez nos serviços da Polícia Federal, também foi tema de audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, na última terça-feira, 28. O presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Telmo Corrêa, denunciou que os serviços da corporação continuam sendo terceirizados nos aeroportos.
A medida deveria ser emergencial por conta do aumento da demanda de passageiros, mas está sendo mantida, o que o presidente da entidade considera ilegal pois os postos deveriam ser ocupados por servidores de carreira.
Telmo Corrêa afirmou ainda que a terceirização enfraquece a fiscalização e prevenção de crimes nos aeroportos como tráfico de armas e drogas. Ele considera que isso é um problema internacional e político para o Brasil.
A Comissão deve investigar a questão e pretende chamar o ex-diretor geral da PF, Luiz Fernando Correia, para prestar esclarecimentos sobre o tema.
Com informações da Agência Câmara.
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