Em ação realizada há duas semanas, AFTs de Goiás regularizaram a situação trabalhista de 80 pessoas que eram transportadas em dois ônibus, em péssimo estado de conservação, para trabalhar em Rondônia e em Mato Grosso do Sul
Operação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego/SRTE de Goiás em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal - PRF flagrou várias irregularidades trabalhistas em transportes de cargas e em um escolar, em Jataí/GO, nesta terça-feira, 12. A ação, que durou 17 horas, resultou na interdição de atividade de vários caminhoneiros e na autuação das empresas proprietárias dos veículos que, na grande maioria, transportava soja.
Esse tipo operação vem sendo realizada com freqüência no Estado de Goiás, e tem como finalidade reprimir as más condições de trabalho dos caminhoneiros, a exemplo de jornadas exaustivas, entre outras irregularidades.
De acordo com a AFT Jaqueline Carrijo, que comandou a operação, um caminhoneiro teve sua atividade interditada por 11 horas, devido a uma jornada de trabalho de 23 horas, quando o normal é trabalhar 8 horas. Entre as irregularidades também foram constatadas a falta de lugar adequado para repouso e alimentação dos motoristas. “Muitos dormem nas boleias dos caminhões, o que é proibido pela legislação trabalhista, ou seja, local de trabalho não pode ser ao mesmo tempo lugar para descanso”, explica a AFT.
Um ônibus que prestava serviço para a Prefeitura de Jataí, fazendo o transporte escolar de crianças, também foi interditado. A motorista, grávida de seis meses, teve dificuldades para parar o veículo quando os policiais e os AFTS solicitaram a parada para fazer a fiscalização, devido a problemas no freio. Felizmente, não aconteceu um acidente. O ônibus ficou retido.
Indícios de aliciamento
Em outra operação, realizada há duas semanas, os AFTs regularizaram a situação trabalhista de 80 trabalhadores que eram transportados em dois ônibus fretados para trabalhar em Rondônia e em Mato Grosso do Sul. Parte deles era procedente de Ipatinga/MG e foram contratados para trabalhar na usina de Jirau, em Rondônia. Outros, vindos do Maranhão, foram para Três Lagoas/MS.
Todos estavam sem as carteiras de trabalho e, por isso, as empresas contratantes foram autuadas por falta de registro e pela retenção desses documentos, o que caracteriza indícios de aliciamento. Os empregados também estavam sem os atestados de saúde e as empresas sem a Certidão Declaratória do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE para o transporte dos trabalhadores, documento que previne o aliciamento e o tráfico de pessoas para fins laborais.
Os dois ônibus também foram retidos no Posto da PRF, por estarem em péssimas condições de conservação. Um deles havia quebrado na estrada e quando a fiscalização trabalhista chegou ao local, os trabalhadores estavam há mais de seis horas sob sol e chuva. Até a fiscalização regularizar toda a situação, os trabalhadores foram transferidos para hotéis em Goiânia, e só depois foram liberados para seguir viagem. Desta vez em empresas de ônibus de transporte de passageiros.