Eleitores terão que voltar às urnas no dia 31 de outubro para decidir quem será o presidente da República. Em oito estados e no DF haverá disputa de segundo turno para governadores
Mais de 101 milhões de eleitores foram às urnas nesse domingo, 3 de outubro. E terão que fazer uma nova escolha no dia 31 de outubro, visto que nenhum dos candidatos a presidente da República conseguiu alcançar percentual superior a 50% dos votos válidos. Para a disputa do segundo turno irão os candidatos Dilma Roussef e José Serra, que já começaram a “costurar” suas alianças e a buscar os votos dos eleitores dos adversários e dos mais de 24,7 milhões de cidadãos que se abstiveram de votar neste primeiro turno.
Eleitores de oito estados e do Distrito Federal também terão que decidir num segundo turno quem será o governador: Alagoas, Amapá, Distrito Federal, Goiás, Pará, Paraíba, Piauí, Rondônia e Roraima.
Na Câmara e no Senado, segundo levantamento do site Congresso em Foco e do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – Diap, os partidos aliados do atual governo fizeram maioria, e a renovação ficou abaixo do índice observado em eleições anteriores.
Veja algumas matérias sobre a composição da Câmara e do Senado a partir de 2011:
4-10-2010 - Diap
Eleições 2010: Câmara renova 44,6%; novos ficam abaixo da média histórica
Concluída a apuração das eleições para a Câmara dos Deputados, urnas confirmam prognóstico do DIAP. PT e PMDB são os grandes campeões de votos. O primeiro ficou com 88 cadeiras e o segundo com 79.
Pelos prognósticos do Departamento, a bancada petista ficaria entre 85 e 110. Já o PMDB teria entre 75 e 100 deputados. O PSDB vai ocupar, na próxima legislatura, 53 postos da Casa; o DIAP projetou que a bancada tucana teria entre 55 e 70.
DEM terá a quarta bancada na Casa, com 43 cadeiras. O DIAP projetou que "demistas" teriam entre 38 a 53 vagas.
Dos 407 deputados que tentaram a reeleição, 284 lograram êxito ao renovar seus mandatos. A previsão do DIAP foi que entre 270 e 300 conseguiriam se reeleger. A renovação de 44,6% (229 novos) está dentro do que prognosticou a assessoria do órgão. Desse modo, a renovação da Casa ficou abaixo da média histórica das cinco últimas eleições.
Bancadas de oposição - PSDB, DEM e PPS - reduziram seus titulares. Da base de sustentação do Governo, no espectro de esquerda (PT, PSB, PDT e PCdoB), todos cresceram. Houve redução ao centro (PMDB e PTB). Mantiveram-se praticamente com a mesma bancada, os partidos à direita da base (PR, PP e PSC).
Bancada feminina
As mulheres ocuparão na Câmara dos Deputados 43 cadeiras. Dessas, 21 são novas; 22 foram reeleitas. Isto representa redução de duas cadeiras em relação à bancada atual.
4-10-2010 – Agência Brasil
Eleições mostram nova composição de forças no Senado
Marcos Chagas e Iolando Lourenço - Repórteres da Agência Brasil
Brasília - A renovação de dois terços do Senado nas eleições deste domingo (3) mostra uma nova composição de forças, com expressivas quedas em bancadas como a do Democratas (DEM) que, de 13 senadores passará a contar com seis a partir de 1º de fevereiro de 2011. Já o PSDB, que conta com 14 senadores, contará com uma bancada de 11 parlamentares.
Mesmo com redução na bancada, o DEM elegeu dois de seus senadores para governos estaduais: Rosalba Ciarlini, no Rio Grande do Norte, e Raimundo Colombo para Santa Catarina. Ambos tinham mandato até 2015. Atualmente, o partido não comanda nenhum estado.
Partidos da atual base governista, por outro lado, foram os que mais cresceram. O PMDB continuará a ser a maior força no Senado, passando de 17 para 20 senadores. O partido poderá ganhar ainda mais um parlamentar: Jader Barbalho (PA) que aguarda julgamento de recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impugnou sua candidatura com base da Lei da Ficha Limpa.
O PT e o PP foram os que mais cresceram proporcionalmente. Com uma bancada de oito senadores, o PT vai pular para 14 em 1º de fevereiro de 2011, tornando-se a segunda maior força política da Casa. Já o PP, que é representado apenas pelo senador Francisco Dornelles (RJ), passará a contar com uma bancada de cinco parlamentares.
O PPS voltar á a ter representatividade no Senado. O ex-presidente Itamar Franco (MG) ficou com a segunda vaga no estado. Ele contou com o apoio formal do ex-governador e agora senador eleito pelo PSDB, Aécio Neves. O mesmo acontece com o PMN que, sem representatividade na Casa, passará a contar com Sergio Petecão (AC).
O PSB passará de dois para três senadores no ano que vem. O PCdoB, por sua vez, passará de um para dois. O P-SOL, representado apenas por José Nery (PA), poderá contar com dois senadores caso Jader Barbalho tenha sua candidatura impugnada pelo STF. O partido elegeu Randolfe Alves (AP) e Marinor Brito (PA).
