Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI da Câmara dos Deputados destinada a investigar o Tráfico de Pessoas no Brasil estiveram no Rio de Janeiro onde realizou uma audiência na Assembleia Legislativa do Estado. O presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), sugeriu que uma melhor comunicação entre as esferas estaduais, municipais e federais sobre o tema e a criação de um banco de dados seriam medidas concretas para combater o crime.
Na audiência, a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Rio de Janeiro, Graziella Rocha e a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal no RJ, Marisa Dryes, confirmaram a relação entre o objeto investigado pela CPI e o trabalho escravo. Ambas destacaram que trabalhadores de várias localidades do país ou do interior do Estado são aliciados e acabam sendo explorados de forma análoga à escravidão.
O Sinait já chamou a atenção para esta peculiaridade várias vezes, inclusive em audiência na CPI do tráfico de pessoas. No dia a dia, Auditores-Fiscais do Trabalho se deparam com esta realidade no combate ao trabalho escravo, nas ações em que encontram trabalhadores de diversas regiões do país aliciados com falsas promessas de emprego e bons salários. Esta realidade é observada tanto no campo como na cidade, com trabalhadores nacionais e estrangeiros, como na cadeia da indústria das confecções, especialmente na capital paulista, em que bolivianos são trazidos ao Brasil num processo semelhante ao aliciamento feito aqui mesmo e, ao final, são explorados e, em muitos casos, aprisionados por dívida e retenção de documentos.
Mais informações abaixo.
3-12-2012 – Agência Câmara
Presidente de CPI sugere banco de dados contra o tráfico de pessoas
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Tráfico de Pessoas, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), afirmou que a criação de um banco de dados abastecido pela União, por estados e municípios poderia auxiliar no combate ao tráfico de pessoas no Brasil.
"Hoje, o Estado não tem nenhuma chance de combater esses crimes, se não estiver em rede e organizado", disse Jordy, durante audiência promovida pela CPI na última sexta-feira (30), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O deputado ressaltou que o tráfico de pessoas está relacionado a diversas atividades, “muitas delas aparentemente respeitáveis”. "Não é apenas a exploração sexual, mas também ocorre em relação às agências de modelo, escolinhas de futebol, tráfico de órgãos, adoção ilegal”, disse o parlamentar.
Trabalho escravo
Presente ao encontro, a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Rio de Janeiro, Graziella Rocha, destacou que o tráfico de pessoas também está associado ao trabalho escravo.
"Trabalhadores do interior acreditam que, vindo ao Rio, terão grandes oportunidades de trabalho", disse Graziella. "Somos receptores de mão de obra, trabalhadores que vem do Norte e Nordeste e acabam caindo no aluguel de escravos."
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro, Marisa Dryes, também afirmou que o tráfico de pessoas no Rio está relacionado, principalmente, à exploração do trabalho escravo. “Na maioria dos casos, as pessoas vêm do interior, com documentos de identidade, em ônibus de linha comum, com a ideia de que vão trabalhar de forma legal", disse Marisa. “Essa pessoa chega ao destino e encontra um alojamento em condições ruins, uma carga horária excessiva de trabalho e a imposição de dívidas.”
Da Redação/PT
Com informações da Alerj