As principais doenças que atingem os trabalhadores do transporte rodoviário urbano foram mapeadas em pesquisa feita pela Universidade de Brasília - UnB a pedido do Blog do Trabalho. Surdez, má circulação sanguínea, labirintite, problemas nas articulações, doenças atribuídas ao estresse, entre estas, o acometimento de loucura, distúrbios do sono, queda de cabelo e irritabilidade, estão entre os males que acometem esses trabalhadores.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal, João Osório, o estresse provocado pelo trânsito caótico, aliado a pressões por cumprimento de horário, a ferramenta de trabalho ultrapassada, entre outras situações, colocam esta categoria entre as profissões mais estressantes.
Pelos dados do Ministério da Previdência Social, em 2010, foram concedidos 5.450 Auxílios-Doença a trabalhadores do transporte terrestre. Desse total, 2.342 são relacionados com doenças do sistema osteomuscular (envolve ossos e músculos) e do tecido conjuntivo; 1.348 com transtornos mentais e comportamentais; e 802 a lesões, envenenamento e outras conseqüências e causas externas.
Para a presidente do SINAIT, Rosângela Rassy é necessário a implementação de mudanças nas condições e no ambiente de trabalho desses profissionais, para minimizar os efeitos negativos do trabalho sobre sua saúde. Somente a atuação da fiscalização do trabalho não consegue coibir os abusos cometidos contra esses trabalhadores, e a organização da categoria é essencial para ocasionar essas mudanças.
Mais detalhes sobre este assunto na matéria abaixo.
2-5-2011 – Blog do Trabalho
Exclusivo: mapeamos as principais doenças que atingem os trabalhadores do transporte rodoviário urbano
Por Maristela Leitão
Pesquisa feita especialmente para o Blog do Trabalho pela professora de Saúde do Trabalhador da Universidade de Brasília (UnB), Anadergh Barbosa Branco, revela que, em 2008, no setor de transporte rodoviário urbano, para cada 10 mil vínculos empregatícios, ocorreram 903,2 solicitações de auxílio doença. E para cada benefício acidentário ocorreram 4,7 benefícios previdenciários.
O benefício acidentário (que inclui o auxílio acidente, a aposentadoria por invalidez acidentária, a pensão por morte acidentária e o auxílio doença acidentário) está diretamente relacionado com os afastamentos ocasionados pela atividade laboral. Já o beneficio previdenciário está relacionado com o auxílio doença comum, como o salário maternidade, auxílio reclusão, auxílio doença e as diversas aposentadorias alcançadas por tempo de contribuição.
Segundo Anadergh, as principais causas clinicas de beneficio auxílio-doença para trabalhadores do transpor urbano foram a fratura ao nível do punho e da mão, transtornos de discos intervertebrais (hérnias de disco), depressão, fratura ao nível da perna, incluindo o tornozelo e outros transtornos ansiosos. Quando considerados apenas os benefícios acidentários, as causas se concentram nas lesões: dorsalgia; fratura ao nível do punho e da mão; fratura ao nível da perna, incluindo o tornozelo; fratura do pé exceto tornozelo; reação ao estresse grave.
Para a especialista, uma maneira de amenizar o aparecimento de doenças relacionadas com a atividade dos trabalhadores do transporte rodoviário urbano, e também de outros setores de atividade, “seria o investimento na profissionalização das Relações de Trabalho”. Para ela, a legislação é apenas um balizador que na maioria das situações não consegue contemplar todos os aspectos relacionados com fatores desencadeadores das doenças e acidentes de trabalho. “Deve prevalecer o conhecimento e o bom senso na avaliação de cada situação ou condição que possa colocar em risco a segurança e a saúde do trabalhador”, explica a professora.
Isso porque, segundo Anadergh, a falta de profissionalização das Relações do Trabalho resulta em um ambiente de trabalho propício para a ocorrência de acidentes e para o aparecimento de doenças relacionadas com o trabalho, situação que, segundo ela, “traz conseqüências negativas mais complicadas do que se tem conhecimento”, observa.
Rodoviários sofrem de distúrbios do sono e até queda de cabelo
Para o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal, João Osório, além das doenças causadas por esta atividade, como surdez, má circulação sanguínea e labirintite, há entre os trabalhadores da categoria o registro de doenças atribuídas ao estresse, entre estas, o acometimento de loucura, distúrbios do sono, queda de cabelo e irritabilidade.
Além disso, segundo João Osório, a categoria também sofre com problemas nas articulações (principalmente nos joelhos) e hemorróidas. “A categoria dos trabalhadores em transporte rodoviários lida todos os dias com o estresse provocado pelo trânsito caótico, por pressões por cumprimento de horário, e diversas outras situações que os coloca entre as três profissões mais estressantes e, em geral, lidam com uma ferramenta de trabalho ultrapassada o que provoca grande desgaste físico”, observa.
Números
De acordo com dados do Ministério da Previdência Social foram concedidos 5.450 Auxílios-Doença em 2010 a trabalhadores do transporte terrestre. Desse total, 2.342 são relacionados com doenças do sistema osteomuscular (formado pelos ossos, músculos e articulações e as estruturas necessárias à realização de movimentos, como tendões, ligamentos e bursas) e do tecido conjuntivo (O tecido conjuntivo ou tecido conectivo é amplamente distribuído pelo corpo); e 1.348 tem a ver com doenças transtornos mentais e comportamentais e 802 são por causa de lesões, envenenamento e outras conseqüências e causas externas.