Por Andrea Bochi, com informações da GRT/Montes Claros
Edição: Nilza Murari
Dois trabalhadores foram resgatados de condições análogas à de escravidão pelo Auditor-Fiscal do Trabalho Hélio Ferreira Magalhães, na zona rural de Montes Claros (MG), na última segunda-feira, 5 de outubro.
Os trabalhadores operavam máquinas ligadas à eletricidade e não usavam Equipamentos de Proteção Individual – EPIs em uma atividade de risco, que exige proteção.
Segundo o Auditor-Fiscal do Trabalho, eles removiam a terra do córrego de uma fazenda e operavam máquinas improvisadas sem usar nenhum equipamento de segurança. Ao longo de toda a instalação elétrica havia fios desencapados e expostos e improvisações que colocavam em risco a vida dos trabalhadores. “Uma pá carregadeira era usada na retirada da terra e depois era feito o beneficiamento com esses equipamentos para peneirar, retirando os resíduos e pedras”, informou.
De acordo com Hélio Magalhães, eles estavam de chinelos e as condições de trabalho eram degradantes. Dormiam no chão do alojamento e preparavam os alimentos ao ar livre. Os trabalhadores não tinham local adequado para alimentação e faltava água para consumo próprio.
“Eles relataram que faziam a alimentação em um alojamento que fica a 2,5 Km de distância, mas encontramos sinais de que eles almoçavam lá mesmo. Debaixo de uma árvore, tinha um buraco com cinzas onde improvisavam o fogão. Encontramos uma garrafa para armazenamento de cinco litros de água que estava vazia”.
A argila retirada do local era ensacada e vendida em floriculturas da cidade.
Além disso, o Auditor-Fiscal do Trabalho verificou que todos os direitos trabalhistas eram desrespeitados e os dois homens estavam sem documentos. “Eles são de Capitão Enéas e trabalhavam no local há uma semana, conforme depoimentos”. Outros cinco trabalhadores da mesma cidade chegariam nos próximos dias.
Hélio informou que as atividades foram paralisadas e o empregador foi notificado para apresentar a documentação. Serão emitidos autos de infração e o caso será encaminhado para o Ministério Público do Trabalho.
A ação contou com apoio da Polícia Militar.