Deputados pressionam por CPI do Trabalho Escravo na Câmara


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
17/06/2011



Em meio a pedidos pela inclusão da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/01 na pauta da Câmara dos Deputados, parlamentares pretendem compor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar casos de trabalho escravo no país. A matéria, engavetada na Casa há sete anos, prevê a expropriação de terras onde a prática de trabalho análogo a escravo seja comprovada.


Na visão dos deputados, a CPI pode ser um instrumento de conscientização sobre a necessidade de erradicar o crime no país. O presidente da Câmara, Marco Maia, já declarou que só vai incluir em pauta PECs consensuais. Não é o caso da 438/01, que sofre pressão da bancada ruralista.

 

A Frente Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, composta por diversas entidades, entre elas o Sinait, faz pressão pela aprovação da PEC 438/01. A Frente já realizou várias manifestações pelo país e entregou ao então presidente da Câmara, Michel Temer, um abaixo-assinado com 500 mil assinaturas em favor da proposta em maio de 2010.

 

Na época, Temer afirmou que levaria a PEC 438/01 à avaliação do colégio de líderes. Porém, até hoje, não há previsão sobre a votação. A PEC 438/01 é de autoria do ex-senador paraense Ademir Andrade (PSB) e foi aprovada em dois turnos no Senado. Em 2004, passou em 1º turno no plenário da Câmara e aguarda votação do 2º turno.

 

Mais informações na matéria do Congresso em Foco.



15/06/2011 - Congresso em Foco

PEC do Trabalho Escravo: sem acordo deputados do PT prometem CPI

O receio de um novo embate com a bancada ruralista, menos de um mês após a derrota na aprovação do novo Código Florestal na Câmara, faz o governo resistir aos apelos de deputados do partido da presidente Dilma Rousseff (PT) para retomar a votação da PEC do Trabalho Escravo.

 

Há quase sete anos no plenário da Casa, a proposta de emenda à Constituição que prevê a expropriação de terra onde for constatado trabalho escravo deve seguir engavetada. Além da preocupação do governo, a proposição esbarra na resistência dos líderes partidários e do próprio presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), de incluí-la novamente na pauta.



Marco Maia decidiu que só vai submeter a votação em plenário propostas de emenda constitucional que tenham consenso entre os partidos, o que está longe de ocorrer com a PEC do Trabalho Escravo, bombardeada por deputados ligados ao agronegócio.

 

CPI

Há dois meses, a presidência da Câmara também segura a instalação da CPI do Trabalho Escravo, requerida por um colega de partido, o também petista Cláudio Puty (PA). O início dos trabalhos da comissão parlamentar de inquérito ainda depende do aval de Maia.



"Se não pautarmos imediatamente a PEC, vamos usar a CPI do Trabalho Escravo para pressionar. Queremos a instalação da CPI para que ela possa servir como instrumento de esclarecimento e mobilização pública sobre a necessidade de aprovar a PEC", defende Cláudio Puty, presidente da Comissão de Finanças e Tributação.

 

Terça-feira (14) ele e Domingos Dutra (PT-MA), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, propuseram a Marco Maia que paute imediatamente a PEC do Trabalho Escravo. A sugestão foi feita durante reunião do presidente da Câmara com os presidentes das comissões. O petista gaúcho, no entanto, não deu nenhuma resposta.



Os ruralistas, que impuseram a primeira grande derrota à presidenta Dilma na votação do Código Florestal, contestam a configuração do trabalho escravo e reclamam do confisco de terra, considerado por eles uma medida excessiva contra o produtor rural flagrado mantendo trabalhadores em condições degradantes e jornada exaustiva.

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