O senador José Nery (PSOL/PA) anunciou que vai continuar o trabalho e militância contra o trabalho escravo no Brasil após os quatro anos em que exerceu o cargo de senador. Ele deixa a legislatura na próxima terça-feira, 01, quando os novos parlamentares do Congresso Nacional tomam posse.
Nery, que é presidente da Frente Parlamentar Mista pela Erradicação do Trabalho Escravo, espera que os novos deputados federais e senadores consigam priorizar o tema e colocar em votação a PEC 438/01, que pede o confisco de terras urbanas e rurais onde a prática seja comprovada. A matéria está engavetada há sete anos para ser votada em segundo turno na Câmara dos Deputados.
Segundo ele, a PEC 438/01 ainda não foi votada por causa da “mentalidade escravagista” ainda permeia setores da política nacional.
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27/01/2011
Agência Senado
Mentalidade escravagista impede aprovação de medidas para erradicar esse tipo de trabalho, avalia Nery
A mentalidade escravagista ainda presente em certos setores da elite política brasileira é o que impede a aprovação de medidas para a erradicação do trabalho semelhante ao de escravo no Brasil. A avaliação é do presidente da Frente Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, senador José Nery (PSOL-PA), que defende a aprovação, pelo Congresso, da proposta de emenda à constituição que permite confiscar terras em que houver esse tipo de trabalho (PEC 438/01).
A chamada "PEC do trabalho escravo" é um dos temas da Segunda Semana Nacional contra o Trabalho Escravo, que discutirá o assunto em pelo menos sete estados até a próxima quinta-feira (3), quando a Frente Parlamentar Mista e a Frente Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo realizarão reunião no Senado.
A maior incidência da utilização de trabalhadores em condições similares à de escravo é registrada no Pará, segundo informou José Nery. Em seguida, vêm os estados do Maranhão, Tocantins e Piauí.
O Maranhão, como destacou o senador, lidera o fornecimento desse tipo de mão de obra, uma vez que a maioria dos trabalhadores resgatados pelo Ministério do Trabalho é oriunda deste estado, seguidos pelos originários do Piauí.
José Nery disse esperar que, na legislatura que se inicia em 2 de fevereiro, as bancadas do Congresso Nacional estimulem o debate sobre o assunto e coloquem como prioritária a aprovação da PEC do trabalho escravo.
Apesar de não integrar o Congresso na próxima legislatura, ele afirmou que vai continuar se dedicando ao combate ao trabalho escravo.
- É um compromisso de vida. Abracei a causa no Pará, especialmente em Abaetetuba, ou em qualquer lugar em que for chamado a contribuir, a organizar debates e ampliar a discussão do tema, até podermos testemunhar o fim do trabalho escravo no Brasil - afirmou Nery.
Iara Farias Borges / Agência Senado