Fiscalização encontra problemas em fábrica de veículos no PR


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
14/06/2011



O jornal Folha de São Paulo divulgou hoje, 14 de junho, reportagem sobre fiscalização ocorrida no Paraná, em uma fábrica de veículos, neste mês. Segundo a matéria, os Auditores Fiscais do Trabalho - AFTs constataram sobrecarga de trabalho, descumprimento de intervalo mínimo entre jornadas e repetição exaustiva de movimentos. As razões para isso seriam o adoecimento e conseqüente afastamento de trabalhadores, em grande proporção. Os que ficam na fábrica têm que trabalhar dobrado e fazer muitas horas extras, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba.

 

Ainda segundo a matéria do jornal, o valor da maior autuação aplicada foi de 8 mil reais e a empresa estaria recorrendo. O Sindicato dos Metalúrgicos afirma que o baixo valor não incomoda a empresa e que ela vai continuar descumprindo a legislação. O Sinait já denunciou, por várias vezes, o valor irrisório das multas aplicadas e está informado de que existe projeto da Secretaria de Inspeção do Trabalho para atualização, porém, ainda não saiu da esfera do Executivo para o Legislativo, onde tem que ser aprovado.

 

A assessoria do Sinait entrou em contato com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Paraná para saber mais detalhes da operação, pois os problemas relatados na reportagem, pelo Sindicato dos Metalúrgicos e pelo Ministério Público do Trabalho (segundo a Folha, o MPT solicitou a fiscalização) são graves e afetam muitos trabalhadores. Até o fechamento desta matéria não foram fornecidas mais informações pela SRTE/PR.

 

Recentemente os empregados da fábrica fizeram uma greve que durou 37 dias – a mais longa do mundo, segundo o Sindicato – e obtiveram êxito em várias reivindicações salariais em acordo fechado no dia 10 de junho, veja notícia no link

 

 

Leia a matéria da Folha:

 

14-6-2011 – Folha de São Paulo

Fiscais veem má condição de trabalho na Volks



Doenças e lesões atingem até 20% dos metalúrgicos em fábrica do Paraná

Sindicato diz que situação é ainda pior e que maior multa foi de apenas R$ 8.000; greve na fábrica durou 37 dias

FELIPE VANINI BRUNING - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Sobrecarga de trabalho, descumprimento do intervalo mínimo entre jornadas e repetição exaustiva de movimentos são alguns dos problemas apontados pela SRT-PR (Superintendência Regional do Trabalho no Paraná) na fábrica da Volkswagen de São José dos Pinhais (PR).

A inspeção foi feita a pedido do MPT (Ministério Público do Trabalho). Foi ali que 3.100 metalúrgicos fizeram greve de 37 dias, encerrada na sexta.

Segundo o relatório, de junho do ano passado, 357 trabalhadores da Volks estavam afastados em auxílio-doença por um prazo superior a 15 dias, ou 12% do total de metalúrgicos, metade deles com distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, porém, afirma que o número de lesionados atinge quase 600 casos (20% do total de metalúrgicos). A maior parte deles era dos setores de montagem, pintura e armação.

Baseada na fiscalização dos auditores fiscais do trabalho, a SRT-PR aplicou diversos autos de infração à Volks. O de maior valor, porém, não passa de R$ 8.000.

A Volks está recorrendo. "Esse valor é irrisório para qualquer empresa. Imagine para uma montadora que produz 820 carros por dia. Vale mais a pena para a Volks continuar descumprindo a lei", diz Sérgio Butka, presidente do sindicato.

Para Mário Freitas, engenheiro do trabalho que presta assessoria para o sindicato, em alguns postos da Volks a chance do metalúrgico de adquirir uma doença de trabalho atinge 60% em três anos.

"Eles têm de repetir um movimento a cada 15 segundos e, como muitos estão doentes, os que sobram acabam sobrecarregados porque precisam trabalhar pelos ausentes", diz Freitas. O relatório da SRT deu origem a um inquérito no Ministério Público do Trabalho.

"Pedimos que a direção da Volks assinasse um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), mas eles se recusam a admitir que os problemas dos metalúrgicos são decorrentes do trabalho", diz a procuradora Marília Coppla, responsável pelo inquérito. "Como já comprovamos esse nexo, o próximo passo será uma ação civil pública."



HORA EXTRA

Outro problema é o excesso de hora extra. Segundo o sindicato, só em maio, foram mais de 60 mil horas extras.

"Fazia muitas horas extras. A gente se matava", afirma o metalúrgico Mauro César Camilo, 39.

Depois de quatro anos como soldador, Camilo adquiriu bursite e tendinite. "Acordei um dia com meu braço travado", diz.

Camilo se afastou pelo INSS e passou por três cirurgias e diversas horas de fisioterapia durante sete anos. Agora recebeu alta médica e deve retornar em outra função com o fim da greve. "Volto pela metade. Inteiro, nunca mais vou ficar."

Colaborou ESTELITA HASS CARAZAI, de Curitiba

 

OUTRO LADO - Para empresa, fábrica é das mais modernas



ESPECIAL PARA A FOLHA

 



Procurada diversas vezes nas últimas três semanas, a Volkswagen não designou um responsável para falar sobre a situação da fábrica.

 

A Folha tentou entrar em contato com responsáveis pela fábrica no Paraná, mas ninguém se dispôs a falar. Após receber por e-mail todas as informações contidas na reportagem, a Volks disse apenas que "sempre respeitou a legislação e os acordos coletivos, trabalhando intensamente para o desenvolvimento das relações trabalhistas, com o objetivo de promover a melhoria das condições de seus colaboradores em compasso com o crescimento das operações de suas fábricas no Brasil".



A unidade de São José dos Pinhais é uma das mais modernas do grupo no mundo e adota conceitos eficazes de ergonomia e segurança do trabalho". (FVB)

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