Nos últimos três anos, o Brasil ocupa o lugar de maior consumidor de agrotóxicos no mundo. Os impactos à saúde pública são amplos porque atingem vastos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais como trabalhadores em diversos ramos de atividades, moradores do entorno de fábricas e fazendas, além de todos que consomem alimentos contaminados. Tais impactos são associados ao atual modelo de desenvolvimento, voltado prioritariamente para a produção de bens primários para exportação.
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que 63% das amostras de frutas, hortaliças e legumes, analisadas em 2010, estavam contaminadas por agrotóxicos, sendo que 28% apresentaram ingredientes ativos não autorizados para aquele cultivo e/ou ultrapassaram os limites máximos de resíduos considerados aceitáveis.
A água que bebemos também pode estar contaminada com agrotóxicos. Segundo o Atlas de Saneamento e Saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, lançado em 2011, esgoto sanitário, agrotóxicos e lixo são as causas de poluição na captação em mananciais superficiais (72%), em poços profundos (54%) e em poços rasos (60%). O Ministério da Saúde, responsável por controlar a qualidade da água para consumo humano, não tem conseguido fazer sua tarefa: em 2008, apenas 24% dos municípios apresentam informações sobre o controle da qualidade da água para os parâmetros agrotóxicos (Netto, 2010).
Na tentativa de mudar este quadro a Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO lançou, em 2012, um Dossiê sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde no Brasil. O documento alerta, por meio de evidências científicas, as autoridades públicas nacionais, internacionais e a sociedade em geral para a construção de políticas públicas que possam proteger e promover a saúde humana e dos ecossistemas impactados pelos agrotóxicos.
Estudiosos da área também alertam que se as políticas públicas priorizassem o apoio à agricultura familiar e à transição agroecológica, em detrimento do agronegócio, poderiam evitar as muitas doenças que a ingestão diária de água e alimentos contaminados por agrotóxicos causa sobre a saúde.
O leque de agravos para os quais fartas evidências científicas já estão estabelecidas é amplo, e vai desde alergias da pele e respiratórias, até os cânceres – leucemias, linfomas, de mama, próstata, cérebro - passando por alterações endócrinas e imunológicas, problemas da reprodução, infertilidade masculina, abortos, óbitos fetais e malformações congênitas; além de doenças neurológicas como a Síndrome de Parkinson; doenças do fígado, dos rins e dos pulmões.
Clique aqui para ler a íntegra do dossiê que traz entre suas principais conclusões que não são necessárias mais evidências científicas para uma ação clara de Estado para vigiar, proteger e promover a saúde das populações envolvidas; e para implementar políticas intersetoriais de incentivo à Agroecologia e à Reforma Agrária, para que esse modelo adoecedor seja alterado.