O PDT, hoje com seis senadores, encolheu para quatro parlamentare. Outro que reduziu sua bancada foi o PTB, passando de sete para seis senadores. Já o PRB terá apenas um senador. O PSC manterá a representação na Casa com um senador: perdeu Mão Santa (PI) e elegeu Eduardo Amorim (SE). O PV deixa de ter representatividade no Senado uma vez que M arina Silva, candidata à Presidência da República, ficará sem mandato e o partido não elegeu ninguém.
4-10-2010 – Congresso em Foco
Apenas cinco "famosos" elegem-se na Câmara
Thomaz Pires
A corrida eleitoral para a Câmara dos Deputados garantiu a vaga para apenas cinco candidatos de apelo popular. Durante a disputa nos estados, não faltaram nomes na longa lista de famosos, como ex-jogadores de futebol, celebridades e artistas. Mesmo com as previsões otimistas, a popularidade dos postulantes n ão surtiu efeito nas urnas e falhou na hora de garantir o resultado satisfatório na disputa eleitoral.
O Congresso em Foco verificou os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Da longa lista de famosos, elegeram-se: o ex-jogador Romário (PSB-RJ), com 1,84% dos votos válidos, o humorista Tiririca (PR-SP), com 6,35%, o ex-jogador do Grêmio Danrlei, com 2,90%, Stepan Nercessian (PPS-RJ), com 1,84% e Jean Wyllys (Psol-RJ), com 1,05% dos votos. Tiririca foi o deputado mais votado do país, com 1,3 milhão de votos.
As expectativas e avaliações eram satisfatórias para alguns candidatos que despertaram a simpatia do eleitorado ao longo da disputa. Entretanto, a dificuldade de aferir as intenções de voto, por se tratar da disputa proporcional e alto número de candidatos, confirmou alguns prognósticos que já haviam sido antecipados por especialistas.
Diretor de marketing do Instituto Dados, Renato Riela já havia traçado um cenário de incertezas. Segundo ele, embora algumas pesquisas tenham indicado um favoritismo convincente de alguns famosos, a decepção não deve ser encarada como uma surpresa. “As pesquisas para a eleição proporcional são mais incertas. Ao contrário da disputa majoritária, onde há menos dificuldade e verificar a preferência do eleitor, a corrida para a Câmara dos Deputados reserva sempre algumas surpresas”, avalia Renato Riela.
4-10-2010 – Agência Brasil
Nomes tradicionais da política brasileira deixarão o Senado em 2011
Marcos Chagas e Iolando Lourenço - Repórteres da Agência Brasil
Brasília - Nomes tradicionais da política brasileira como Marco Maciel (DEM), Tasso Jereissati (PSDB), Heráclito Fortes (DEM), Aloízio Mercadante (PT) e Arthur Virgílio (PSDB), entre outros, deixarão o Senado a partir de fevereiro de 2011, já que não se reelegeram nesse domingo (3). No caso de Mercadante, ele disputou o governo de São Paulo e perdeu em primeiro turno para Geraldo Alckmin (PSDB).
Maciel, por exemplo, foi eleito senador pela primeira vez em 1983. O parlamentar, oriundo d a Arena, participou ativamente do processo de redemocratização do país e ocupou cargos importantes nesse período como ministro do governo Sarney e vice-presidente de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) por dois mandatos.
Os tucanos Arthur Virgílio e Tasso Jereissati, que tentaram a reeleição ao Senado, foram nos oito anos de governo Lula alguns dos mais combativos parlamentares de oposição. Ambos participaram de articulações de votação de temas importantes no Senado, como a derrubada da Contribuição sobre a Movimentação Financeira (CPMF).
O Senado também perderá parlamentares importantes da base governista, que deixaram seus mandatos para concorrer a governos estaduais, como Aloízio Mercadante (PT-SP), Ideli Salvatti (PT-SC) e Hélio Costa (PMDB-MG). Mercadante é o atual líder do partido e já ocupou a liderança do governo na Casa.
Salvatti, por sua vez, era líder do governo no Congresso, responsável pela articulação para aprovar a Le i de Diretrizes Orçamentárias (LDO), no primeiro semestre. Caso permaneça no cargo ao retornar para o fim de mandato, terá como missão negociar a aprovação do Projeto de Lei Orçamentária (LOA) para o próximo governo.
O candidato derrotado ao governo de Minas, Hélio Costa (PMDB-MG), é outro senador que ocupou cargos estratégicos no governo Lula. Foi, por exemplo, ministro das Comunicações, quando coordenou a implantação do sistema de sinal digital no país.
Em contrapartida, o Senado ganha nomes importantes na nova legislatura e terá a representação de três ex-presidentes: José Sarney (PMDB-AP), Fernando Collor (PTB-AL) e Itamar Franco (PPS-MG). Também foram eleitos nomes de peso como Aécio Neves (PSDB), ex-governador de Minas Gerais e ex-preside nte da Câmara dos Deputados.
Outros ex-governadores que assumirão vagas no Senado são Roberto Requião (PMDB-PR), Eduardo Braga (PMDB-AM), Blairo Maggi (PR-MT), Marcelo Miranda (PMDB-TO), Jorge Viana (PT-AC) e Ivo Cassol (PP-RO).
Outro nome importante na renovação do Senado é o de Marta Suplicy (PT-SP), ex-prefeita de São Paulo. No início do segundo mandato, Marta foi ministra do Turismo do governo Lula. Ela deixou o primeiro escalão do governo para disputar, em 2008, a prefeitura de São Paulo, quando perdeu para Gilberto Kassab (DEM).