Papa Francisco quer luta do Vaticano contra a escravidão e o tráfico de pessoas no mundo


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
05/11/2013



Igreja Católica mostra preocupação com o tema e lançará em 2014 Campanha da Fraternidade sobre o tráfico humano


A Agência France Press divulgou nesta segunda-feira, 4 de novembro, que o Papa Francisco, quer que o Vaticano assuma como prioridade a luta contra a escravidão e o tráfico de pessoas no mundo. Ele manifestou o pensamento durante reunião com as Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais e a Federação Internacional de Associações Médicas Católicas, em Roma, no fim de semana. Uma proposta de luta foi formulada pelos presentes à reunião.


O Papa, segundo a notícia, estaria reconhecendo a gravidade do problema e denuncia a “globalização da indiferença”, que permite o avanço do tráfico de pessoas para a escravidão e outras formas de exploração. Em relação à América Latina o destaque foi para as crianças que são usadas pelo narcotráfico, que se tornam prisioneiras do tráfico de drogas.


O tema da Campanha da Fraternidade de 2014 reflete a preocupação da Igreja Católica com o tema e poderá alcançar milhões de pessoas: “A Fraternidade e o Tráfico Humano”, aí inseridas as formas de escravidão modernas, que os Auditores-Fiscais do Trabalho combatem e lutam para erradicar. A Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros – CNBB, há alguns meses, entrou em contato com o Sinait para obter informações e subsídios para a elaboração de materiais da Campanha, que será lançada logo após o carnaval de 2014.


Veja material da Campanha da Fraternidade aqui.


Leia matéria da Agência France Press:


4-11-2013 – Agência France Press


Papa quer fazer da luta contra a escravidão uma prioridade


Segundo o professor americano Marcelo Suarez-Orozco, o tráfico de seres humanos, mesmo que dificilmente mensurável, gera 30 bilhões de dólares


Agência France-Press


Cidade do Vaticano - O Papa Francisco quer que a Santa Sé lute contra as formas modernas de escravidão, que afetam 27 milhões de pessoas, manifestando preocupação com um tema sobre o qual deve ser realizada uma conferência em 2015, anunciou o Vaticano, após uma reunião de um grupo de especialistas.


Trabalho forçado, prostituição, tráfico de órgãos e demais tráficos mantidos por organizações criminosas internacionais: reunidos durante o fim de semana com as Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais e com a Federação Internacional de Associações Médicas Católicas (FIAMC), sessenta observadores, religiosos e leigos formularam uma proposta contra todas as formas de escravidão que atingem 75% das mulheres e crianças.


"Alguns observadores acreditam que o tráfico humano vai ultrapassar o tráfico de drogas e de armas em dez anos, tornando-se a atividade criminosa mais lucrativa no mundo", declarou nesta segunda-feira em uma coletiva de imprensa o bispo Marcelo Sanchez Sorondo, chefe da Pontifícia Academia das Ciências.


Segundo um especialista entrevistado pela Radio Vaticano, o professor americano Marcelo Suarez-Orozco, o tráfico de seres humanos, mesmo que dificilmente mensurável, gera 30 bilhões de dólares.


A Santa Sé prepara para 2015 uma reunião de quatro dias sobre esta questão.


"Eu gostaria de fazer algo com o material" deste seminário, teria dito o Papa a Sorondo, que destacou o envolvimento pessoal de Francisco em um problema que a Santa Sé, até então, "não havia reconhecido a gravidade".


O Papa sempre denuncia, quando tem a oportunidade, a "globalização da indiferença" que facilita o tráfico de seres humanos, "a escravidão mais comum do século XXI".


Entre as formas de trabalho forçado mais preocupantes, principalmente na América Latina, o pior é o de crianças e adolescentes que vendem drogas, que se tornam "prisioneiros" do tráfico, denunciaram os participantes.


Com as organizações criminosas existe uma "cooperação, às vezes inconsciente, de muitas empresas multinacionais e até mesmo de governos", denunciou o bispo Sorondo.


O tráfico de órgãos também foi discutido neste encontro. Segundo Sorondo, a cada ano 20.000 pessoas são forçadas a dar um órgão (fígado, rim, pâncreas, córnea, pulmão ou coração) às redes criminosas, muitas vezes com a cumplicidade de médicos e enfermeiras.


As redes criminosas, ativas em 160 países, são como "estradas sobre as quais muitos veículos diferentes podem circular, todos de forma ilegal", revelou o especialista argentino Juan Jose Lach, que ressalta a capacidade de adaptação segundo as demandas "do mercado", ainda que nos últimos anos tenha sido registrado "uma melhoria na qualidade da informação".


A miséria, a falta de instrução, famílias desestruturadas, a proteção e a cumplicidade das autoridades fazem com que muitos jovens em todo o mundo caiam nas redes criminosas.


O presidente da FIAMC, Dr. José Maria Simon Castellvi, elogiou como "uma mudança histórica" a atitude dos participantes frente à prostituição. "A linha é a tolerância zero. A prostituição deve desaparecer, não é um mal menor", disse, ressaltando que "a prostituição está sempre ligada à violência da máfia, às drogas".


Dois milhões de pessoas são vítimas de tráfico sexual por ano, entre elas 60% são meninas, de acordo com dados divulgados durante o seminário.

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