Fazenda é do irmão da senadora Kátia Abreu, que é contrária à aprovação da PEC do Trabalho Escravo e que já questionou a ação dos Auditores-Fiscais do Trabalho por diversas vezes
Os Auditores-Fiscais do Trabalho do Mato Grosso flagraram trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em fazenda do irmão da senadora Kátia Abreu (PMDB/TO), que é presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A Fazenda Taiaçu II, de propriedade de Luiz Alfredo de Feresin Abreu, é um conjunto de três lotes de terra localizado no município de Vila Rica, próximo à divisa do Estado com o Pará. A ação foi realizada entre 19 e 30 de agosto.
Os trabalhadores foram contratados, segundo a equipe de fiscalização, para roçar o pasto dos bois da fazenda. A propriedade fica no meio do mato, a 40 km de distância da área urbanizada mais próxima.
De acordo com relatório da ação fiscal, os trabalhadores eram submetidos a jornadas exaustivas de 11 horas diárias, com poucas e curtas pausas. As condições de trabalho oferecidas eram degradantes, sem banheiro disponível e sem água para consumir, preparar as refeições ou realizar higiene pessoal. Os trabalhadores eram obrigados a beber água e tomar banho em um riacho próximo. Além disso, tinham de providenciar os próprios mantimentos e não dispunham de Equipamentos de Proteção Individual - EPIs necessários para as atividades executadas.
Os trabalhadores precisavam improvisar onde dormir, pois não existiam camas nos alojamentos. Também não havia energia elétrica e as carnes para o consumo eram salgadas e penduradas.
Como ganhavam por produção, os trabalhadores não paravam e se submetiam à exposição ao sol nos horários em que as temperaturas ultrapassam os 30º na região. Ao todo, foram lavrados 19 autos de infração devido aos problemas encontrados.
A senadora Kátia Abreu é contrária à PEC 57-A, a PEC do Trabalho escravo, que prevê a expropriação de propriedades onde for flagrado trabalho escravo. Por diversas vezes ela já questionou a ação dos Auditores-Fiscais do Trabalho e colocou em dúvida a existência de trabalho escravo no país.