Balanço do DIEESE revela conseqüências da falta de AFTs


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
06/04/2011



A corrida contra o tempo para a conclusão de obras consideradas prioritárias pelo governo e como resultado disso a pressão sobre os trabalhadores estão levando milhares de operários da construção civil a aderirem a greves, foi o que constatou um balanço feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - DIEESE


Segundo especialista José Silvestre, do Departamento, as condições precárias de trabalho e segurança somadas à pressão têm causado a revolta dos trabalhadores, que vêem na greve sua única saída. Silvestre atribui a causa dessa situação ao que denomina de “fiscalização frágil” do poder público.

 

Essa fragilidade se traduz na quantidade reduzida de Auditores Fiscais do Trabalho, cuja ampliação dos quadros da carreira é uma das principais bandeiras do SINAIT. “Sabemos que a demanda é muito maior do que a possibilidade de atendê-la”, afirmou Rosângela Rassy.

 

Veja matéria da Revista Exame sobre o tema:

 

04/04/2011 - Revista Exame

 

Mais de 80 mil operários de grandes obras entraram em greve em 2011

 

Especialista acredita que greves ocorrem devido a grande quantidade de obras de infraestrutura feitas em urgência

 

São Paulo – Um balanço parcial divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que pelo menos 82 mil trabalhadores da construção civil participaram de greves este ano. A maior parte deles atua nas grandes obras de infraestrutura consideradas prioritárias pelo governo federal.

 

Segundo o coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre, a movimentação expressiva está relacionada ao porte e quantidade de empreendimentos em andamento. “Você tem muitas obras com calendário mais acelerado.”

 

Esse regime de urgência aumenta, na avaliação de Silvestre, a pressão sobre os trabalhadores. Com isso, os operários acabam se revoltando com as condições historicamente precárias do setor. “Tem uma linha comum que são as reivindicações. Elas são muito focadas nas condições de trabalho, no piso salarial, nos benefícios e nas condições dos alojamentos.”

 

Silvestre destacou também o papel das novas mídias que aceleram o fluxo de informações e fazem com que um movimento grevista inspire outros em situações semelhantes. “A internet, com a informação quase em tempo real, fez com que a notícia se espalhasse pelos quatro cantos do Brasil. E isso facilitou a mobilização.”

 

Apesar das semelhanças entre os movimentos, o coordenador do Dieese ressalta que uma característica particular dessas greves é a ausência de uma liderança forte ou ligação com sindicatos de expressão nacional. “Isso traz uma certa dificuldade nas negociações.”

 

Ele espera, no entanto, que a atenção conseguida com os graves acordos que melhorem as condições de trabalho nessas obras. “São investimentos públicos, tem que ter condições mínimas de trabalho.”

 

Silvestre afirmou que a situação só chegou a esse ponto devido à “fiscalização frágil” despendida pelo Poder Público para cuidar da questão.

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